sábado, 11 de janeiro de 2014

Somos todos Poetas: Um minuto de silêncio


Um minuto de silêncio


Um minuto de silêncio
Por todos que ainda não enxergaram
A luz no seu imenso vazio

Um minuto de silêncio
Por todos aqueles que andam perdidos
Ainda sem encontrar o caminho da razão

Um minuto de silêncio
Para os que dizem que sabem de tudo
Mas, as cabeças ainda sentem a dor

Um minuto de silêncio
E mais quanto tempo se faça necessário
Para que o mundo aprenda a abrir os olhos
E a ignorância deixe de assolar

No seu minuto de silêncio
Baixe a cabeça
Ainda tem salvação
Somente no seu silêncio

domingo, 5 de janeiro de 2014

Pure Rock: Mossoró Rock City


Passei o ano de 2013 inteiro comentando e recomendando os álbuns lançados no cenário potiguar do rock, e não para valorizar o estado - ou melhor dizendo, a cidade -, e sim porque estão muito bem produzidos e merecem o selo Rock'N'Prosa de aprovação. Não lembro quando foi o último Pure Rock, mas nada melhor do que dedicar a próxima seção dessa coluna que é música pura, ao rock potiguar, e assim vamos nós, espero que gostem e conheçam novos sons.

#1 - GODHOUND - On the Road (God above...Hound on the Road, 2013)

Nada melhor do que começar pelo pessoal de casa. O Godhound foi formado em Natal, em 2010, e em 2013 pegou a estrada para Mossoró/RN, onde lançou esse ano o EP God above...Hound on the road (2013), sucessor do EP homônimo de 2012. As músicas trazem muita cerveja e poeira nos acordes, mantendo firme a bandeira do velho rock'n'roll, espécie em extinção nos dias de hoje. A turnê 2013 deles - ou nossa - passou por Fortaleza/CE, João Pessoa/PB e Santa Cruz/RN, é claro que sem deixar de lado Mossoró/RN e Natal/RN. Para 2014 a banda prepara o lançamento do seu primeiro álbum, ainda sem título definido.


#2 - MONSTER COYOTE - The Shepherd who saves the Wolf, Dooms his sheeps (The Shepherd who saves the wolf, 2013)

Uma verdadeira pedreira mossoroense. Com um álbum, The Howling (2012) e um EP, Stoner to the Boner (2010), no curriculum, o pesado Monster Coyote é o nome mais forte do rock mossoroense atualmente. A banda já realizou uma extensa turnê pelo Brasil, incluindo até datas em São Paulo/SP, e pela América do Sul. Eles acabaram de lançar seu primeiro vídeo, para a música inédita The Shepherd who saves the Wolf, gravado em pleno deserto mossoroense. A sonoridade deles é uma mistura do stoner com o metal pesado.


#3 - MAD GRINDER - Cracked Soul (Hitting Around, 2013)

Lançando mais um novo álbum está o Mad Grinder, do guerreiro Rafaum Costa. Depois do debut Smoke (2012), o Mad Grinder apresentou agora no final de 2013 o Hitting Around (2013). Trazendo composições mais complexas do que o antencessor, o Hitting Around (2013) pega tudo aquilo de grunge que existe dentro de nós e enterra mais profundo ainda no espírito do rock dentro de nós. O álbum abriu espaço para a banda excurcionar pela América do Sul. Ainda lembro da banda no seu antigo nome, Dead Pixel. O Godhound cruzou com eles em 2012, e acabei não vendo o show, porque estava me concentrando para subir no palco. Pude ver eles ao vivo em outras ocasiões e não decepcionaram, muita energia presente no palco, tanto quanto no álbum gravado.


#4 - BONES IN TRACTION - Rubber Bullet (Bones in Traction, 2014)

Meus novos irmãos ainda não gravaram o seu EP, mas a sonoridade está mais pesada e condensada do que nunca. Com um som pesado e sem muita frescura, o Bones in Traction vem preencher esse espaço que foi abandonado a certo tempo pelas bandas da nossa cidade, puro thrash metal anos 90. Agora no início de 2014 o seu primeiro EP será gravado, estou ansioso para ouvir. O Bones in Traction fez seu show debut na abertura para o Andre Matos, além de fazer parte do cast da edição mossoroense do Festival Dosol. Anotem esse nome, porque mais tarde volto a falar.


#5 - THE VELOCIRAPTORS - Messed Up My Mind (A New State of Mind, 2012)

Já que comecei com rock'n'roll, vou terminar com rock'n'roll também. Os já irmãos do Velociraptors seguram essa velha bandeira também. Com uma sonoridade mais puxada para o punk, o Velociraptors possui um EP, Wild Ambitions (2008) e um álbum, A New State of Mind (2012) no seu curriculum. Rock'n'roll leve e sem muita enrolação. O som lembra muito o Ramones, principal influência da banda. Agora no início de 2014 eles lançarão dois splits, sendo que um deles já  está disponível para audição no Bandcamp (acesse AQUI).


Bem, espero que tenham gostado e conhecido mais essas bandas. Pelo que você leu, deu para perceber que existe um trabalho muito grande das bandas de Mossoró/RN, e esse trabalho está levando as bandas por novas fronteiras. No próximo show, pode sair de casa e ir conferir esse rock'n'roll, tenho certeza que você não vai se arrepender.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O velho que traz o novo


Para começar, já faz muito tempo que não posto nada e o blog esteve perto do fim. Mas, ainda não era chegada a sua hora. Dentre um afazer e outro, a gente nunca deixa de lado o rock'n'roll, e para marcar essa "volta" do Rock'N'Prosa, nada melhor do que falar de uma banda - que aliás, é uma das minhas favoritas - que esteve sempre vivendo no limite, por causa da troca constante de integrantes, mas se manteve firme durante todos esses anos, o Iced Earth.

Após escutar o seu mais novo álbum, Dystopia (2011), até a exaustão, ontem finalmente adquiri o meu Live in Ancient Kourion (2013), mais novo álbum ao vivo do Iced Earth. Passei a infância escutando o Alive in Athens (1999), em sua versão tripla e recheada de músicas. Os vocais de Barlow viraram referência para mim no Iced Earth. Depois veio a fase Tim Owens, um pouco diferente de tudo, mas não muito cativante. Após uma breve volta de Barlow no Festivals of the Wicked (2010), eis que é iniciada a fase Stu Block na banda.

Vocais poderosos e versáteis foram eternizados no álbum Dystopia (2011) e no vindouro Plagues of Babylon (2014), mas é claro, entre eles um álbum ao vivo fincou sua bandeira.
capa do Live in Ancient Kourion (2013).
Quando vi as fotos, na época do show, logo imaginei o melhor álbum ao vivo de todos os tempos. O Iced Earth gravaria seu próximo álbum ao vivo em um anfiteatro, na beira de uma praia, no litoral do Chipre. Local mais que perfeito. Veio o dia do show, palco montado e set-list de 3 horas em punhos, o Iced Earth deu o seu melhor...pena que a produção não.

Um local daqueles, como é o Ancient Kourion, merecia a melhor equipe de filmagens de todos os tempos trabalhando. Assistindo repetidas vezes - no YouTube, porque não tive coragem de comprar essa mídia - não conseguia pensar diferente. Toda aquela atmosfera do público, do set-list (que beira a perfeição, diga-se de passagem) e do local não conseguiram ser capturadas pelas câmeras. O resultado final foi que preferi "escutar" o show ao invés de assisti-lo, por isso, adquiri meu Live in Ancient Kourion (2013) na sua versão em CD duplo.

Viajando pelo show do Iced Earth no Ancient Kourion pude comprovar tudo aquilo que achava de Stu Block, é o vocalista certo para a banda. Não há o que discutir nas execuções de Dystopia, Anthem, V e Boiling Point. Mas, as composições antigas do Iced Earth - tanto da fase Barlow como da fase Tim Owens - ganharam uma nova "roupagem". When The Night Falls e Melancholy ganharam nova vida, além de Ten Thousand Strong, executada no "padrão Owens". Para não dizer que tudo foi perfeito, uma das minhas músicas favoritas, Burning Times, simplesmente não encaixou com sua voz. É uma pena dizer isso, mas prefiro tirá-la do set ao deixar do jeito que está. O mesmo aconteceu com Declaration Day, uma música da fase Owens, mas que se encaixava perfeitamente na voz de Barlow (aliás, ela foi composta originalmente para voz dele, para quem lembra).
Iced Earth no Ancient Kourion (da esquerda para a direita): Jon Schaffer, Brent Smedley, Stu Block, Luke Appleton e Troy Seele.
Outro destaque desse novo álbum ao vivo é a completa mudança no set-list. Para quem é acostumado com o Iron Maiden, que quase sempre executa as mesmas músicas em seus álbuns ao vivo, esse novo do Iced Earth é uma tapa da cara. Nada de clássicos eternos como Violate, Travel in Stygian e Dark Saga, temos músicas que foram pouco executadas na carreira deles como Angels Holocaust, Wolf, Slave to the Dark e Damien. Gostei muito dessa atitude do Jon Schaffer, porque até então o Iced Earth estava caminhando para o lado "Iron Maiden", mantendo a rigidez do set-list com clássicos e mudando pouca coisa entre uma turnê e outra.

Voltando ao álbum. Dessa vez, o CD me proporcionou um estado de presença no show muito maior do que o DVD. Pude sentir cada nota, cada vibração do público, ou seja, tudo aquilo que estava esperando do Live in Ancient Kourion (2013) desde o dia em que o show foi realizado. Foi até meio nostálgico, porque pude voltar àquela época onde escutávamos o CD e vivíamos o show, algo que estava perdido nos dias de hoje, por causa da imensa quantidade de shows filmados e lançados em DVD.

É isso, pessoal, vamos continuar o rock'n'roll agora em 2014, rumo ao 4º ano de atividade no blog. Até a próxima, e para terminar com música, confiram o vídeo de Dystopia, extraído do DVD Live in Ancient Kourion (2013), apesar de tudo que foi dito, vale a pena conferir.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Resenha de shows: Andre Matos (Mossoró/RN - 27/10/13)


De todas as resenhas que tive o prazer de escrever, essa aqui é com certeza uma das mais especiais. Para começar, se alguém me perguntasse há alguns anos atrás, principalmente em 2004, se algum dia imaginaria ver um dos meus ídolos em minha cidade natal, certamente diria que não, e NÃO maiúsculo mesmo, porque era praticamente impossível disso acontecer. Mas, como diz o velho ditado: "Hoje, os tempos são outros, meu capitão".

O filme já estava passando na cabeça ao longo das semanas que antecediam o show, desde o brinde com Heineken no Valhalla Rock Bar, quando o grande Lázaro Fabrício anunciou em primeira mão o sonho de trazer um dos nossos maiores ídolos para a nossa cidade. O sonho era difícil de ser realizado, mas a cena mossoroense abraçou a causa e se mobilizou para fazer acontecer esse show. Tudo foi ocorrendo a cada passo. Após o sonho, veio o anúncio oficial, Andre Matos estava vindo para fazer um show em Mossoró/RN no dia 27 de outubro, de longe, o maior show da história do rock em Mossoró/RN.
cartaz do show do Andre Matos, em Mossoró/RN.
Não dormi direito do sábado para o domingo, a ansiedade era grande pelo show. Mais acompanhando do que trabalhando - na produção - fiquei indo e vindo do local do show, esperando a banda chegar, até que de 15:00, sem aguentar mais, coloquei os equipamentos no veículo e rumei para o show.

Esforço e força de vontade traduzem todos os momentos. Palco montado, equipamentos de som providenciados, tudo estava pronto para receber com qualidade o show. A abertura ficou por conta das bandas mossoroenses Bones in Traction e Godhound.

O show "debut" do Bones in Traction foi sensacional, thrash metal de qualidade e peso. Guardem esse nome. Particularmente, estou ansioso para escutar o EP deles, a ser lançado no final do ano. Sou suspeito em falar do Godhound, mas queria deixar registrada a honra que foi fazer parte daquela noite. 30 minutos de show entre músicas do Godhound (2012) e do God above...Hound on the road (2013), contando com a ilustre presença do nosso amigo Lázaro Fabrício, na bateria. Show explosivo e de aquecimento para o que estava por vir. 

Acabados os shows de abertura, muito bem recebidos pelo público de 700 pessoas que lotaram o Carcará, estava chegada a grande hora. Após No More Tears, do Ozzy, começa a soar a introdução do show, era o sinal. Hugo Mariutti, André Hernandez, Rodrigo Silveira e Bruno Ladislau posicionados no palco dão início a Liberty, faixa de abertura do The Turn of the Lights (2013), seguida de I Will Return, do Mentalize (2009). Após saudar o público, e elogiar - o que achei um dos melhores momentos do show - a estrutura e garra que moveu as pessoas para trazerem shows para o interior do Brasil, a banda continuou com Course of Life e a clássica da sua carreira-solo, Rio. Voltando um pouco nos comentários, estamos acostumados a ter shows de Forró e Axé, mas um show desse "porte", nunca antes. Quem ganha com isso é a diversidade cultural da cidade, temos espaço para todo mundo, e se a cena alternativa não se mantiver unida, não teremos mais noites como essa. Fica aqui o recado para todos que fazem a cena acontecer, não só em Mossoró/RN, mas nos interiores de todo o Nordeste, mais união e menos competição, estamos todos juntos no mesmo barco.
Andre Matos e André Hernandez em Mossoró/RN (foto: Camila Soares)
Voltando ao show, após a faixa-título do seu mais novo trabalho, The Turn of the Lights, a clássica do Shaman (melhor dizendo, da sua carreira-solo também, porque o Shaman acabou) Fairy Tale contagiou a todos os presentes, que cantaram até acabar a voz. Depois de Stop!, outra pedreira, Lisbon, grande clássico do Angra. O que gostei do repertório foi que Andre Matos soube mesclar clássicos com suas músicas novas, fazendo com que o show não perdesse hora nenhuma o seu ritmo, até quando as músicas eram "desconhecidas". Após um solo magnífico na bateria, por Rodrigo Silveira, o show continua com On Your Own e a primeira parte é encerrada com Living for the Night, do Viper, com direito até a uma jam - quem estava lá ainda lembra do riff, com certeza.

Acabada a primeira parte do show, era hora da banda recarregar as baterias e voltar para o tributo ao Angels Cry (1993), que está completando 20 anos agora em 2013. Antes de sair, Andre Matos ainda soltou um "veneno" para seus ex-colegas de Angra, dizendo que o álbum seria executado "na íntegra", nem mais nem menos. Para quem não entendeu, o Angra gravou um DVD de comemoração aos 20 anos do Angels Cry (1993), mas não executou o álbum inteiramente, o que achei ruim, dado o título proposto para o produto - provavelmente Angels Cry 20th Aniversary.
Andre Matos e Hugo Mariutti em Mossoró/RN (foto: Camila Soares)
Enfim, após um intervalo de 15 minutos, começa a soar Unfinished Allegro, seguida de Carry On. A partir daí, meu amigo, foi pura destruição, todo mundo já sabia o que vinha, e não decepcionou. Time e Angels Cry foram perfeitas, sem contar em Stand Away, executada brilhantemente mesmo 20 anos depois do seu lançamento (digo 20 anos porque os vocais já eram difíceis naquele tempo, quanto mais hoje depois de toda a estrada). Never Understand, com direito a solo de Hugo e André Hernandez, seguida da espetacular Wuthering Heights continuaram o tributo. E o fim estava próximo, depois de Streets of Tomorrow e Evil Warning, o show foi encerrado com Lasting Child, última música do álbum.

As palavras ainda não parecem o bastante para descrever o que foi esse domingo, um domingo que será lembrado, não só por mim, mas por todos os presentes, como um dos domingos mais históricos da cidade de Mossoró/RN. Muita energia estava presente ali, e poder compartilhar isso com seus amigos, com quem lutou para ver aquilo ali se tornar realidade, não tem preço. A maioria da população de Mossoró/RN não entenderá o que foi aquilo, espero que alguém que não tenha ido no show tenha a oportunidade de ler ao menos isso, e sentir um pouco do que se passou ali.

Queria acabar com as palavras do próprio Andre Matos. "Esse foi o primeiro show de uma série que está por vir. Não só Mossoró, mas o Nordeste, está definitivamente incluído na rota nacional dos shows. Não só nós queremos voltar, como muitas bandas que não vieram passarão a vir. Vocês merecem tudo isso!!".

Bones in Traction (foto: Neta)
BONES IN TRACTION
1.INTRO
2.GRAIN BY GRAIN
3.HELL TO THE KING
4.DEPRESSED
5.RUBBER BULLET
6.REFUSE/RESIST (Sepultura cover)
7.MODERN MAN

Godhound (foto: Camila Soares)

GODHOUND
1.ON THE ROAD
2.MOTORCYCLE'S HYMN
3.SIRENS
4.DUST N'BEER
5.ACE OF SPADES (Motorhead cover)
6.GODHOUND

Andre Matos (foto: Camila Soares)
ANDRE MATOS
1.INTRO
2.LIBERTY
3.I WILL RETURN
4.COURSE OF LIFE
5.RIO
6.THE TURN OF THE LIGHTS
7.FAIRY TALE (Shaman cover)
8.STOP!
9.LISBON (Angra cover)
10.ON YOUR OWN
11.LIVING FOR THE NIGHT (Viper cover)
---------Angels Cry tribute-----------
12.UNFINISHED ALLEGRO
13.CARRY ON
14.TIME
15.ANGELS CRY
16.STAND AWAY
17.NEVER UNDERSTAND
18.WUTHERING HEIGHTS
19.STREETS OF TOMORROW
20.EVIL WARNING
21.LASTING CHILD

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Aqui e lá outra vez


O blog está mais para uma balada do que para um thrash metal ultimamente (estamos há quase 1 mês sem atualização), a correria está muito grande e não estou encontrando tempo - nem criatividade - para atualizá-lo. Mas, não podia deixar passar essa semana. Estamos prestes a presenciar um acontecimento histórico para Mossoró/RN e proximidades. 

Tem gente que ainda acredita que a vida não é um ciclo, que tudo não está conectado. Eu sempre acreditei que sim, nada acontece por acaso, e eis que essa semana, sou surpreendido com mais uma dessa vida. Antes de tudo, não devemos reclamar de nada que acontece, por pior que seja, e sim agradecer.

Um dos maiores sonhos que tinha era de ter uma banda, poder tocar e ver as pessoas cantando nossas músicas. Bem, passei por isso em um show do Godhound e meus olhos se enxeram de lágrimas (não, não deixei transparecer na hora, antes que me perguntem) quando vi uma pessoa, que não fazia ideia quem era, cantando Sirens, música que fiz para o primeiro EP da banda.

Andre Matos.
Estendendo para a minha coleção, umas das minhas primeiras lembranças foi, ainda na minha adolescência, de comprar o Angels Cry (1993) e o Holy Land (1995) à R$10,00 cada um, em uma promoção na extinta Glênio Discos, no centro de Mossoró/RN. Passei dias e dias viajando naqueles álbuns, lendo os encartes e cantando as músicas, sempre no "falsete", porque é impossível um ser humano comum reproduzir o tom de Andre Matos.

Ainda na infância/adolescência, o primeiro show grande que fui (com muita luta) foi o do Shaman em Fortaleza/CE, no ano de 2003. Na época eles eram minha banda favorita e foi uma emoção muito grande ver Andre Matos & Cia ao vivo. Ainda lembro da introdução Ancient Winds e da execução de Lisbon no show, grande clássico do Angra. Na ocasião até apareci no DVD RituAlive (2004) deles, no trecho do making of que aparece o show no Ceará Music. Pois bem, os anos foram se passando e eis que encontro para vender, no meio do nada, o dito DVD, quando já estava esgotado em todos os lugares, inclusive em sites internacionais. Essa história já foi contada aqui no Rock'N'Prosa (você pode conferir AQUI).

cartaz do show do Andre Matos em Mossoró/RN.
...E não é que em 2013 - 10 anos depois do show e do início da coleção - a vida aprontou mais uma das suas. Queria compartilhar isso novamente com meu amigo Thiago Costa, quem acompanhou todo o processo e quem me deu a ideia para escrever sobre isso. Depois de assistir o show em 2003, comprar o DVD em 2011, eis que vamos ter o privilégio de abrir o show do Andre Matos em Mossoró/RN. Ainda não caiu a ficha. Como a vida apronta das suas com a gente. O melhor é poder fazer isso ao lado de todo mundo que acompanhou toda a história e que é fã do cara, não vou citar aqui todo mundo, mas vocês sabem quem são. Realmente não tem preço. Será algo que transcenderá esse plano astral que vivemos.

Se você está lendo isso antes do dia 27 de outubro de 2013, ainda dá tempo de correr para Mossoró/RN e prestigiar esse momento histórico.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Rock'N'Prosa no Rock In Rio pt. II


Depois de dois dias de folga, eis que a equipe Rock'N'Prosa volta à Cidade do Rock. Domingo ensolarado no Rio de Janeiro/RJ e às 14:00 já estávamos a postos esperando o ônibus para o festival. A expectativa era grande para assistir André Matos, só que mais uma vez o trânsito e enorme quantidade de pessoas - demoramos quase meia hora para entrar no festival - fizeram com que perdêssemos mais esse show. Para não dizer que não "vi" nada, escutei os últimos acordes de Rebel Maniac enquanto estava na fila, que passava exatamente por trás do Palco Sunset.

O dia 22 de setembro não era de andar por qualquer lugar, uma das melhores seleções de bandas dos últimos tempos estava prestes a tomar de conta do festival.

#DESTRUCTION


Sol a pino e os primeiros acordes do Destruction começaram a soar pelo Palco Sunset. Particularmente não conhecia a banda, mas virei quase um fã, somzeira pesada e bem executada!! Não tenho muito o que comentar do set-list, basta destacar que na metade do show os brasileiros do Krisiun subiram no palco. Senti o orgulho na voz do vocalista Alex Camargo ao dizer que eles eram a primeira banda nacional de Death Metal a subir no palco do Rock in Rio. Se o show estava pesado, agora ficou pesado ao cubo. O nível da destruição aumentou, com certeza.

#HELLOWEEN


Agora vem um dos shows esperados do dia. Cresci ouvindo o Helloween, e com o sol se pondo a banda entra no palco com Eagle Fly Free, cantada por todos os presentes. Achei o som um pouco aquém dos outros shows, os vocais estavam um pouco baixo, assim também como a bateria. Mas, enfim, não tirou a magia do show, porque era o Helloween que estava ali. Misturando músicas novas como Waiting for the Thunder, com clássicos como Power, o show foi caminhando, até que chegamos no bis. Como era esperado, Andi Deris anunciou Kai Hansen, guitarrista da formação clássica da banda, e como era esperado - por mim - tocaram Dr. Stein, Future World e encerraram com I Want Out, um encerramento digno do poder do show.

#ZÉPULTURA


A viagem já tinha valido até aqui, mas o melhor ainda estava por vir, em duas parcelas, melhor, três. A primeira parcela foi o show do ZéPultura (fazendo justiça a Thayro, que gritou o nome antes de todo mundo, e estaria agora com muito dinheiro se tivesse patenteado antes do Andreas Kisser gritar isso no microfone). Sepultura no palco, destruição total, só músicas que não vinham sendo executadas a certo tempo. Particularmente, gostei mais dessa apresentação do Sepultura do que do show da quinta-feira, o som estava muito melhor. Após 5 músicas porradas, Andreas Kisser anuncia o momento mais esperado por todos. O profeta em pessoa, Zé Ramalho, sobe no palco e começa um dos melhores shows que pude presenciar. Dança das Borboletas, seguida de Jardim das Acácias, preencheram o show, com todo o peso do instrumental do Sepultura. Mote das Amplidões, faixa bem surrealista e que não conhecia, foi um dos destaques do show, muito boa a execução. Ainda fizeram parte do show Em Busca do Ouro, do projeto solo de Andreas Kisser - o qual agradeceu humildemente aos membros da banda, por aceitarem tocar aquilo em um show do Sepultura - e um instrumental usando a base de Avôhai, deram continuidade ao show. Após agradecimentos, o encerramento não podia ser diferente, Admirável Gado Novo. Nunca imaginei que pularia cantando o refrão dessa música alguma vez na minha vida. Esse foi O SHOW do festival. Foi o show que fez valer o ingresso, a viagem e o cansaço. Mas, como disse, ainda faltam duas parcelas.

#SLAYER


Nem bem acabou o Zé e os acordes de World Painted Blood começaram a soar. Corri para o palco e mundo e vi de longe o Tom Araya gritando, lembro que ainda gritei para meu irmão: "Não é o DVD, são os caras mesmo!!!". Slayer, meu amigo. Outro show que não imaginava assistir. Parei em frente ao palco, a certa distância e curti War Ensemble, Mandatory Suicide e Seasons in the Abyss. Muito bem executadas e com muito mais energia do que já tinha escutado antes. Para o bis, o Slayer preparou algo especial. O pano de fundo foi trocado e o nome "Hanemann" apareceu nos telões. Homenagem mais que merecida, e como era esperado o Slayer encerrou com South of Heaven, Raining Blood e Angel of Death, com direito ao agudo e tudo. Excelente show, lembrei agora de todas as vezes que ouvi a frase: "Vale a pena ver o Slayer", e hoje eu digo: "Vale, e muito".

#IRON MAIDEN


A banda que vinha agora dispensa comentários. Já mencionei em diversas postagens aqui no Rock'N'Prosa o quanto esse show do Iron Maiden seria especial para mim. Não era só a minha banda favorita, mas sim a minha banda favorita refazendo a turnê do meu álbum favorito. Sem atrasos, aos 5 minutos da meia-noite do dia 23 de setembro, Doctor Doctor, do UFO começa a soar, seguida da introdução de Moonchild. Blocos de gelo no palco e promessas de muitas explosões quando o Maiden executou logo em seguida Can I Play With Madness. O set-list foi basicamente o executado em 88, mas o espaço foi aberto duas vezes com Fear of the Dark, e - uma música que tem tudo a ver com o que o mundo está passando hoje - Afraid to Shoot Strangers, ambas do Fear of the Dark (1992). Músicas que não eram executadas há muito tempo voltaram, como The Prisoner e Seventh Son of a Seventh Son, e tive a honra de ver não só um, mas três Eddies dessa vez, todos remontando ao Seventh Son of a Seventh Son (1988), álbum principal dessa turnê. Depois de um desfile de clássicos e cordas vocais danificadas, eis que chega a hora de tocar Running Free e se despedir do show. Se o Zé e o Slayer tinham feito tudo valer a pena, o Maiden sacramentou tudo. O melhor show que tive o prazer de assistir na vida, posso afirmar isso com certeza. Ficam aqui os desejos para que os boatos sobre um possível DVD sejam confirmados, porque esse registro merece ser guardado nas estantes de todos os amantes de música e de rock'n'roll.

Bem, é chegado a hora de voltar para casa. Malas arrumadas, ingressos e LP's devidamente embalados, o avião levantou voo. O que ficou de impressão do Rock in Rio foi que a organização foi perfeita. Vários pontos do local possibilitavam assistir aos shows, deixando o público bem espalhado e acomodado por toda a área. A estrutura de som estava boa, as bandas mais pesadas não foram prejudicadas. E se o show não estava bom para você, sempre tinha a possibilidade de fazer algo divertido naquele tempo, com as outras inúmeras atrações do festival.

Espero que tenham gostado desses relatos e até a próxima.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Rock'N'Prosa no Rock In Rio pt. I



Antes tarde do que nunca, o Rock'N'Prosa viajou até o Rio de Janeiro/RJ, para a Cidade do Rock, onde acompanhou e curtiu os dias dedicado ao rock pesado do festival Rock In Rio. Um pouco do que foi essa cruzada vocês conferem agora. Para não ficar muito extenso, vou dividir os relatos em duas partes, uma dedicada a cada dia do festival.

Natal/RN, 4:00, 19/09/2013. Depois de um cansativo dia e uma cansativa viagem, eis que a equipe Rock'N'Prosa se prepara para rumar ao Rio de Janeiro/RJ. Voo tranquilo até Salvador/BA, junto com a equipe juvenil do Bahia, e logo em seguida aportamos no Rio. Preto era a cor predominante no Aeroporto Galeão e na cidade como um todo. Para cada 10 pessoas vistas, 7 estavam com camisa do Metallica, sinal do som que seria ecoado pela cidade naquele dia.

Depois de uma visita a sebos e da aquisição de diversos títulos em vinyl, colocamos os ingressos nos bolsos, camisas do Godhound no peito, e rumamos ao rock'n'roll. Por causa da distância entre Copacabana e a Cidade do Rock e do trânsito do Rio, perdemos o Dr. Sin e o Almah, chegando a tempo de ver o começo do show do Sebastian Bach no Palco Sunset.

Assim que cruzamos as catracas, somos recebidos pela imensa estrutura do festival. Muita organização, muita gente andando, e um palco que pode ser visto de muito longe (Palco Mundo). Diversas praças de alimentação, atrações dos patrocinadores, distribuição de brindes, e a Rock Street. Ah, a Rock Street. É algo para cinema. Uma réplica de uma rua irlandesa, com diversas lojas e restaurantes. No meio da rua, artistas fazendo apresentações, bandas tocando música celta, e um palco montado, onde tinham danças e mais música celta. Fomos agraciados com uma apresentação do Bruno Maia, fundador do Tuatha de Dannan, tocando um excelente rock celta. Pena que não pudemos curtir muito (por enquanto) porque os fogos de artifício anunciaram que o Sepultura estava subindo no palco.

#SEPULTURA



Ainda hipnotizado pela música celta, perdi o começo do show do Sepultura. Mas, depois de uma breve corrida e uma quase cerveja derramada, avistei o Palco Mundo. Não sou um conhecedor ferrenho da carreira deles, mas o show para mim pode ser resumido à Territory e Roots Bloody Roots, energia pura. A mistura dos tambores do Tambours du Bronx com o peso e saturação da guitarra do Sepultura é inquestionável.

#GHOST


Acabado o Sepultura, era hora do Rob Zombie. Confesso que nem me dei ao trabalho de me deslocar até o Palco Sunset, porque não conhecia nenhuma música dele. Mas, logo depois veio o show mais esperado da noite para mim (sim, o Metallica foi um extra): O ritual profano do Ghost. Está bem, podem falar o que for, a maioria das pessoas não entendeu o que foi o show dos suecos. A Globo com seu pensamento xiita caiu em cima, e assim também a mídia como um todo. Deixando o desabafo de lado, o show foi simplesmente perfeito. O som estava bem regulado, deu para distinguir com clareza todos os instrumentos e passagens. O repertório foi uma mistura dos dois álbuns do Ghost (B.C. é o car$%!#), com direito até ao instrumental Genesis. Os destaques do show para mim foram Year Zero e Ghuleh/Zombie Queen, ambas do novo álbum do Papa Emeritus II & Cia.

#ALICE IN CHAINS


Outra banda que não tinha escutado muito foi o Alice in Chains, apesar de serem quase clássicos. Para não dizer que não conhecia nada, ainda escutei o seu mais novo álbum, The Devil Put Dinossaurs Here (2012), muito bom por sinal. O som ao vivo é muito semelhante ao álbum, execução perfeita. Acabei por curtir somente Hollow, faixa de abertura do álbum e que foi executada no início do show. Aproveitei a deixa para circular um pouco pelo festival e curtir mais um pouco de música celta. Foi aí que me deparei com uma loja em especial da Rock Street. Loja de LP's. Acho que o nome deveria mudar de Record Store para Very Expensive Billionaire Record Store. Os LP's mais caros da história!! Mas, dentre os títulos, muita coisa boa, com destaque para o Voyage 34 (2000), do Porcupine Tree e o Black Sabbath (1970), só não vou citar os preços.

#METALLICA


Agora parem as máquinas!! Uma das maiores bandas do mundo em atividade estava prestes a subir no palco. A quinta-feira (19/09) foi um dia estranho, porque comecei o dia assistindo um DVD do Metallica, e algumas horas depois, estava em frente ao palco para vê-los ao vivo, e não mais virtualmente. O cansaço estava grande, a espera estava aumentando, e não foram 20 ou 30, mas 40 minutos de atraso, até que enfim It's a long way to the top, do AC/DC, começou a tocar, era o sinal que o show iria começar. Após a clássica introdução The Ecstasy of Gold, do Ennio Morricone, o Metallica entra em cena e começa a quebrar tudo com Hit the Lights, quase ligada com Master of Puppets. Set-list impecável com uma chuva de clássicos, com direito a explosões no palco em One e Enter Sandman, sem contar no bis com Creeping Death e Battery.

Com o fim do show era hora de pegar o busão e voltar para o hotel. Recarregar as baterias e se preparar para o segundo dia do festival, e muita coisa boa estava por vir nesse segundo dia...