sábado, 10 de maio de 2014

Um acústico sem cara de acústico


Quase todo mundo cresceu com a geração dos Acústicos MTV. Se formos para os EUA, temos os clássicos acústicos do Nirvana e do KISS. Aqui no Brasil, podemos citar o do Gilberto Gil e dos Titãs, para representar todos. Recentemente a MTV voltou a lançar a sua série "Unplugged", com o Scorpions, grande acústico.

Mas, uma geração de acústico que a MTV deixou passar foram os "acústicos pesados". Está bem, acabei de inventar esse nome. Esse estilo de fato não existe. Mas, é justamente sobre ele que vamos falar hoje aqui no Rock'N'Prosa.

Não é fácil uma banda tipicamente pesada transformar seu som em um "acústico", aqui no Brasil o Hangar fez isso muito bem (o que inclusive já foi tema de postagem aqui no blog, clique AQUI). Essa dificuldade acaba por se transformar em uma musicalidade muito grande no respectivo trabalho, dada a imensa habilidade -- e cabeça aberta -- dos músicos do nosso rock'n'roll. Isso foi o que acabou por está representado nos dois últimos trabalhos do Black Label Society: The Songs Remains not the Same (2011) e Unblackened (2013).
capa do Unblackened (2013).
Escutei várias vezes o Songs Remains not the Same (2011), com versões acústicas de músicas do Black  Label Society, como Overlord e Parade of the Dead, além de brilhantes covers, como Junior's Eyes (do Black Sabbath) e Bridge Over Troubled Water (do Simon & Garfunkel). Todas versões mágicas, mas com um tom diferente. Um pouco de solo de guitarra distorcido pode ser escutado em meio aos pianos e violões.

Essa "ousadia" foi o que impulsionou a gravação do Unblackened (2013), novo álbum ao vivo do Black Label Society. Eles decidiram levar o Songs Remains not the Same (2011) para os palcos no dia 6 de março de 2013, em Los Angeles, mas de um jeito diferente, desprendendo-se ainda mais dos violões. O que me surpreendeu logo de cara foi que eles não executaram nenhuma música do acústico de estúdio no show. Ao invés disso, incluíram versões leves de músicas pesadas do Black Label Society, como Stillborn, e músicas já leves da discografia deles, como In This River e Won't Find It Here.

Zakk Wyld, um dos melhores guitarristas em atividade no mundo.
O que gostei também foi da inclusão de músicas do Pride & Glory, projeto do Zakk Wylde "pré-Black Label". Eles abriram o show logo com Losing Your Mind -- uma das minhas favoritas desse projeto -- e ainda executaram Machine Gun Man (outro clássico), Sweet Jesus e Lovin Woman. Todas do Pride & Glory (1994), um álbum que merecia estar na nossa Galeria de Clássicos.

A sonoridade não se assemelha a nada com um acústico MTV, com aquele som seco e meio sem vida. Zakk Wylde é um gênio da música, ele conseguiu dar cara nova às músicas do Black Label Society, só que sem deixá-las mortas. A inclusão de efeitos de guitarra nas músicas deu um charme a mais ao show, não ficou um som "distorcido", mas também não ficou "limpo", se é que me fiz entender bem. Na verdade, não é correto chamar esse trabalho de "acústico", como chamei no título, vamos chamá-lo apenas de "Unblackened".

Resumindo, esse é um item único na discografia do Black Label Society. Um show para quem curte rock'n'roll e acima de tudo, para quem curte música, e não fica esperando guitarras oitavadas em todos os sons. É um item que mostra toda a capacidade musical do Sr. Zakk, e dos músicos do Black Label Society.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nós também fazemos covers pt. VII


Já faz quase um ano que não dou continuidade à coluna dos "covers" aqui no Rock'N'Prosa. Mas, antes tarde do que nunca, não?

Na verdade, já tinha até esquecido dessa série de postagens, mas ao escutar o novo álbum do Iced Earth, Plagues of Babylon (2014), voltei a me lembrar dela. Ainda estou devendo a resenha do álbum, que diga-se de passagem, é um grande álbum - superior ao Dystopia (2011), na minha opinião.

No final do álbum, o Iced Earth decidiu fazer um cover de um dos maiores hinos do country, Highwayman, do Jimmy Webb.

A música original é cantada pelo supergrupo "The Highwaymen", formado por Willie Nelson, Johhny Cash, Waylon Jennings e Kris Kristofferson. Claro que o Iced Earth manteria a ideia do "supergrupo", então, gravou a sua versão com Russel Allen (Symphony X), Michael Poulsen (Volbeat), Stu Block (Iced Earth) e Jon Schaffer (Iced Earth).

A versão ficou excelente, ficou "metal", mas com um ar "country" por trás. Confira abaixo a versão original de Highwayman:


 

E agora a versão do Iced Earth:
 
 
HIGHWAYMAN
 
Willie Nelson/Michael Poulsen
I was a highwayman
Along the coach roads I did ride
With sword and pistol by my side
Many a young maid lost her baubles to my trade
Many a soldier shed his lifeblood on my blade
The bastards hung me in the spring of twenty-five
But I am still alive

Kris Kristofferson/Russel Allen
I was a sailor
I was born upon the tide
And with the sea I did abide
I sailed a schooner round the Horn to Mexico
I went aloft and furled the mainsail in a blow
And when the yards broke off they said that I got killed
But I am living still

Waylon Jennings/Stu Block
I was a dam builder
Across the river deep and wide
Where steel and water did collide
A place called Boulder on the wild Colorado
I slipped and fell into the wet concrete below
They buried me in that great tomb that knows no sound
But I am still around
I'll always be around, and around and around and around and around...

Johnny Cash/Jon Schaffer
I'll fly a starship
Across the Universe divide
And when I reach the other side
I'll find a place to rest my spirit if I can
Perhaps I may become a highwayman again
Or I may simply be a single drop of rain
But I will remain
And I'll be back again, and again and again and again and again...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A música deve sobreviver


Nos últimos dias todos vivenciaram episódios ligados ao AC/DC, passando desde a euforia de um possível sucesso do Black Ice (2008), até recentemente o anúncio do fim da banda. O mentor e guitarrista - irmão do Angus - Malcolm Young, devido a problema com álcool, não estava mais conseguindo ter a mesma agilidade na guitarra que tinha antes, nem mesmo para fazer as bases (o que normalmente faz no AC/DC). Com a limitação de um dos criadores da banda, todo o planejamento que vinha sendo feito acabou por se dar por encerrado.

Mas, meus amigos, a música deve sobreviver. Não importa a situação em que você esteja, das dificuldades que apareçam no seu caminho...continue em frente. A luz sempre estará ali.

Com o AC/DC não é diferente, a banda já passou por várias situações que poderiam marcar o fim da banda, mas eles continuaram. Lançaram álbuns ruins, álbuns bons - e álbuns iguais, por assim dizer. Mas, eles sempre estavam ali no palco executando Highway to Hell e Let There Be Rock para os fãs. Digo novamente, a música deve sobreviver.

Devemos sobreviver para cantar mais uma vez Thunderstruck. Devemos sobreviver para pular mais uma vez no final de For Those About to Rock. Devemos sobreviver, web-leitores, para subir nesse trem do rock'n'roll e esquecer o nosso mundo, nem que seja por algumas horas.

Nessa última semana me deparei com uma notícia simples que me trouxe à tona tudo isso. Uma simples postagem no twitter oficial da banda: "O AC/DC vai continuar a fazer música". Nem mais, nem menos. Isso não quer dizer explicitamente uma turnê, mas já é um grande passo para uma banda que estava fechando suas portas. O que fica de desejo para o AC/DC é que continuem a produzir coisas boas e peguem esse "Highway to Hell" para espalhar seu som.

Sobreviveremos a tudo, basta acreditarmos em nossos ideais.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Resenha de shows: Iced Earth (Auckland, Nova Zelândia - 18/03/14)


O Rock'N'Prosa hoje vai atravessar o Oceano Pacífico e desembarcar em Auckland, maior cidade da Nova Zelândia. Viagem muito cansativa, saindo de Mossoró/RN, passando por Fortaleza/CE, Rio de Janeiro/RJ, Santiago (no Chile) e depois de 30 h de viagem, Auckland. O dia foi uma terça-feira, dia ensolarado e não muito frio nas terras Kiwis. O Iced Earth, uma das minhas bandas favoritas, estava excursionando pela Austrália, e pela primeira vez estava fazendo um show na Nova Zelândia. A banda recentemente lançou o Plagues of Babylon (2014), álbum tema da World Plagues Tour, que recentemente passou pelo Brasil também.

O show foi realizado no The Studio, casa de shows de médio porte localizada próxima à Queen Street, principal rua da cidade. Aproximadamente às 18:00, horário local, a equipe Rock'N'Prosa rumou para o local do show para bater um rápido com Jon Schaffer e Luke Appleton, guitarrista (e mentor) e baixista do Iced Earth, respectivamente. O principal assunto foi o que estávamos passando naquela hora, "jet lag". Querendo ou não, são 16 horas de diferença entre os fusos do Brasil e da Nova Zelândia. Luke disse que a principal tática é dormir sempre que possível. Só assim eles conseguem tocar em Auckland e em São Paulo, por exemplo, com a mesma energia.

A banda de power metal Stormforge, de Auckland mesmo, abriu a noite. O repertório foi inteiramente autoral, trazendo as músicas do seu EP Sea of Stone (2014). Show muito bom, a habilidade dos músicos é condizente com aquilo que o estilo exige. O som tem fortes influências do Blind Guardian. Vou esperar pelos próximos trabalhos para ver melhor o direcionamento da banda.
Iced Earth no palco. (foto: Kael Freire)
Sem muitas delongas, após o show de abertura, roadies no palco arrumando os últimos detalhes. E, depois de pouco tempo, começam a soar os primeiros acordes de Plagues of Babylon, faixa-título do mais novo trabalho do Iced Earth, nos auto-falantes. John (Dette, novo baterista do Iced Earth) entra no palco e se arruma na bateria para logo depois Jon, Luke e Troy acompanharem com muito peso. O destaque inicial do show vai para o som. A música Plagues of Babylon ganhou muito mais peso ao vivo, uma grande abertura de fato para o show. Com um pouco de instrumental, Stu logo invade o palco e começa a cantar - e que voz!!

O show segue com Democide, também do Plagues of Babylon (2014) e depois V, do Dystopia (2012). Todas soaram muito bem ao vivo, e naquele ponto, o público já estava curtindo muito o show. Impressionante a energia que eles conseguem transmitir, não tinha sentido isso assistindo aos vídeos dos shows anteriores, disponíveis no YouTube. Depois vieram logo duas pedreiras, If I Could See You - uma das minhas favoritas do novo álbum -, música que o Stu "agradeceu" ao Jon por ter escrito e um clássico do meu primeiro álbum do Iced Earth - o Dark Saga (1996) - The Hunter. Simplesmente incríveis as músicas, peso e melodias perfeitas. A clássica Burning Times, seguida de Red Baron/Blue Max deram continuidade ao show, mas o melhor vinha logo depois.
Jon Schaffer, Stu Block e John Dette. (foto: Kael Freire)
Uma pequena pausa. Fazem muitos anos que acompanho os set-lists dos shows do Iced Earth, uma das minhas bandas favoritas, mas que nunca tínha tido a oportunidade de ver ao vivo. Nessas últimas turnês, a banda tocou de tudo menos essa música que viria. O último registro de Blessed Are You que eu tinha era no Alive in Athens (1999), e mesmo assim, a versão era normal em meio às outras músicas. Mas, não naquela noite. A música ganhou uma atmosfera diferente, um peso a mais. Um ar de nostalgia tomou conta de mim, me lembrando das tardes em casa escutando o Something Wicked This Way Comes (1998) no último volume. Foi a melhor do show. Confesso. Por todos esses elementos. Queria poder transmitir tudo isso aqui nas palavras, mas não é possível.

Após esse momento épico, o show continuou com Vengeance Is Mine e a nova - e também candidata a próximo clássico - Cthulu, do Plagues of Babylon (2014). My Own Savior, que não ganhou a mesma energia que tinha na voz de Matt Barlow, foi a próxima, seguida de - para fazer inveja ao pessoal que foi no show do Brasil - The End?, faixa que encerra a primeira parte conceitual do novo álbum. Para encerrar a primeira parte do show, a minha música favorita do Iced Earth de todos os tempos - confirmada no set por Luke antes do show, em nossa conversa - A Question of Heaven. Ela foi tudo aquilo que eu achei que seria e mais um pouco. Merecidamente risquei ela da "lista de músicas para se ver ao vivo antes de morrer".
Luke Appleton (baixo) e Troy Seele (guitarra). (foto: Kael Freire)
Encerrada a primeira parte do show, a banda deixa o palco e volta para o bis logo executando Dystopia - é, não tivemos The Coming Curse também, para quem estava acompanhando. Watching Over Me, um dos maiores clássicos do Iced Earth, foi executada brilhantemente e o show foi encerrado, como de costume, com o famoso "Iced Motherfuckiiin' Eaaaaarth".

O show veio confirmar o Iced Earth como um dos maiores nomes do heavy metal na atualidade. A forma dos caras está melhor do que nunca. O que fica de torcida é que continuem o trabalho e mantenham a bandeira tremulando.

  
#Set-list do STORMFORGE
 
1.Intro
2.Imolation to Infinity
3.As the Nightsky Burns
4.Death Sings in the Night
5.Sea of Stone


#Set-list do ICED EARTH

1.Plagues of Babylon
2.Democide
3.V
4.If I Could See You Now
5.The Hunter
6.Burning Times
7.Red Baron/Blue Max
8.Blessed Are You
9.Vengeance Is Mine
10.Cthulu
11.My Own Savior
12.The End?
13.A Question Of Heaven
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14.Dystopia
15.Wathing Over Me
16.Iced Earth
(Gettysburg: High Water Mark)

terça-feira, 11 de março de 2014

Uma assinatura para o seu som pt. I


Todos os dias vemos na televisão e jornais propagandas de produtos produzidos em série. Promoções, versões, tudo vem aos montes. É um carro novo da Chevrolet, um sorvete novo da Kibon...por aí vai. No mundo da música não é diferente, os instrumentos também são produzidos em série, e quando edições limitadas são lançadas, é claro que o preço aumenta.

Mas, vamos à situação. Você já imaginou que a Ford, por exemplo, montasse um carro com suas especificações (tamanho do banco, volante, etc.) e ainda colocasse o seu nome nele? Bem, deixando os carros de lado, os músicos com maior expressão no mundo são "patrocinados" pelas grandes marcas e acabam por ganhar modelos "signatures". O que é exatamente isso? É exatamente o "carro da Ford", só que aplicado a um instrumento musical. As marcas mudam tamanho do braço, captadores, madeira, pintura da guitarra, etc. Tudo para se adequar ao máximo ao gosto do respectivo guitarrista.

Portanto, hoje, web-leitores, vou fazer uma lista rápida dos modelos "signature" (ou "assinados", como queiram chamar) que mais gosto no mundo do rock'n'roll. Não vou me prolongar muito para não deixar a postagem muito extensa.

Para começar, um modelo Stratocaster da Fender feito sob medida para o mestre do "feeling". O modelo foi oficialmente lançado em 1988 e possui corpo confeccionado em alnus e escala em bordo. Os captadores também foram escolhidos a dedo por Eric Clapton, para manter o seu som "vintage".


Fender Stratocaster Eric Clapton.
Eric Clapton com sua série de amplificadores assinados e guitarra.
Já que comecei com um "bluesman", outra guitarra fantástica é a assinada pelo grande Joe Bonamassa. O modelo produzido pela Gibson é confeccionado em mogno e bordo, resultando em um som "encorpado". A guitarra utiliza um captador Seymour-Duncan também assinado pelo Joe Bonamassa, o que faz dessa guitarra uma peça única no mundo.
Gibson Les Paul Joe Bonamassa series.
Joe Bonamassa, um dos maiores nomes da atualidade do blues rock.
Caminhando agora para o lado mais pesado.Um dos guitarristas mais versáteis da atualidade para mim é o Zakk Wylde. Primeiramente tocando com o Ozzy Osbourne e posteriormente no Pride & Glory e Black Label Society. Não sei se influenciado pelo Randy Rhoads, mas as guitarras com assinatura do Zakk, produzidas pela Gibson, além de trazerem - os tão sonhados - captadores EMG Zakk Wylde, possuem uma pintura bem características em preto e branco. O que acho interessante é que os modelos assinados por ele não vêm com pintura por trás do braço da guitarra (como normalmente as guitarras vêm), isso segundo o próprio Zakk, é porque ele gosta de sentir a madeira do braço, enquanto toca. Como diz o velho ditado: "Tem gosto para tudo.".
Gibson Les Paul Zakk Wylde signature.
Zakk Wylde, durante um show do Black Label Society.
Um modelo bem particular de guitarra é a Sky 7-String, produzida pela Dean Guitars, sob a batuta do Uli Jon Roth, ex-guitarrista do Scorpions. A guitarra de 7 cordas (e diga-se de passagem, Uli foi um dos primeiros guitarristas a usar 7 cordas na guitarra) é produzida em mogno, com o topo de bordo. O formato é bem excêntrico, diferente de todas as outras guitarras que já tinha visto. O modelo ainda inclui uma fonte embutida e ponte móvel (para o mestre do solo não exitar em usar a alavanca).

A fantástica Uli Jon Roth Sky 7-String.
Uli Jon Roth.
Decidi dividir essa postagem em diferentes partes, para não deixar muito longa. Como vocês podem ver, o mundo das guitarras assinadas é bastante extenso. É claro que ficou muita gente de fora, então, enquanto nos preparamos para a segunda parte da postagem, podem se sentir à vontade de sugerir seus modelos favoritos de guitarra assinada.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma dupla da pesada


Não, isso aqui não é a Sessão da Tarde. Se bem que poderia ser, não? Então vamos começar a postagem no melhor estilo Sessão da Tarde: "Essa galerinha do barulho vai se meter em altas confusões de tirar o fôlego e vão contar ainda com uma ajuda boa pra cachorro (filme de Sessão da Tarde sem cachorro, não é Sessão da Tarde)".

Não é de hoje que a música clássica consegue ser perfeitamente misturada com o rock pesado. A prova disso foram os shows do Scorpions e Metallica com orquestras, e as próprias bandas de rock "sinfônico". Podemos dividir essas bandas em duas categorias - que por acaso, não sei nomear: "Bandas de fato sinfônicas", que incluem música clássica nas suas composições, como por exemplo, o Nighwish, Therion, Epica, Dimmu Borgir, etc; e "Bandas de música clássica", que executam suas músicas com instrumentos clássicos (violinos, violoncelos, etc.) ligados a pedais de efeito, como por exemplo, o Apocalyptica.

Um desses grupos, da segunda categoria, que executa rock com instrumentos clássicos é o 2Cellos. A banda formada pelo esloveno Luka Sulic e pelo croata Stjepan Hauser, foi descoberta por acaso na internet - e foi como eu tive o primeiro contato com eles também - a partir de uma versão de Smooth Criminal, do Michael Jackson. Eles executaram o clássico apenas com dois violoncelos, e basta dizer que não precisou de mais nada, versão simplesmente incrível. Acabei por me desligar um pouco do grupo, e eis que sou surpreendido com uma versão - agora mais complexa, com mais instrumentos - de Highway to Hell, do AC/DC.

2Cellos em show.

O que acho interessante é a inclusão de amplificadores tipicamente usados no rock - como são os Orange's - em conjunto com o violoncelo. Foi algo que acabou por "casar" e não tirou a característica do som do instrumento. Sobre esse último vídeo, de Highway to Hell, somos ainda surpreendidos com a participação do grande Steve Vai, inicialmente só "roubando a cena" e depois agraciando a todos com um solo juntamente com a execução do 2Cellos.

Dupla dinâmica ou da pesada, como queiram chamar, gostei muito desse projeto e fica aqui a expectativa para um possível trabalho autoral do grupo (se é que eles já não lançaram). Quem sabe tentando encaixar elementos de Mozart e Beethoven no rock'n'roll. O projeto não é original porque já existiram outras bandas no estilo, mas o talento dos dois músicos é indiscutível, e isso, associado ao processo criativo, pode gerar muita coisa boa.

Para concluir, fica aqui a dica para os web-leitores do Rock'N'Prosa, e espero voltar a falar neles em breve. Fique com o clipe gravado para esse grande clássico do AC/DC:

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pure Rock: As piores chamadas de música do metal



Sabe aquele seu disco do Iron Maiden ao vivo que você coloca na vitrola e sabe que vem um "Scream for me" bem forte seguido do nome da música? A chamada de uma música é tão importante quanto a própria música em si, porque ela é que dá a base da "instiga" para a estourada daquele clássico. Mas, se sempre fosse assim era tudo bom demais. Então, sem mais enrolação na chamada desse "Pure Rock", vamos repassar as piores chamadas de música da história do metal, até então, porque cada dia aparecem novas.

#1 - Blind Guardian - Journey Through the Dark (Somewhere Far Beyond, 1992)

Começando pela mola mestra de todas as chamadas de música. No seu excelente álbum ao vivo, Tokyo Tales (1995), Hansi Kursch (vocalista do Blind Guardian) conseguiu surpreender a todos - logo no início do show - com uma das piores chamadas que já escutei para uma música. A vítima? Logo uma das minhas favoritas, Journey Through the Dark.

Em tradução-livre:
"...Esta é a melhor turnê que já fizemos até agora, é inacreditável como vocês estão sendo legais com a gente e gostaríamos de agradecer por isso, muito obrigado" - até aí tudo bem, agora se preparem - "Enfim, nós viemos para cá no último domingo de avião, e viajamos à noite, então foi uma jornada pelo escuro. O que é também o nome da próxima música: 'Journey Through the Dark'"
 


#2 - Stratovarius - Father Time (Episode, 1996)
Kotipelto conseguiu se superar no quesito criatividade na chamada de Father Time no Visions of Europe (1998), ao vivo clássico do Stratovarius ainda com a sua formação original. O show é impecável, a qualidade da banda é indiscutível e as músicas estão soando melhor do que nunca. Mas, tinha que aparecer o mestre da voz aguda para introduzir um dos maiores clássicos do Stratovarius, Father Time, da melhor forma possível - como os clássicos merecem, não?

Em tradução-livre:
"...Essa próxima música fala sobre 'pai' e sobre 'tempo', então se chama 'Father Time'"
 

#3 - My Dying Bride - Your River (Turn Loose the Swans, 1993)
Essa agora vai dedicada ao grande Dalmo, que foi quem me apresentou essa pérola. O vocalista Aaron Stainthorpe não fez nada demais na chamada da música, se você ler o que foi dito, mas ele deu uma desafinada "brutal" ao dizer o nome da banda, e só por causa disso já merece entrar nas piores chamadas. Imagina o Bruce Dickinson desafinando quando fosse dizer "We're Iron Maiden", simplesmente não cabe na minha cabeça.

Em tradução-livre:
"Boa noite Eidhoven, nós somos da Inglaterra, nós somos o My Dying 'Braaaaaide'"



#4 - Iron Maiden - The Evil That Men Do (Seventh Son of a Seventh Son, 1988)

Falando em Bruce Dickinson, ele não escapou. Vamos vir com Iron Maiden em dose dupla. No Rock In Rio de 2001, Bruce Dickinson - voltando ao Iron Maiden - conseguiu superar todas as chamadas de todas as turnês do Iron Maiden. Ele tentou inovar e anunciar as músicas de um jeito bem diferente do que cada um fez. Apesar de ser o melhor show da história do Iron Maiden, o Rock In Rio (2002) possui uma das piores chamadas de música de toda a história do metal. A chamada de The Evil That Men Do não é necessariamente ruim, mas só pelo fato do Bruce ter citado Shakespeare antes dela, faremos menção. Imagine o Lemmy citando Sócrates antes de Ace of Spades, não rola, Bruce, desculpe-me, por mais que a música seja influenciada pelo cara.

Em tradução-livre:
"A bondade dos homens está enterrada com seus ossos, mas a maldade dos homens continua vivendo..."


#5 - Iron Maiden - Fear of the Dark (Fear of the Dark, 1992)

O Bruce estava realmente inspirado no Rock In Rio, logo após The Evil That Men Do ele não perdeu tempo e mandou logo outra pérola, justamente em Fear of the Dark. O grito "Fear..of..the..Daaark" que ele usava em 92 foi substituído pela pior chamada de música do Iron Maiden, resultado esse que hoje em dia a banda simplesmente começa a tocar logo a música e não espera por outra deixa dessa do Bruce. Confesso que até hoje não consegui entender o sentido dessa frase, veja por por si só.

Em tradução-livre:
"Uma luz na escuridão ou apenas medo do escuro" (se alguém tiver uma tradução alternativa para isso, segue a frase original: "A light in the black, or just Fear of the Dark", postem nos comentários)


#Menção honrosa
Não poderia deixar passar em branco o autointitulado "porta-voz do Metal brasileiro". Como não dava para resumir tudo em uma única música, fica aqui a menção honrosa para todas as chamadas de música do Thiago Bianchi.