domingo, 12 de setembro de 2010

Resenha de Shows: Scorpions (11/09/10 - João Pessoa/PB)

No último sábado (11/08) tive a grande honra de assistir o Scorpions em João Pessoa, justamente na sua turnê de despedida dos palcos depois de 45 anos na estrada. Vou procurar descrever um pouco do que foi a experiência do show e da viagem como um todo também.

Nossa saída, daqui de Natal/RN, estava programada para às 13:30 da tarde. A viagem foi muito divertida, regada a muito rock n’roll e claro, a Scorpions. Aproximadamente às 15:30 chegamos ao estádio Almeidão, em João Pessoa/PB, onde toda a estrutura do Sun Rock Festival foi montada.

Uma enorme fila foi formada ao redor do estádio, e somente às 17:00 os portões foram abertos (estava previsto para a abertura ocorrer às 15:00). Uma vez lá dentro pude ver toda a estrutura que o Sun Rock Festival preparou para receber todos, foi algo para cinema. Minhas únicas queixas são o tamanho da “Pista Premium”, acho que eles exageraram um pouco, e o posicionamento da “mesa de som”, meio que tapando a visão do pessoal da arquibancada. Os telões também deixaram a desejar, os do Mossoró Cidade Junina não ficaram para trás em nenhum quesito.
Foto da estrutura do festival, antes do Scorpions, o público ainda era pequeno.

Críticas à organização a parte, vamos nos focar agora no que foi mais um grande show que eu pude presenciar. Não me pergunte como, mas consegui assistir o show da “Pista Premium” e bem próximo do palco. Palco que foi muito bem estruturado. Além das inúmeras câmeras filmando o show para um possível DVD, o palco também tinha uma passarela que deixava a banda ainda mais próxima do público na “Pista Premium”.

Aproximadamente às 22:00, imagens de um festival onde o Scorpions tocou, em São Petersburgo (se não me engano) nos anos 80, começam a passar no projetor ao fundo do palco. Na mesma hora, o locutor oficial da banda anuncia o famoso: “Ladies and gentleman, children of all ages, please welcome THE SCORPIONS”. Essa foi a deixa para o baterista James Kottak aparecer no palco e iniciar Sting in the Tail, faixa título do mais novo e último álbum do Scorpions, entrando o resto da banda logo em seguida executando a música, para explosão geral dos 25.000 presentes (não sei o público oficial, isso é uma estimativa).
Scorpions, vista da Pista Premium durante Make It Real.

Após esse começo eletrizante, Klaus fala pela primeira vez com o público, dando o “boa noite” (em português mesmo) e logo em seguida, Rudolf vai pela primeira vez para a passarela que eu citei anteriormente e inicia Make It Real, faixa clássica da banda. E clássicos foi o que não faltou nesse show, é claro que faltaram músicas no set-list, mas a banda não pode fazer um show com 10 horas de duração.

Continuando com os clássicos, é a vez de Mathias ir para a frente do palco e iniciar a excelente Bad Boys Running Wild, do álbum Love at First Sting, e quase que sem pausa a banda inicia The Zoo, uma das minhas favoritas do Scorpions. Seguindo em frente, a banda executou o instrumental Coast to Coast, e em  seguida Loving You Sunday Morning. Depois dessa série arrasadora e pesada, Klaus voltou a falar com o público e anunciou a balada The Best Is Yet To Come, do álbum novo. Essa música, apesar de ser nova, foi uma das mais cantadas pelo público no show, a versão ao vivo ficou sensacional.

Minha maior expectativa era ver Wind of Change ao vivo, o que acontece é que em seus shows o Scorpions ou executa ela ou executa Send Me An Angel, outra grande música. Nesse momento, quando acabou The Best Is Yet To Come, os roadies colocaram pedestais na passarela, próximo do público (e de onde eu estava) e Rudolf e Mathias surgiram com seus violões personalizados. E para um pouco da minha desilusão, eles iniciaram Send Me An Angel, dedicada a Ronnie James Dio, fato que aplaudi e fez esquecer um pouco da desilusão de não ver Wind of Change. Mas, a execução foi muito boa, o público correspondeu cantando junto com Klaus.
Rudolf e Mathias na passarela anexa ao palco.

Com o término dessa música, a banda inteira continuou na passarela e iniciou outro grande clássico, Holiday, que também foi cantada por todo o público. Nesse momento, eu já tinha me conformado em não ver Wind of Change, foi aí que para minha total surpresa Klaus anunciou que a próxima música falava sobre o fim da Guerra Fria. Era ela, Wind of Change, me lembro que cantei com todo o fôlego que me restava. Por coincidência ou não, exatamente quando a banda executou o primeiro refrão uma fina chuva começou a cair sobre nós. Como diz o refrão da música “Leve-me na magia do momento, numa noite de glória”, foi exatamente isso que aconteceu nesse momento.

Após esse “sonho realizado”, Klaus perguntou se todos estavam preparados para agitar, e a banda inicia Tease Me Please Me e logo em seguida a rápida Dynamite, do álbum Blackout. Após essas duas “pedreiras”, por assim dizer, a banda deixa o palco, ficando somente James Kottak na bateria, dando início ao seu solo de bateria ou Kottak Attack. Já tinha visto o Kottak Attack em DVD’s e particularmente não gostava nem um pouco, mas o de ontem foi especial. O projetor no fundo do palco ficou passando vídeos de Kottak em vários ambientes diferentes, meio que percorrendo todas as capas dos álbuns do Scorpions, e a cada capa o trecho de uma música do respectivo álbum era executada por ele na bateria. O Kottak Attack percorreu do Love at First Sting até o Humanity Hour I, passando também pelo Crazy World.
James Kottak durante o Kottak Attack.
O destaque foi o final da apresentação, onde as projeções mostraram um Kottak preso a uma cadeira, enquanto um vilão prendia dois eletrodos em seus olhos e ligava uma carga elétrica. Para os fãs do Scorpions ficou claro que aquela era a capa do Blackout, e logo em seguida a banda inteira volta ao palco executando a faixa título desse álbum, destaque para Rudolf, que veio vestido representando a capa do álbum.

Com o término de Blackout é a vez de Mathias ficar no palco e executar o seu solo de guitarra, conhecido também como Six String Sting, executando logo em seguida o grande clássico Big City Nights, cantado fervorosamente por todos os presentes.

Logo em seguida, a banda deixa o palco e volta depois de uma pequena pausa para o bis. E não poderia ser melhor, assim que retornam, Klaus grita: “João Pessoa não existe ninguém igual a vocês”, foi a deixa para a banda iniciar No One Like You, excelente música do álbum Blackout. Depois, Klaus anunciou Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, como convidado e ele entra no palco na mesma hora em que a banda inicia o grande clássico Rock You Like A Hurricane, para brindar o público e encerrar esse show perfeito.
Scorpions, durante No One Like You.

Muita gente saiu um pouco desiludida porque o Scorpions não executou Still Loving You, me disseram que é a mesma coisa de ir a um show do Black Sabbath e não ter Paranoid, tudo bem, concordo, mas saí muito satisfeito do show, eles conseguiram fazer um apanhado geral de toda a sua história e incluí-la no show. Foi um show sensacional e não falei, mas fiquei surpreso com a energia deles, principalmente de Rudolf. Ele é o mais velho da banda, e é o que mais corre e pula durante todo o show.

Bem, essas foram as minhas impressões desse grande show, espero que tenham gostado dessa revisão e que venham mais shows, o Nordeste está mostrando a sua força no cenário nacional e mundial do rock n’roll.

2 comentários:

  1. Rapaz, você traduziu perfeitamente. Tirando as falhas na organização tudo foi perfeito, a chuvinha em wind of a change, o coro de the best is yet to come, tudo... o melhor de tudo é ver isso sendo executado por senhores com muito mas muito vigor, aquela máxima que diz que o rocknroll é simbolo de juventude foi escancarada ontem, não só pela banda, mas na platéia podíamos encontrar muitos jovens senhores. Issae Victor, que venha mais e que estejamos todos neles "cause the best is yet to come".

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  2. Nenhuma palavra irá traduzir a emoção que sentí nessa magnífica apresentação do quinteto alemão que serviu apenas para comprovar minhas desconfianças: James Kottak é um INSANO!

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