quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Papa é Pop


Se você chegou aqui pensando no Engenheiros do Hawaii, desculpe, mas ainda não chegou a hora deles. O Papa Francisco? Também não, apesar de achar ele uma pessoa fantástica e um exemplo a ser seguido. O Papa em questão é o Emeritus, e se achou que era o Bento XVI, também se enganou. 

Toda a mídia especializada já vêm a um tempo falando dos enigmáticos do Ghost (ou Ghost B.C, para os americanos, por enquanto). Confesso que escutei bastante o seu álbum de estréia, Opus Eponymous (2011), mas acabei não escrevendo nada sobre ele. O que mais me surpreendeu no Ghost foi o meu preconceito. Quando vi o cidadão vestido de Papa e com temática satanista, pensei logo em uma banda do mais pesado "brutal extreme black metal of death", mas me surpreendi com o som "Blue Oyster Cult" do álbum de estréia. Sim, todo mundo já sabe quem é o Papa Emeritus, apesar de esconderem sua identidade, mas acho mais legal continuar "sem saber".

O segundo álbum de uma banda é um marco, ainda maior do que o primeiro. Para quem esperava um Ghost mais pesado, 2 anos depois, Infestissumam (2013) calou a boca de todos. Um álbum que musicalmente é fantástico. Não, a banda não estacionou no sucesso do Opus Eponymous (2011), eles expandiram os horizontes.

Eu já escutei esse álbum umas 500 vezes só nessa semana, e até cometi a "loucura" de comprá-lo em vinyl, mesmo sem ter onde tocar (notas do futuro: espero já ter comprado minha vitrola nesse momento). A palavra que melhor define esse álbum é "surpresa". E se você esperava um "heavy metal" (como o Ghost é "erroneamente" taxado), se enganou. O título da postagem não foi em vão, o álbum está uma mistura de rock antigo com pop. Claro que temos um pouco do peso do metal, mas os vocais do Papa Emeritus estão mais "Eric Gloom" (em alusão ao Blue Oyster Cult) do que nunca.
capa do Infestissumam (2013).
Todos os curiosos passaram as últimas semanas escutando Secular Haze e Year Zero, músicas liberadas para audição. Particularmente gostei, mas o melhor estava reservado para o Infestissumam (2013). O que falar da introdução explosiva Infestissumam e de Per Aspera ad Inferi? Músicas que relembram o velho estilo do Ghost e abrem com maestria essa obra. Mas, queria dar uma atenção maior a Ghuleh/Zombie Queen. Essa é para mim a música mais surpreendente do ano, sem sombra de dúvida. Logo de cara, estranhei o Ghost produzir uma música com 7 minutos de duração, a curiosidade começou logo aí. Quando comecei a escutar, pensei estar ouvindo o Pink Floyd, da época do Piper at the Gates of Dawn (1967). O início lento logo pede uma progressão mais pesada, e quando eu achava que eles iam progredir para o mais puro heavy metal, nada disso, entra uma batida "surf music". Confesso que cheguei a aplaudir, não esperava nunca isso. Ficou simplesmente fantástico. Jigolo Har Megido e Body and Blood possuem uma levada mais pop, contrastando uma letra sombria com um instrumental "alegre".

O Ghost, como a mídia disse, passou pelo teste do segundo álbum. A banda veio para ficar. Espero que continuem surpreendendo. Comparando os dois álbuns, no novo álbum os teclados ganharam uma produção especial, eles estão ditando o ritmo das músicas. As guitarras ficaram mais sombrias e o vocal mais limpo e leve, meio que contrastando. A impressão que tive foi que eles não se acomodaram, buscaram evoluir musicalmente. Sei que vai chegar um dia do "unmask" do Ghost, igual ao KISS, mas estou na torcida para não chegue tão cedo.

Para finalizar, o Papa (e súditos) está demonstrando ser um gênio da música. Está sabendo fundir estilos e surpreender musicalmente. Enfim, só me resta dizer: Vida longa ao Ghost.


3 comentários:

  1. Respostas
    1. Só para deixar claro, o blog não estimula nenhum tipo de debate religioso. A religião é propriedade intelectual de cada indivíduo, e não deve ser violada por ninguém. Quer seja ele autoridade religiosa ou não.

      Excluir
  2. Come together for lucifer’s son...

    ResponderExcluir