terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Dica, Resenha...Escute esse negócio!


Faz muito, muuuuito tempo mesmo que estou devendo esse resenha aqui no blog. Dívida mesmo, sei que não ganhei (nem ganho) nada com o blog, nem cobro por isso. Nunca ganhei um CD de presente para ser resenhado, etc, mas, faço tudo porque gosto mesmo, nunca vou exigir isso de ninguém. 

Ainda era 2011, quando subindo no palco pela primeira vez com o Godhound, enquanto estava nervoso pensando no show, uma banda chamada Dead Pixel estava tocando um grunge no palco do Dosol, em Natal/RN, terminando o show, as figuras descem do palco e dizem: "Botem para descer lá, galera!".

Naquele dia, a banda formada por Rafaum Costa e Thassio Martins -- não lembro se Andola estava na bateria na época -- estava fazendo um show pela primeira vez com o nome de Mad Grinder, fato que eles enalteceram lá no show. Continuei esbarrando com o Mad Grinder nos rock'n'roll's dos domingos em Mossoró/RN, no Carcará, ou nos sábados no Centro Cultural DoSol Mossoró -- o contato com o som da banda foi só aumentando.
Mad Grinder (da esquerda para a direita): Andola Costa, Rafaum Costa e Thassio Martins.
Não sou um grande fã de grunge, nunca fui muito do lado "Nirvana" (fui para o lado "Iron Maiden" na época), mas aprendi a respeitar e melhor, curtir o som do Mad Grinder. A banda pareceu querer ensinar isso quando lançou em 2013 o EP Smoke (2013). O EP traz uma sonoridade "crua", comparado com o que vinha depois -- mas, esqueci de adicionar o "instigante" à descrição --, como a clássica (dêem-me licença para considerar essa música assim, porque realmente o é) Black Sunday. O agudo do refrão é algo que levanta o cabelo do braço, e ao vivo, é melhor ainda do que no CD. Ela é uma música que sempre gosto de escutar, e aponto -- já no primeiro trabalho -- como um dos pontos mais altos da carreira do Mad Grinder. Outro destaque é a sempre presente nos shows, Billy, foi um encerramento para o EP à altura. De todos os trabalhos deles até agora, esse EP foi o que mais escutei, e tenho orgulho de ter minha versão autografada por Rafaum, é algo que guardo na coleção.
capa do Hitting Around (2013), arte de Sabrina Bezerra.
Ainda em 2013, agora mais perto do fim do ano, o Mad Grinder lança outro álbum, agora um álbum de inéditas. Na verdade, o Smoke (2013) foi gravado em 2012, mas só lançado em 2013, as músicas eram mais que conhecidas de todos, que iam aos shows desde 2011. Entretanto, com Hitting Around (2013), o Mad Grinder nos apresentou uma sonoridade diferente, um som amadurecido pelos shows em 2012/2013. A emblemática I'm Fine, outra de minhas favoritas, abre esse novo álbum, continuando com Hitting Around, outra sempre presente nos shows. O riff de Hitting Around fica grudado na sua cabeça e o refrão, onde Thassio e Rafaum cantam juntos, ficou muito bom. Um dos pontos que mais gosto do Mad Grinder, e tento trazer isso para meus projetos também, é a alternância nos vocais. Thassio possui um vocal mais "Kurt Cobain" e Rafaum tem uma voz mais limpa, mas, que fica rasgada quando preciso. O entrosamento do power trio é indiscutível, o show é bastante centrado, sem lacunas. Continuando no álbum, a sombria Mr. Doom encerra de maneira pesada (está pensando que grunge não tem peso? Estou dizendo isso para mim mesmo). Gostei muito do riff dessa música, com um pouco de notas dissonantes aliadas a um vocal rasgado e agudo. O ponto principal de Hitting Around (2013), para mim, é a complexidade da parte instrumental. O que o antecessor tinha de "cru" -- no sentindo de ser direto ao ponto, gerando músicas fáceis de ouvir -- esse novo tem de complexo. As músicas ganharam meio que um ar "prog", por assim dizer, o que -- na minha opinião -- enriqueceu e muito o som do Mad Grinder.
capa do Cold Tombstone (2014).
Essa riqueza no som foi trazida para o Cold Tombstone (2014), EP lançado em 2014 e trabalho mais recente do Mad Grinder. Devido aos caminhos da vida, acabei perdendo um pouco do contato com toda a cena do rock, isso também é resultado do fechamento do DoSol Mossoró. Depois de todo o ano, acabei tendo contato novamente com eles no Festival DoSol 2014, onde adquiri a minha versão do EP. Logo de cara, percebi um tratamento totalmente diferente da produção, com a introdução de novos efeitos nas músicas, resultado da experiência que eles foram adquirindo -- fizeram até turnê nacional e pela América do Sul nesse período. Tudo isso que falei está retratado em Old Tales, meio que mistura o Mad Grinder "cru" do Smoke (2013), com o moderno "prog" do Hitting Around (2013), foi muito bom o resultado. O EP ainda traz a nova "Black Sunday", a já -- para mim -- clássica, Jr. A primeira vez que escutei ela foi no show do Festival DoSol, e lembro que assim que entrei no carro, saí procurando ela no CD, para escutar novamente (na época não sabia o nome da música). A música traz uma introdução poderosa, com um riff marcante, com toda aquela atmosfera grunge (novamente digo, não tenho autoridade no assunto, pode ser que esteja comentendo algum deslize). O vocal de Thassio abre a música, começando grave e depois indo para o agudo, enquanto mantém a mesma base -- sou muito fã dessa técnica -- chegando, logo em seguida, no também marcante, refrão. Ela não tem o agudo de Black Sunday, mas o é refrão forte. Novamente digo, é um forte candidato a clássico. O EP ainda traz a quase-acústica Killing my Ghosts, que inclui uns efeitos um pouco distorcidos, gostei do trabalho que foi feito com a bateria, deixando o som bem de fundo, meio que abafado (com volume reduzido). Encerrando esse trabalho, temos a sombria Something More, dizendo que -- com perdão para o trocadilho -- vem mais por aí.

A banda está ainda na ativa e novos trabalhos virão, com certeza. A expectativa é que próximo ano eles lancem um álbum, já que tivemos um EP esse ano -- Rafaum tinha me dito há certo tempo que tentariam manter esse ritmo. Vamos torcer para que continue. O que gosto de ver diversos trabalhos assim é ver o amadurecimento da banda entre um trabalho e outro, isso é o que gera a expectativa por um próximo álbum.

Então, web-leitor, você que chegou até aqui nessa dica misturada com resenha de toda a discografia do Mad Grinder, só me resta dizer: Para de ler e...Escute esse negócio!!


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Resenha de shows: Noturnall (Mossoró/RN - 23/11/14)


Fiquei pensando alguns minutos em uma maneira legal de começar essa resenha, mas não veio nenhuma ideia. Gostaria apenas de dizer: Obrigado. Obrigado por difundirem o metal pelo Brasil -- a todo mundo, não só à banda -- e manter viva a cena. Bandas locais, bandas nacionais, bandas gringas, quem quer que vá a qualquer lugar fazer um show, que faça da melhor maneira possível e com amor. Não importa o dia, a quantidade de público presente, a energia do ambiente deve ser a força motriz, assim a música sobrevive e supera as dificuldades.

Foi com esse espírito que acordei no domingo, um dia um pouco atípico para um show, e fui ainda de manhã lá para a sede do motoclube Carcarás do Asfalto, em Mossoró/RN. Como tinha me comprometido, passaria o dia inteiro à disposição da produção do show -- a Detonação Produções. A Detonação está inclusive completando 13 anos de batalha. Como dizem na Formula 1: "keep pushing!!".

Chegando ao local do show, a estrutura de som estava sendo montada. Não demorou muito para o motorhome personalizado do Noturnall aportar por lá. Depois de conversa rápida com Thiago Bianchi -- diga-se de passagem, o pessoal da banda é extremamente simples. Pessoas excelentes -- os roadies (incluo-me nessa também) começaram a montar o palco. A primeira coisa que pensei foi que apenas os "roadies" trabalhariam (o que na verdade só existia um de fato, que era o do Aquiles), mas não, a própria banda estava fixando o pano de fundo, montando o projetor (para o telão), os amplificadores, tudo.
Ônibus da turnê do Noturnall.
Depois de levar a banda para almoçar (ainda nas minhas tarefas de auxiliar de produção) e conversar muito sobre o Shaman e rumos do Noturnall, eis que é chegada a hora do show. Com um pouco de atraso, às 20:30, a Jack the Joker, de Fortaleza/CE, sobe no palco. P%¨$!# 
Jack the Joker.
O show é daquele que dá vontade de xingar mesmo. Que banda massa!! Eu confesso que fiquei com vontade de ir embora depois do show deles, porque o ingresso já tinha sido pago. Habilidade indiscutível dos músicos. Dinâmica perfeita. A banda existe há 2 anos, mas para mim é como se existisse há 10, dado o grau de entrosamento de todos. É um show para ser visto em outra oportunidade, com certeza.

Após uma hora de show, aproximadamente, eis que o telão começa a transmitir a introdução do show do Noturnall. Aquiles Priester assume seu lugar na bateria, Leo Mancini, Fernando Quesada e Juninho Carelli entram no palco e começam a executar Fake Healers, após entrada de Thiago Bianchi. Não era segredo que as músicas executadas no show seriam todas do debut Noturnall (2014), um excelente álbum, trazendo um som bem maduro e pesado. Durante todo o show o telão ficou exibindo os clipes e algumas animações com o nome do Noturnall, e foi assim que o show continuou com Zombies e a faixa de abertura do álbum, No Turn At All. Destaque para a empolgação de Fernando Quesada, o baixista tem uma presença de palco tremenda e está toda hora animando o show. Outro detalhe é o profissionalismo da banda. Fernando estava falando no almoço da falta de público, o que comentei ser fruto da banda ser nova, o que ele concordou. O show no dia anterior em Fortaleza/CE, não tinha sido dos maiores, e em Mossoró/RN, um público aquém do esperado compareceu. As pessoas não sabem o que perderam -- ou o que estavam perdendo --, infelizmente. Mesmo com um público pequeno -- para esses caras que são acostumados a tocar para grandes públicos -- eles animaram o show, interagiram, foi diferente. Tem muita banda -- teoricamente "menor" -- que fica com raiva e não faz um bom show, por causa da falta de público. Não vejo por esse lado, você tem que tocar com a mesma força e vontade seja para 1 pessoa ou para 10.000. 
Noturnall.
Além das músicas do álbum, o show ainda abriu espaços para covers. Foram executadas Inferno Veil (do último álbum -- teórico -- do Shaman, Origins (2010), ex-banda de boa parte do Noturnall), Cowboys from Hell (dispensa apresentações) e Symphony of Destruction (idem). O show abriu espaço para o Psychoctopus Solo, solo de bateria do Aquiles, que, faço minhas as palavras de Neliton Araújo (Pezão) no show: "Eu quero saber que inventou o solo de bateria? Quero dar uma surra nele! Coisa desnecessária!". Realmente, era o Aquiles, um dos melhores do mundo, mas, prefiro ver ele tocando suas próprias músicas do que "endoidando" em um solo de bateria. Digo o mesmo para solo de guitarra, pulo logo para a próxima faixa.

Dando continuidade ao show, o Noturnall executou Hate!, uma das melhores do álbum e uma das melhores do show -- a sonoridade ficou muito melhor ao vivo -- e encerrou o show com o "quase-clássico" (será clássico pela idade daqui a alguns anos) Nocturnall Human Side. Impressionante a sonoridade dela ao vivo, ganhou uma força a mais, um charme a mais, não sei explicar isso. Foi um encerramento à altura para o show, só faltou o Russel Allen para completar a música.
A bateria do Aquiles Priester, no detalhe.
Após o show, toda a banda atendeu aos fãs, ainda conversei com o Léo sobre meu novo amplificador e os seus equipamentos também, só foi uma pena não ter podido ficar mais porque trabalhava cedo no outro dia. Concluindo, o show foi muito bom, valeu a pena cada hora de trabalho e centavo pago no ingresso. Foi uma pena o público não ter prestigiado o show. A banda e, principalmente, a produção do show (dadas as dificuldades de produzir show de rock) mereciam essa parcela de confiança e reconhecimento.

O que fica de desejo é que o Noturnall continue o seu trabalho -- o Fernando inclusive me disse que eles vão gravar próximo ano já outro álbum -- e cresçam ainda mais. O nível da banda é fantástico, os músicos são excelentes, e a qualidade das músicas (pelo menos até agora) não está deixando a desejar. E para a produção, mesmo com o público pequeno, não vamos desanimar e continuar trazendo shows desse porte para Mossoró/RN, a cena local merece, e todos crescem com isso, não só a produção, mas as próprias bandas locais são afetadas positivamente por shows desse tipo.



Set-list NOTURNALL

1.FAKE HEALERS
2.ZOMBIES
3.NO TURN AT ALL
4.INFERNO VEIL (Shaman cover)
5.MASTER OF DECEPTION
6.SUGAR PILL
7.COWBOYS FROM HELL (Pantera cover)
8.ST. TRIGGER
9.PSYCHOCTOPUS SOLO
10.HATE!
11.SYMPHONY OF DESTRUCTION (Megadeth cover)
12.LAST WISH
13.NOCTURNALL HUMAN SIDE

sábado, 15 de novembro de 2014

Perdão, mas é Pink Floyd


Antes de escutar de fato o álbum Endless River (2014) e mesmo depois de ler inúmeras resenhas, formando minha opinião preconceituosa, decidi fazer essa postagem apenas com o que escutei, de propósito.

O Endless River (2014) é um registro histórico, é Pink Floyd, ponto final.

Eu discordo com todas as análises já realizadas do álbum. Antes mesmo de escutar, eu vejo o Endless River (2014) como um álbum que não pode ser resenhado em hipótese alguma. O seu propósito -- pelo menos essa foi a minha impressão -- nunca foi ser o próximo Dark Side of the Moon (1973).

A primeira e única música que escutei do álbum foi a disponibilizada antes do lançamento, como single, Louder Than Words. Recentemente, quando o álbum foi lançado, o vídeo da música também foi disponibilizado. E que vídeo! A sensibilidade na produção foi tremenda, mostrando a capa do álbum -- que diga-se de passagem, uma das mais lindas da história -- e as cenas do (que aparenta ser) o mar Aral, com o seu "cemitério de navios". A junção vídeo-música é fantástica. Não precisava nem existir um álbum, apenas essa música, para me deixar já satisfeito.
Última aparição ao vivo do Pink Floyd, no Live 8, de 2005.
O Endless River (2014) foi composto com trechos de ensaios da época do Division Bell (1994), até então, último álbum do Pink Floyd, contando com as participações de Nick Mason e Rich Wright na banda. Após a morte de Rich, todos os esforços para reunir novamente a banda acabaram enterrados junto com ele, não existia mais chance do Pink Floyd voltar. Esse pelo menos era o meu sentimento. Foi uma grande surpresa o lançamento desse álbum, confesso, mas o conceito por trás dele é o que está valendo mais para mim. As gravações que não entraram para o Division Bell (1994) foram retrabalhadas, aproveitando boa parte dos trechos originais, e transformadas em novas canções, instrumentais em quase sua totalidade. Apesar de não estar vivo, os dedos de Rich Wright estavam ali naquelas gravações, então, não tinha porque não rotular aquele álbum de "Pink Floyd". E foi o que David Gilmour, juntamente com Nick Mason, decidiu fazer. Novamente digo, não escutei o álbum, e isso aqui não é uma resenha.

O que o Endless River (2014) é para mim é mais que um álbum. Não estou olhando para as músicas nem para o seu conceito, mas para o significado do lançamento. São restos de música? Sim. A qualidade pode não estar tão boa quanto os outros? Creio que sim. Mas, como disse no título, é Pink Floyd, amigo!

O lançamento desse álbum proporciona, como o título diz, navegar em um rio sem fim. Como seria isso? Lançando o álbum, nós, como fãs, nos lembramos que existe uma entidade nesse mundo chamada Pink Floyd, que produziu tanto material interessante durante sua trajetória. Esse álbum alimenta a chama da banda nos nossos corações. Além disso, estou olhando para o lado saudosista agora. Eu só tive contato com a banda por volta de 2010, ou seja, não vivi nenhum lançamento deles. O Endless River (2014) proporcionou não só a mim, mas como a muitas outras pessoas, viverem o dia do lançamento de um álbum do Pink Floyd, seja acompanhando a pré-venda, lendo as primeiras resenhas, escutando pela primeira vez os acordes de uma música nova. Não existe emoção maior de ouvir algo novo, que ainda não estava disponível para os ouvidos comuns. Os fãs mais antigos, que viram o lançamento do Dark Side of the Moon (1973) e Wish You Were Here (1975), e tiveram esse sentimento, compartilharam ele hoje com uma legião ainda maior de fãs em todo o mundo.

Portanto, olhando para o álbum, não consigo ter um sentimento diferente desse. Vou escutar o álbum agora, posso não achar bom, posso achar um grande álbum, não tenho certeza, mas esse sentimento que descrevi não vai mudar. Para mim essa é, e sempre será, a melhor parte do Endless River (2014). É Pink Floyd. Nada mais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Aquilo que um dia acabou


Às vezes eu sento e fico pensando em parar. É um gesto simples, basta abrir a página e fechar o seu acesso. Mas, eu começo a pensar em tudo o que passei com o blog, em como ele me ajudou a passar o tempo, a externar minha opinião. São nessas horas que tiro esse pensamento "excluidor" da cabeça. O ritmo de atualizações não está bom, mas me esforço para voltar ao máximo a publicar. O Rock'N'Prosa não é minha fonte de renda, e nunca será, porque ele começou e sempre será independente. Meu tempo, atualmente, está dividido entre a produção acadêmica -- no meu emprego como professor (e pesquisador) --, produção literária (na minha nova aventura como escritor) e produção musical (com os álbuns vindouros do Godhound, Rentry e Folie a Deux). Com isso tudo o blog acabou por "pagar" um pouco do preço.

Essa enxurrada de projetos acabam por tirar um pouco da criatividade para novas publicações, e acabou que, no meio da escrita dessa postagem surgiu uma ideia para uma publicação.

Durante essa trajetória do rock'n'roll, muitas bandas começaram, tiveram seu auge e simplesmente surgiram. Uma delas voltei a escutar recentemente, depois de muito tempo.

Uma das primeiras bandas que escutei de rock foi o Nevermore. Na época, por volta do início dos anos 2000 -- estou até soando "velho" ao pensar nisso -- eles tinham tudo para ser os herdeiros do legado do rock. O bastão segurado pelos Metallica's e Iron Maiden's certamente seria do Nevermore, era a minha impressão.
Jeff Loomis, a máquina de riffs do Nevermore.
Warrel Dane e sua voz singular.
Escutei muitas vezes o Dead Heart in a Dead World (2000), faixas como Narcosynthesis imbuíram um peso grande na minha formação rock'n'roll, lugar que não tinha espaço -- para quem começa a escutar. Believe in Nothing, "baladinha" e primeira faixa que escutei deles, até hoje é uma das minhas favoritas. E, o que falar da -- mais nova, para mim -- The Heart Collector? Uma faixa completa, por assim dizer, que dá vontade de cantar alto sempre que escuto.

Seguindo mais no tempo, me vejo com o Enemies of Reality (2003), do grande Dalmo, nas minhas mãos. Aquela capa forte, com aqueles vermes saindo da boca da pessoa. Álbum com a mesma linha do antecessor, trazendo peso em Enemies of Reality e a clássica do DVD da Rock Hard, Who Decides. A balada -- marca registrada dos trabalhos do Nevermore -- Tomorrow Turned Into Yesterday também abrilhanta o trabalho.
capa do Enemies of Reality (2003).
Fechando o ciclo, para mim, infelizmente, porque foi justamente o ponto onde perdi contato com eles, vem o This Godless Endeavour (2005). Capa "dark", como é típico, e faixas pesadas, como também é típico. A rápida Born, lembrando os tempos de Narcosynthesis e a emblemática Final Product, com um dos melhores clipes que já vi até hoje.
capa do This Godless Endeavour (2005).
Olhando para a história do Nevermore, sempre achei esse álbum como uma despedida. Logo após seu lançamento veio o esperado DVD The Year of the Voyager (2008), show em casa de show pequena, muito explosivo e recheado de clássicos. Esse DVD, adquirido recentemente, foi o que motivou a minha volta ao Nevermore, desde 2005 eu não ouvia nada a respeito deles e esse produto -- produto final? -- atiçou essa vontade pelo peso de sua música novamente. Vendo hoje o que aconteceu com a banda. eles lançaram o The Obsidian Conspiracy (2010) antes de encerrar de vez as atividades da banda. O guitarrista Jeff Loomis, responsável pelos grandes riffs da banda, foi a mola mestra no processo, ao decidir deixar a banda.

Felizes de nós que acreditamos na imortalidade da música. As ondas sonoras produzidas não podem ser interrompidas, mesmo hoje sem o Nevermore, podemos parar e escutar sua obra, vivenciando esses grandes clássicos. Assim como Alcione mandou não deixarmos o samba morrer, nós, como fãs de música, não devemos deixar o metal morrer. Vida longa à música.

Para celebrar, fiquem com o clipe de Final Product, do This Godless Endeavour (2005).


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ossos pesados e resistentes


Começando logo com o trocadilho do título, mas é isso que define esse trabalho tema hoje aqui no Rock'N'Prosa. Som pesado, de quebrar qualquer fragmento de matéria, mas capaz de aguentar qualquer tensão que seja aplicada ao som. É nesse clima de destruição que comecei a audição do debut dos mossoroenses do Bones in Traction, ...In the Dock (2014).

Lançado pelo selo Rising Records, que lançou o recém-comentando álbum do Primordium, o debut do Bones in Traction vem firmar a banda no cenário de destruição do rock'n'roll mossoroense. A banda encabeçada pelo grande Vicente Andrade -- amigo e baterista com quem tive o prazer de dividir o palco no Godhound -- conseguiu socar todo o seu ódio em 6 faixas, sendo uma instrumental, e esse trabalho acaba de ser lançado. A pedreira foi produzida por Cássio Zambotto, que trabalhou também com o Monster Coyote -- outra banda mossoroense que prepara mais um álbum, aguardemos.

versão física do ...In the Dock (2014), do Bones in Traction.
A pancada é iniciada logo com o som dos protestos em God Bless, que abre espaço para Grain by Grain. Bateria se destacando em meio aos riffs pesados de guitarra extremamente saturada. Os vocais de Plinio Marcos logo marcam presença, com uma voz lembrando um Max Cavallera barítono. Gostei do refrão da música, trazendo peso -- contrastando com a velocidade da música. Destaque ainda para a ponte cantada em português, um dos pontos altos da música. A quantidade excessiva de solos Kirk Hammet tirou um pouco das magias do riffs, que são muito bons, mas, o conjunto da obra ficou com uma sonoridade boa.

Quase emendada com Grain by Grain está Hell to the King, continuando com os riffs pesados seguidos de vocais marcantes, que ficam martelando na sua cabeça. Destaco mais uma vez o trabalho realizado pela a bateria, fiquei imaginando os álbuns do Rush, enquanto escutava essa música, porque em muitos momentos -- assim como fazemos com Neil Peart -- ficamos prestando atenção à bateria ao invés do resto da música.

Seguido dos sons de protestos vem, na velocidade de um tiro (perdão para o trocadilho), a rápida Rubber Bullet. Riffs rápidos, quase no estilo Death Metal, com bateria marcando sempre no pedal duplo. A música ainda abre espaço para uma parte mais "quebrada", trazendo um ritmo mais lento, só que ainda pesado. Dos solos da música, gostei do solo executado no final, tem uma boa variação harmônica e a mudança de base realmente ficou boa. Achei que foram incluídos solos -- sem querer criticar a composição e já criticando -- em lugares onde não caberia um solo, mas, isso não é aplicado para esse em questão, ficou realmente muito bom.
Bones in Traction.
O EP é encerrado com Depression -- a minha favorita do EP, com o seu refrão apoteótico e que dá vontade de cantar junto sempre que escuto -- e Modern Man. Bases disonantes contrastando com riffs pesados. Achei, musicalmente, a música mais completa do EP, por assim dizer. Muitas variações rítmicas, tanto no instrumental quanto nos vocais. Gosto de escutar uma última música desse jeito, porque aumenta a expectativa para próximos trabalhos, mostra que a banda ainda tem capacidade criativa de continuar produzindo mais músicas pesadas de qualidade.

Então, web-leitores, para vocês que curtem um bom Groovy Metal (ou como queiram rotular o estilo), está mais que recomendado o novo trabalho do Bones in Traction. Rock'N'Prosa recomenda.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mais imortais do que nunca


Finalmente parei para assistir -- depois de escutar apenas uma vez o 13 (2013) -- o mais recente DVD do Black Sabbath, Live...Gathered in their masses (2013). A minha expectativa não era grande, dada a idade dos mestres do heavy metal, mas acabei por me surpreender.

O principal propósito do show do Black Sabbath é apenas reunir os fãs em torno de um único elemento: a música. A música do  Black Sabbath é a atração principal do show. Não é Tony Iommi, com seus riffs sensacionais; não é Ozzy com seus pulos e baldes de água; não é Geezer Butler com seu drive poderoso no baixo; e nem Tommy Clufetos, substituindo Bill Ward, e roubando a cena na bateria -- fazendo um show a parte. 
capa do DVD/Bluray Live...Gathered in their Masses (2013).
A música parece ter vida própria, ela carrega toda aquela energia gerada desde o Black Sabbath (1970). Não tem como não se arrepiar quando War Pigs começa a soar e o público a cantar, ou quando o sino anuncia Black Sabbath e o Geezer começa N.I.B. A banda destrinxa -- durante 1 hora e 40 minutos -- seus grandes clássicos dos anos 70 (da fase Ozzy), com espaço ainda para Sympton of the Universe, Faries Wear Boots, Children of the Grave e Iron Man. Novamente, músicas com vidas próprias. Basta escutar para sentir a energia. O show ainda abriu espaço para músicas novas, do recém-lançado 13 (2013), primeiro álbum de inéditas da formação clássica do Black Sabbath desde 1979, destaque para as poderosas End of the Beginning e God is Dead?, magistralmente executadas ao vivo.

Assistindo as primeiras imagens do show, esqueci na mesma hora que Bill Ward não estava ali. Tommy conseguiu assumir o seu papel na banda -- como músico convidado -- mas, executou as músicas de um jeito brilhante (e com um pegada forte) que fez todos os fãs do Sabbath pensarem a mesma coisa. Estilo de tocar simples, sem muito "enfeite" (como qualquer baterista tentaria fazer), o que resultou em pegadas marcantes e poderosas para a bateria.

A execução de Geezer e Tony está excelente, como sempre, e o vocal de Ozzy, bem, o mesmo de sempre (para você que me entende). No final do show, a introdução de Sabbath Bloody Sabbath abre espaço para Paranoid, maior clássico do Black Sabbath, por assim dizer.
Black Sabbath ao vivo (da esquerda para a direita): Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi.
Enquanto o Black Sabbath deixava o palco, imaginei o tamanho daquela relíquia que tinha ali nas minhas mãos. Esse show será algo que ficará marcado para sempre na história do rock, sem querer puxar o saco. Aquilo não é um show qualquer, é um show da maior lenda do rock'n'roll (ou heavy metal), na turnê de um álbum de inéditas -- é algo para celebrar, com certeza. Se virão mais álbuns? Dificilmente. Mais shows? A mesma coisa, pouco provável, dada a idade dos integrantes.

O que fica para mim, que não pude ir ao show deles no Brasil, é a lembrança daquele período. O período em que um dos maiores expoentes da música voltou à vida e mostrou um pedaço de sua arte (e poder) para todo o mundo, não só para os que viram ao vivo, mas para os que viveram aquele período do ano de 2013, marcado pelo lançamento do álbum e turnê.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Somos todos poetas: A agulha sem a colher


A agulha sem a colher

Penetrando profundamente na veia
Vejo ondas que explicam o inexplicável
Ouço sons que me trazem de volta à vida
Caminho por terras antes desconhecidas

O giro contínuo traz o segredo
Vejo os olhos do arco-íris
Viajo pelas estrelas
Brinco com a loucura

Essa agulha que rasga essa pele
Faz da música um ser imortal
Entre abismos e montanhas
Faz do espírito um gigante

Não tem colher nessa droga
Use sem moderação
Tenha uma overdose de música
Sem medo de morrer
Porque é isso que a alma busca