Mostrando postagens com marcador Resenha de Shows. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenha de Shows. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Resenha de shows: Noturnall (Mossoró/RN - 23/11/14)


Fiquei pensando alguns minutos em uma maneira legal de começar essa resenha, mas não veio nenhuma ideia. Gostaria apenas de dizer: Obrigado. Obrigado por difundirem o metal pelo Brasil -- a todo mundo, não só à banda -- e manter viva a cena. Bandas locais, bandas nacionais, bandas gringas, quem quer que vá a qualquer lugar fazer um show, que faça da melhor maneira possível e com amor. Não importa o dia, a quantidade de público presente, a energia do ambiente deve ser a força motriz, assim a música sobrevive e supera as dificuldades.

Foi com esse espírito que acordei no domingo, um dia um pouco atípico para um show, e fui ainda de manhã lá para a sede do motoclube Carcarás do Asfalto, em Mossoró/RN. Como tinha me comprometido, passaria o dia inteiro à disposição da produção do show -- a Detonação Produções. A Detonação está inclusive completando 13 anos de batalha. Como dizem na Formula 1: "keep pushing!!".

Chegando ao local do show, a estrutura de som estava sendo montada. Não demorou muito para o motorhome personalizado do Noturnall aportar por lá. Depois de conversa rápida com Thiago Bianchi -- diga-se de passagem, o pessoal da banda é extremamente simples. Pessoas excelentes -- os roadies (incluo-me nessa também) começaram a montar o palco. A primeira coisa que pensei foi que apenas os "roadies" trabalhariam (o que na verdade só existia um de fato, que era o do Aquiles), mas não, a própria banda estava fixando o pano de fundo, montando o projetor (para o telão), os amplificadores, tudo.
Ônibus da turnê do Noturnall.
Depois de levar a banda para almoçar (ainda nas minhas tarefas de auxiliar de produção) e conversar muito sobre o Shaman e rumos do Noturnall, eis que é chegada a hora do show. Com um pouco de atraso, às 20:30, a Jack the Joker, de Fortaleza/CE, sobe no palco. P%¨$!# 
Jack the Joker.
O show é daquele que dá vontade de xingar mesmo. Que banda massa!! Eu confesso que fiquei com vontade de ir embora depois do show deles, porque o ingresso já tinha sido pago. Habilidade indiscutível dos músicos. Dinâmica perfeita. A banda existe há 2 anos, mas para mim é como se existisse há 10, dado o grau de entrosamento de todos. É um show para ser visto em outra oportunidade, com certeza.

Após uma hora de show, aproximadamente, eis que o telão começa a transmitir a introdução do show do Noturnall. Aquiles Priester assume seu lugar na bateria, Leo Mancini, Fernando Quesada e Juninho Carelli entram no palco e começam a executar Fake Healers, após entrada de Thiago Bianchi. Não era segredo que as músicas executadas no show seriam todas do debut Noturnall (2014), um excelente álbum, trazendo um som bem maduro e pesado. Durante todo o show o telão ficou exibindo os clipes e algumas animações com o nome do Noturnall, e foi assim que o show continuou com Zombies e a faixa de abertura do álbum, No Turn At All. Destaque para a empolgação de Fernando Quesada, o baixista tem uma presença de palco tremenda e está toda hora animando o show. Outro detalhe é o profissionalismo da banda. Fernando estava falando no almoço da falta de público, o que comentei ser fruto da banda ser nova, o que ele concordou. O show no dia anterior em Fortaleza/CE, não tinha sido dos maiores, e em Mossoró/RN, um público aquém do esperado compareceu. As pessoas não sabem o que perderam -- ou o que estavam perdendo --, infelizmente. Mesmo com um público pequeno -- para esses caras que são acostumados a tocar para grandes públicos -- eles animaram o show, interagiram, foi diferente. Tem muita banda -- teoricamente "menor" -- que fica com raiva e não faz um bom show, por causa da falta de público. Não vejo por esse lado, você tem que tocar com a mesma força e vontade seja para 1 pessoa ou para 10.000. 
Noturnall.
Além das músicas do álbum, o show ainda abriu espaços para covers. Foram executadas Inferno Veil (do último álbum -- teórico -- do Shaman, Origins (2010), ex-banda de boa parte do Noturnall), Cowboys from Hell (dispensa apresentações) e Symphony of Destruction (idem). O show abriu espaço para o Psychoctopus Solo, solo de bateria do Aquiles, que, faço minhas as palavras de Neliton Araújo (Pezão) no show: "Eu quero saber que inventou o solo de bateria? Quero dar uma surra nele! Coisa desnecessária!". Realmente, era o Aquiles, um dos melhores do mundo, mas, prefiro ver ele tocando suas próprias músicas do que "endoidando" em um solo de bateria. Digo o mesmo para solo de guitarra, pulo logo para a próxima faixa.

Dando continuidade ao show, o Noturnall executou Hate!, uma das melhores do álbum e uma das melhores do show -- a sonoridade ficou muito melhor ao vivo -- e encerrou o show com o "quase-clássico" (será clássico pela idade daqui a alguns anos) Nocturnall Human Side. Impressionante a sonoridade dela ao vivo, ganhou uma força a mais, um charme a mais, não sei explicar isso. Foi um encerramento à altura para o show, só faltou o Russel Allen para completar a música.
A bateria do Aquiles Priester, no detalhe.
Após o show, toda a banda atendeu aos fãs, ainda conversei com o Léo sobre meu novo amplificador e os seus equipamentos também, só foi uma pena não ter podido ficar mais porque trabalhava cedo no outro dia. Concluindo, o show foi muito bom, valeu a pena cada hora de trabalho e centavo pago no ingresso. Foi uma pena o público não ter prestigiado o show. A banda e, principalmente, a produção do show (dadas as dificuldades de produzir show de rock) mereciam essa parcela de confiança e reconhecimento.

O que fica de desejo é que o Noturnall continue o seu trabalho -- o Fernando inclusive me disse que eles vão gravar próximo ano já outro álbum -- e cresçam ainda mais. O nível da banda é fantástico, os músicos são excelentes, e a qualidade das músicas (pelo menos até agora) não está deixando a desejar. E para a produção, mesmo com o público pequeno, não vamos desanimar e continuar trazendo shows desse porte para Mossoró/RN, a cena local merece, e todos crescem com isso, não só a produção, mas as próprias bandas locais são afetadas positivamente por shows desse tipo.



Set-list NOTURNALL

1.FAKE HEALERS
2.ZOMBIES
3.NO TURN AT ALL
4.INFERNO VEIL (Shaman cover)
5.MASTER OF DECEPTION
6.SUGAR PILL
7.COWBOYS FROM HELL (Pantera cover)
8.ST. TRIGGER
9.PSYCHOCTOPUS SOLO
10.HATE!
11.SYMPHONY OF DESTRUCTION (Megadeth cover)
12.LAST WISH
13.NOCTURNALL HUMAN SIDE

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Resenha de shows: Iced Earth (Auckland, Nova Zelândia - 18/03/14)


O Rock'N'Prosa hoje vai atravessar o Oceano Pacífico e desembarcar em Auckland, maior cidade da Nova Zelândia. Viagem muito cansativa, saindo de Mossoró/RN, passando por Fortaleza/CE, Rio de Janeiro/RJ, Santiago (no Chile) e depois de 30 h de viagem, Auckland. O dia foi uma terça-feira, dia ensolarado e não muito frio nas terras Kiwis. O Iced Earth, uma das minhas bandas favoritas, estava excursionando pela Austrália, e pela primeira vez estava fazendo um show na Nova Zelândia. A banda recentemente lançou o Plagues of Babylon (2014), álbum tema da World Plagues Tour, que recentemente passou pelo Brasil também.

O show foi realizado no The Studio, casa de shows de médio porte localizada próxima à Queen Street, principal rua da cidade. Aproximadamente às 18:00, horário local, a equipe Rock'N'Prosa rumou para o local do show para bater um rápido com Jon Schaffer e Luke Appleton, guitarrista (e mentor) e baixista do Iced Earth, respectivamente. O principal assunto foi o que estávamos passando naquela hora, "jet lag". Querendo ou não, são 16 horas de diferença entre os fusos do Brasil e da Nova Zelândia. Luke disse que a principal tática é dormir sempre que possível. Só assim eles conseguem tocar em Auckland e em São Paulo, por exemplo, com a mesma energia.

A banda de power metal Stormforge, de Auckland mesmo, abriu a noite. O repertório foi inteiramente autoral, trazendo as músicas do seu EP Sea of Stone (2014). Show muito bom, a habilidade dos músicos é condizente com aquilo que o estilo exige. O som tem fortes influências do Blind Guardian. Vou esperar pelos próximos trabalhos para ver melhor o direcionamento da banda.
Iced Earth no palco. (foto: Kael Freire)
Sem muitas delongas, após o show de abertura, roadies no palco arrumando os últimos detalhes. E, depois de pouco tempo, começam a soar os primeiros acordes de Plagues of Babylon, faixa-título do mais novo trabalho do Iced Earth, nos auto-falantes. John (Dette, novo baterista do Iced Earth) entra no palco e se arruma na bateria para logo depois Jon, Luke e Troy acompanharem com muito peso. O destaque inicial do show vai para o som. A música Plagues of Babylon ganhou muito mais peso ao vivo, uma grande abertura de fato para o show. Com um pouco de instrumental, Stu logo invade o palco e começa a cantar - e que voz!!

O show segue com Democide, também do Plagues of Babylon (2014) e depois V, do Dystopia (2012). Todas soaram muito bem ao vivo, e naquele ponto, o público já estava curtindo muito o show. Impressionante a energia que eles conseguem transmitir, não tinha sentido isso assistindo aos vídeos dos shows anteriores, disponíveis no YouTube. Depois vieram logo duas pedreiras, If I Could See You - uma das minhas favoritas do novo álbum -, música que o Stu "agradeceu" ao Jon por ter escrito e um clássico do meu primeiro álbum do Iced Earth - o Dark Saga (1996) - The Hunter. Simplesmente incríveis as músicas, peso e melodias perfeitas. A clássica Burning Times, seguida de Red Baron/Blue Max deram continuidade ao show, mas o melhor vinha logo depois.
Jon Schaffer, Stu Block e John Dette. (foto: Kael Freire)
Uma pequena pausa. Fazem muitos anos que acompanho os set-lists dos shows do Iced Earth, uma das minhas bandas favoritas, mas que nunca tínha tido a oportunidade de ver ao vivo. Nessas últimas turnês, a banda tocou de tudo menos essa música que viria. O último registro de Blessed Are You que eu tinha era no Alive in Athens (1999), e mesmo assim, a versão era normal em meio às outras músicas. Mas, não naquela noite. A música ganhou uma atmosfera diferente, um peso a mais. Um ar de nostalgia tomou conta de mim, me lembrando das tardes em casa escutando o Something Wicked This Way Comes (1998) no último volume. Foi a melhor do show. Confesso. Por todos esses elementos. Queria poder transmitir tudo isso aqui nas palavras, mas não é possível.

Após esse momento épico, o show continuou com Vengeance Is Mine e a nova - e também candidata a próximo clássico - Cthulu, do Plagues of Babylon (2014). My Own Savior, que não ganhou a mesma energia que tinha na voz de Matt Barlow, foi a próxima, seguida de - para fazer inveja ao pessoal que foi no show do Brasil - The End?, faixa que encerra a primeira parte conceitual do novo álbum. Para encerrar a primeira parte do show, a minha música favorita do Iced Earth de todos os tempos - confirmada no set por Luke antes do show, em nossa conversa - A Question of Heaven. Ela foi tudo aquilo que eu achei que seria e mais um pouco. Merecidamente risquei ela da "lista de músicas para se ver ao vivo antes de morrer".
Luke Appleton (baixo) e Troy Seele (guitarra). (foto: Kael Freire)
Encerrada a primeira parte do show, a banda deixa o palco e volta para o bis logo executando Dystopia - é, não tivemos The Coming Curse também, para quem estava acompanhando. Watching Over Me, um dos maiores clássicos do Iced Earth, foi executada brilhantemente e o show foi encerrado, como de costume, com o famoso "Iced Motherfuckiiin' Eaaaaarth".

O show veio confirmar o Iced Earth como um dos maiores nomes do heavy metal na atualidade. A forma dos caras está melhor do que nunca. O que fica de torcida é que continuem o trabalho e mantenham a bandeira tremulando.

  
#Set-list do STORMFORGE
 
1.Intro
2.Imolation to Infinity
3.As the Nightsky Burns
4.Death Sings in the Night
5.Sea of Stone


#Set-list do ICED EARTH

1.Plagues of Babylon
2.Democide
3.V
4.If I Could See You Now
5.The Hunter
6.Burning Times
7.Red Baron/Blue Max
8.Blessed Are You
9.Vengeance Is Mine
10.Cthulu
11.My Own Savior
12.The End?
13.A Question Of Heaven
-----
14.Dystopia
15.Wathing Over Me
16.Iced Earth
(Gettysburg: High Water Mark)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Resenha de shows: Andre Matos (Mossoró/RN - 27/10/13)


De todas as resenhas que tive o prazer de escrever, essa aqui é com certeza uma das mais especiais. Para começar, se alguém me perguntasse há alguns anos atrás, principalmente em 2004, se algum dia imaginaria ver um dos meus ídolos em minha cidade natal, certamente diria que não, e NÃO maiúsculo mesmo, porque era praticamente impossível disso acontecer. Mas, como diz o velho ditado: "Hoje, os tempos são outros, meu capitão".

O filme já estava passando na cabeça ao longo das semanas que antecediam o show, desde o brinde com Heineken no Valhalla Rock Bar, quando o grande Lázaro Fabrício anunciou em primeira mão o sonho de trazer um dos nossos maiores ídolos para a nossa cidade. O sonho era difícil de ser realizado, mas a cena mossoroense abraçou a causa e se mobilizou para fazer acontecer esse show. Tudo foi ocorrendo a cada passo. Após o sonho, veio o anúncio oficial, Andre Matos estava vindo para fazer um show em Mossoró/RN no dia 27 de outubro, de longe, o maior show da história do rock em Mossoró/RN.
cartaz do show do Andre Matos, em Mossoró/RN.
Não dormi direito do sábado para o domingo, a ansiedade era grande pelo show. Mais acompanhando do que trabalhando - na produção - fiquei indo e vindo do local do show, esperando a banda chegar, até que de 15:00, sem aguentar mais, coloquei os equipamentos no veículo e rumei para o show.

Esforço e força de vontade traduzem todos os momentos. Palco montado, equipamentos de som providenciados, tudo estava pronto para receber com qualidade o show. A abertura ficou por conta das bandas mossoroenses Bones in Traction e Godhound.

O show "debut" do Bones in Traction foi sensacional, thrash metal de qualidade e peso. Guardem esse nome. Particularmente, estou ansioso para escutar o EP deles, a ser lançado no final do ano. Sou suspeito em falar do Godhound, mas queria deixar registrada a honra que foi fazer parte daquela noite. 30 minutos de show entre músicas do Godhound (2012) e do God above...Hound on the road (2013), contando com a ilustre presença do nosso amigo Lázaro Fabrício, na bateria. Show explosivo e de aquecimento para o que estava por vir. 

Acabados os shows de abertura, muito bem recebidos pelo público de 700 pessoas que lotaram o Carcará, estava chegada a grande hora. Após No More Tears, do Ozzy, começa a soar a introdução do show, era o sinal. Hugo Mariutti, André Hernandez, Rodrigo Silveira e Bruno Ladislau posicionados no palco dão início a Liberty, faixa de abertura do The Turn of the Lights (2013), seguida de I Will Return, do Mentalize (2009). Após saudar o público, e elogiar - o que achei um dos melhores momentos do show - a estrutura e garra que moveu as pessoas para trazerem shows para o interior do Brasil, a banda continuou com Course of Life e a clássica da sua carreira-solo, Rio. Voltando um pouco nos comentários, estamos acostumados a ter shows de Forró e Axé, mas um show desse "porte", nunca antes. Quem ganha com isso é a diversidade cultural da cidade, temos espaço para todo mundo, e se a cena alternativa não se mantiver unida, não teremos mais noites como essa. Fica aqui o recado para todos que fazem a cena acontecer, não só em Mossoró/RN, mas nos interiores de todo o Nordeste, mais união e menos competição, estamos todos juntos no mesmo barco.
Andre Matos e André Hernandez em Mossoró/RN (foto: Camila Soares)
Voltando ao show, após a faixa-título do seu mais novo trabalho, The Turn of the Lights, a clássica do Shaman (melhor dizendo, da sua carreira-solo também, porque o Shaman acabou) Fairy Tale contagiou a todos os presentes, que cantaram até acabar a voz. Depois de Stop!, outra pedreira, Lisbon, grande clássico do Angra. O que gostei do repertório foi que Andre Matos soube mesclar clássicos com suas músicas novas, fazendo com que o show não perdesse hora nenhuma o seu ritmo, até quando as músicas eram "desconhecidas". Após um solo magnífico na bateria, por Rodrigo Silveira, o show continua com On Your Own e a primeira parte é encerrada com Living for the Night, do Viper, com direito até a uma jam - quem estava lá ainda lembra do riff, com certeza.

Acabada a primeira parte do show, era hora da banda recarregar as baterias e voltar para o tributo ao Angels Cry (1993), que está completando 20 anos agora em 2013. Antes de sair, Andre Matos ainda soltou um "veneno" para seus ex-colegas de Angra, dizendo que o álbum seria executado "na íntegra", nem mais nem menos. Para quem não entendeu, o Angra gravou um DVD de comemoração aos 20 anos do Angels Cry (1993), mas não executou o álbum inteiramente, o que achei ruim, dado o título proposto para o produto - provavelmente Angels Cry 20th Aniversary.
Andre Matos e Hugo Mariutti em Mossoró/RN (foto: Camila Soares)
Enfim, após um intervalo de 15 minutos, começa a soar Unfinished Allegro, seguida de Carry On. A partir daí, meu amigo, foi pura destruição, todo mundo já sabia o que vinha, e não decepcionou. Time e Angels Cry foram perfeitas, sem contar em Stand Away, executada brilhantemente mesmo 20 anos depois do seu lançamento (digo 20 anos porque os vocais já eram difíceis naquele tempo, quanto mais hoje depois de toda a estrada). Never Understand, com direito a solo de Hugo e André Hernandez, seguida da espetacular Wuthering Heights continuaram o tributo. E o fim estava próximo, depois de Streets of Tomorrow e Evil Warning, o show foi encerrado com Lasting Child, última música do álbum.

As palavras ainda não parecem o bastante para descrever o que foi esse domingo, um domingo que será lembrado, não só por mim, mas por todos os presentes, como um dos domingos mais históricos da cidade de Mossoró/RN. Muita energia estava presente ali, e poder compartilhar isso com seus amigos, com quem lutou para ver aquilo ali se tornar realidade, não tem preço. A maioria da população de Mossoró/RN não entenderá o que foi aquilo, espero que alguém que não tenha ido no show tenha a oportunidade de ler ao menos isso, e sentir um pouco do que se passou ali.

Queria acabar com as palavras do próprio Andre Matos. "Esse foi o primeiro show de uma série que está por vir. Não só Mossoró, mas o Nordeste, está definitivamente incluído na rota nacional dos shows. Não só nós queremos voltar, como muitas bandas que não vieram passarão a vir. Vocês merecem tudo isso!!".

Bones in Traction (foto: Neta)
BONES IN TRACTION
1.INTRO
2.GRAIN BY GRAIN
3.HELL TO THE KING
4.DEPRESSED
5.RUBBER BULLET
6.REFUSE/RESIST (Sepultura cover)
7.MODERN MAN

Godhound (foto: Camila Soares)

GODHOUND
1.ON THE ROAD
2.MOTORCYCLE'S HYMN
3.SIRENS
4.DUST N'BEER
5.ACE OF SPADES (Motorhead cover)
6.GODHOUND

Andre Matos (foto: Camila Soares)
ANDRE MATOS
1.INTRO
2.LIBERTY
3.I WILL RETURN
4.COURSE OF LIFE
5.RIO
6.THE TURN OF THE LIGHTS
7.FAIRY TALE (Shaman cover)
8.STOP!
9.LISBON (Angra cover)
10.ON YOUR OWN
11.LIVING FOR THE NIGHT (Viper cover)
---------Angels Cry tribute-----------
12.UNFINISHED ALLEGRO
13.CARRY ON
14.TIME
15.ANGELS CRY
16.STAND AWAY
17.NEVER UNDERSTAND
18.WUTHERING HEIGHTS
19.STREETS OF TOMORROW
20.EVIL WARNING
21.LASTING CHILD

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Rock'N'Prosa no Rock In Rio pt. II


Depois de dois dias de folga, eis que a equipe Rock'N'Prosa volta à Cidade do Rock. Domingo ensolarado no Rio de Janeiro/RJ e às 14:00 já estávamos a postos esperando o ônibus para o festival. A expectativa era grande para assistir André Matos, só que mais uma vez o trânsito e enorme quantidade de pessoas - demoramos quase meia hora para entrar no festival - fizeram com que perdêssemos mais esse show. Para não dizer que não "vi" nada, escutei os últimos acordes de Rebel Maniac enquanto estava na fila, que passava exatamente por trás do Palco Sunset.

O dia 22 de setembro não era de andar por qualquer lugar, uma das melhores seleções de bandas dos últimos tempos estava prestes a tomar de conta do festival.

#DESTRUCTION


Sol a pino e os primeiros acordes do Destruction começaram a soar pelo Palco Sunset. Particularmente não conhecia a banda, mas virei quase um fã, somzeira pesada e bem executada!! Não tenho muito o que comentar do set-list, basta destacar que na metade do show os brasileiros do Krisiun subiram no palco. Senti o orgulho na voz do vocalista Alex Camargo ao dizer que eles eram a primeira banda nacional de Death Metal a subir no palco do Rock in Rio. Se o show estava pesado, agora ficou pesado ao cubo. O nível da destruição aumentou, com certeza.

#HELLOWEEN


Agora vem um dos shows esperados do dia. Cresci ouvindo o Helloween, e com o sol se pondo a banda entra no palco com Eagle Fly Free, cantada por todos os presentes. Achei o som um pouco aquém dos outros shows, os vocais estavam um pouco baixo, assim também como a bateria. Mas, enfim, não tirou a magia do show, porque era o Helloween que estava ali. Misturando músicas novas como Waiting for the Thunder, com clássicos como Power, o show foi caminhando, até que chegamos no bis. Como era esperado, Andi Deris anunciou Kai Hansen, guitarrista da formação clássica da banda, e como era esperado - por mim - tocaram Dr. Stein, Future World e encerraram com I Want Out, um encerramento digno do poder do show.

#ZÉPULTURA


A viagem já tinha valido até aqui, mas o melhor ainda estava por vir, em duas parcelas, melhor, três. A primeira parcela foi o show do ZéPultura (fazendo justiça a Thayro, que gritou o nome antes de todo mundo, e estaria agora com muito dinheiro se tivesse patenteado antes do Andreas Kisser gritar isso no microfone). Sepultura no palco, destruição total, só músicas que não vinham sendo executadas a certo tempo. Particularmente, gostei mais dessa apresentação do Sepultura do que do show da quinta-feira, o som estava muito melhor. Após 5 músicas porradas, Andreas Kisser anuncia o momento mais esperado por todos. O profeta em pessoa, Zé Ramalho, sobe no palco e começa um dos melhores shows que pude presenciar. Dança das Borboletas, seguida de Jardim das Acácias, preencheram o show, com todo o peso do instrumental do Sepultura. Mote das Amplidões, faixa bem surrealista e que não conhecia, foi um dos destaques do show, muito boa a execução. Ainda fizeram parte do show Em Busca do Ouro, do projeto solo de Andreas Kisser - o qual agradeceu humildemente aos membros da banda, por aceitarem tocar aquilo em um show do Sepultura - e um instrumental usando a base de Avôhai, deram continuidade ao show. Após agradecimentos, o encerramento não podia ser diferente, Admirável Gado Novo. Nunca imaginei que pularia cantando o refrão dessa música alguma vez na minha vida. Esse foi O SHOW do festival. Foi o show que fez valer o ingresso, a viagem e o cansaço. Mas, como disse, ainda faltam duas parcelas.

#SLAYER


Nem bem acabou o Zé e os acordes de World Painted Blood começaram a soar. Corri para o palco e mundo e vi de longe o Tom Araya gritando, lembro que ainda gritei para meu irmão: "Não é o DVD, são os caras mesmo!!!". Slayer, meu amigo. Outro show que não imaginava assistir. Parei em frente ao palco, a certa distância e curti War Ensemble, Mandatory Suicide e Seasons in the Abyss. Muito bem executadas e com muito mais energia do que já tinha escutado antes. Para o bis, o Slayer preparou algo especial. O pano de fundo foi trocado e o nome "Hanemann" apareceu nos telões. Homenagem mais que merecida, e como era esperado o Slayer encerrou com South of Heaven, Raining Blood e Angel of Death, com direito ao agudo e tudo. Excelente show, lembrei agora de todas as vezes que ouvi a frase: "Vale a pena ver o Slayer", e hoje eu digo: "Vale, e muito".

#IRON MAIDEN


A banda que vinha agora dispensa comentários. Já mencionei em diversas postagens aqui no Rock'N'Prosa o quanto esse show do Iron Maiden seria especial para mim. Não era só a minha banda favorita, mas sim a minha banda favorita refazendo a turnê do meu álbum favorito. Sem atrasos, aos 5 minutos da meia-noite do dia 23 de setembro, Doctor Doctor, do UFO começa a soar, seguida da introdução de Moonchild. Blocos de gelo no palco e promessas de muitas explosões quando o Maiden executou logo em seguida Can I Play With Madness. O set-list foi basicamente o executado em 88, mas o espaço foi aberto duas vezes com Fear of the Dark, e - uma música que tem tudo a ver com o que o mundo está passando hoje - Afraid to Shoot Strangers, ambas do Fear of the Dark (1992). Músicas que não eram executadas há muito tempo voltaram, como The Prisoner e Seventh Son of a Seventh Son, e tive a honra de ver não só um, mas três Eddies dessa vez, todos remontando ao Seventh Son of a Seventh Son (1988), álbum principal dessa turnê. Depois de um desfile de clássicos e cordas vocais danificadas, eis que chega a hora de tocar Running Free e se despedir do show. Se o Zé e o Slayer tinham feito tudo valer a pena, o Maiden sacramentou tudo. O melhor show que tive o prazer de assistir na vida, posso afirmar isso com certeza. Ficam aqui os desejos para que os boatos sobre um possível DVD sejam confirmados, porque esse registro merece ser guardado nas estantes de todos os amantes de música e de rock'n'roll.

Bem, é chegado a hora de voltar para casa. Malas arrumadas, ingressos e LP's devidamente embalados, o avião levantou voo. O que ficou de impressão do Rock in Rio foi que a organização foi perfeita. Vários pontos do local possibilitavam assistir aos shows, deixando o público bem espalhado e acomodado por toda a área. A estrutura de som estava boa, as bandas mais pesadas não foram prejudicadas. E se o show não estava bom para você, sempre tinha a possibilidade de fazer algo divertido naquele tempo, com as outras inúmeras atrações do festival.

Espero que tenham gostado desses relatos e até a próxima.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Rock'N'Prosa no Rock In Rio pt. I



Antes tarde do que nunca, o Rock'N'Prosa viajou até o Rio de Janeiro/RJ, para a Cidade do Rock, onde acompanhou e curtiu os dias dedicado ao rock pesado do festival Rock In Rio. Um pouco do que foi essa cruzada vocês conferem agora. Para não ficar muito extenso, vou dividir os relatos em duas partes, uma dedicada a cada dia do festival.

Natal/RN, 4:00, 19/09/2013. Depois de um cansativo dia e uma cansativa viagem, eis que a equipe Rock'N'Prosa se prepara para rumar ao Rio de Janeiro/RJ. Voo tranquilo até Salvador/BA, junto com a equipe juvenil do Bahia, e logo em seguida aportamos no Rio. Preto era a cor predominante no Aeroporto Galeão e na cidade como um todo. Para cada 10 pessoas vistas, 7 estavam com camisa do Metallica, sinal do som que seria ecoado pela cidade naquele dia.

Depois de uma visita a sebos e da aquisição de diversos títulos em vinyl, colocamos os ingressos nos bolsos, camisas do Godhound no peito, e rumamos ao rock'n'roll. Por causa da distância entre Copacabana e a Cidade do Rock e do trânsito do Rio, perdemos o Dr. Sin e o Almah, chegando a tempo de ver o começo do show do Sebastian Bach no Palco Sunset.

Assim que cruzamos as catracas, somos recebidos pela imensa estrutura do festival. Muita organização, muita gente andando, e um palco que pode ser visto de muito longe (Palco Mundo). Diversas praças de alimentação, atrações dos patrocinadores, distribuição de brindes, e a Rock Street. Ah, a Rock Street. É algo para cinema. Uma réplica de uma rua irlandesa, com diversas lojas e restaurantes. No meio da rua, artistas fazendo apresentações, bandas tocando música celta, e um palco montado, onde tinham danças e mais música celta. Fomos agraciados com uma apresentação do Bruno Maia, fundador do Tuatha de Dannan, tocando um excelente rock celta. Pena que não pudemos curtir muito (por enquanto) porque os fogos de artifício anunciaram que o Sepultura estava subindo no palco.

#SEPULTURA



Ainda hipnotizado pela música celta, perdi o começo do show do Sepultura. Mas, depois de uma breve corrida e uma quase cerveja derramada, avistei o Palco Mundo. Não sou um conhecedor ferrenho da carreira deles, mas o show para mim pode ser resumido à Territory e Roots Bloody Roots, energia pura. A mistura dos tambores do Tambours du Bronx com o peso e saturação da guitarra do Sepultura é inquestionável.

#GHOST


Acabado o Sepultura, era hora do Rob Zombie. Confesso que nem me dei ao trabalho de me deslocar até o Palco Sunset, porque não conhecia nenhuma música dele. Mas, logo depois veio o show mais esperado da noite para mim (sim, o Metallica foi um extra): O ritual profano do Ghost. Está bem, podem falar o que for, a maioria das pessoas não entendeu o que foi o show dos suecos. A Globo com seu pensamento xiita caiu em cima, e assim também a mídia como um todo. Deixando o desabafo de lado, o show foi simplesmente perfeito. O som estava bem regulado, deu para distinguir com clareza todos os instrumentos e passagens. O repertório foi uma mistura dos dois álbuns do Ghost (B.C. é o car$%!#), com direito até ao instrumental Genesis. Os destaques do show para mim foram Year Zero e Ghuleh/Zombie Queen, ambas do novo álbum do Papa Emeritus II & Cia.

#ALICE IN CHAINS


Outra banda que não tinha escutado muito foi o Alice in Chains, apesar de serem quase clássicos. Para não dizer que não conhecia nada, ainda escutei o seu mais novo álbum, The Devil Put Dinossaurs Here (2012), muito bom por sinal. O som ao vivo é muito semelhante ao álbum, execução perfeita. Acabei por curtir somente Hollow, faixa de abertura do álbum e que foi executada no início do show. Aproveitei a deixa para circular um pouco pelo festival e curtir mais um pouco de música celta. Foi aí que me deparei com uma loja em especial da Rock Street. Loja de LP's. Acho que o nome deveria mudar de Record Store para Very Expensive Billionaire Record Store. Os LP's mais caros da história!! Mas, dentre os títulos, muita coisa boa, com destaque para o Voyage 34 (2000), do Porcupine Tree e o Black Sabbath (1970), só não vou citar os preços.

#METALLICA


Agora parem as máquinas!! Uma das maiores bandas do mundo em atividade estava prestes a subir no palco. A quinta-feira (19/09) foi um dia estranho, porque comecei o dia assistindo um DVD do Metallica, e algumas horas depois, estava em frente ao palco para vê-los ao vivo, e não mais virtualmente. O cansaço estava grande, a espera estava aumentando, e não foram 20 ou 30, mas 40 minutos de atraso, até que enfim It's a long way to the top, do AC/DC, começou a tocar, era o sinal que o show iria começar. Após a clássica introdução The Ecstasy of Gold, do Ennio Morricone, o Metallica entra em cena e começa a quebrar tudo com Hit the Lights, quase ligada com Master of Puppets. Set-list impecável com uma chuva de clássicos, com direito a explosões no palco em One e Enter Sandman, sem contar no bis com Creeping Death e Battery.

Com o fim do show era hora de pegar o busão e voltar para o hotel. Recarregar as baterias e se preparar para o segundo dia do festival, e muita coisa boa estava por vir nesse segundo dia...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Obrigado, Paul



Não me imaginei vendo Paul McCartney pela terceira vez, aliás, nunca vi uma banda sequer três vezes, nem as locais. E por que logo Paul? O cara é simplesmente um ídolo para mim, um cara que pareceu entender a vida como ela é e conseguiu traduzir em canções. Justamente por causa disso, decidi fazer agora diferente, não vou escrever mais uma resenha, e sim agradecer.

Agradecer pela jornada árdua até Fortaleza/CE, digna de uma canção dos bardos da Idade Média? Agradecer aos litros de suor depois de uma corrida de 4 km até o Castelão, depois de um engarrafamento que nunca tinha visto na minha vida? Claro que sim, são contos que levarei comigo pelo resto da vida.

Como não agradecer à alegria que Eight Days a Week, All my Loving e Paperback Writer causam no espírito? Como não agradecer ao sentimento provocado por The Long and Winding Road e And I Love Her? Como não relembrar da sua infância ao escutar All Together Now e We Can Work It Out? Como não se emocionar com Maybe I'm Amazed? Como não vibrar com Mrs. Vandebilt, Band on the Run e Helter Skelter? Como não se divertir com Hope of Deliverance e Being the Benefit of Mr. Kite? Como não parar para cantar Let It Be e Hey Jude? Como não exorcizar seus demônios com os fogos de Live and Let Die? Como não voltar para casa depois de Golden Slumbers?

Isso tudo é só um pouco daquele universo que é um show do Paul McCartney. Não importa se foi o seu primeiro, ou seu décimo show. A emoção é igual à primeira vez. É um espetáculo único. Por isso, para mim só resta dizer: Obrigado, Paul...e, até a próxima!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Resenha de shows: Roger Waters (Rio de Janeiro/RJ - 29/03/2012)




Por Enaldo Segundo

Desde o dia 29/03/2012 eu busco alguma maneira de descrever o que eu senti das 21:00 até as 00:00 da própria data. Sozinho, encarando a cegueira e ficando surdo, com nada pra me ajudar além de minhas mãos e minha própria cabeça. Lá estava eu.

O dia no RJ era nublado e com muita chuva. Cheguei ao aeroporto do Galeão com sentimentos distintos: empolgado por realizar o sonho de ver um dos maiores espetáculos da terra e um pouco pensativo pela morte do saudoso Millôr Fernandes (faleceu no dia 28/03). Todos os sentimentos em um só dia. Havia algo reservado? Vendo hoje, 9 meses depois, é fácil dizer que sim.

Sempre fui um grande entusiasta do Pink Floyd. Às vezes acho que segui um caminho contrário. A maior parte dos meus amigos são fãs de carteirinha dos Beatles e seus “dissidentes”. No caminho contrário, acabei me apaixonando pelos acordes de David Gilmour, as letras de Roger Waters, o teclado obscuro de Rick Wrigth e o genial desleixo de Nick Manson. Algo que me deixava hipnotizado e eufórico.

Um descanso, um almoço tranquilo, uma tarde ouvindo o The Wall no celular. E finalmente a ida ao Engenhão. Decidi chegar cedo. Fui “premiado” com um Engenhão ainda vazio e sem filas (apesar de até a hora do início do show o evento não ter apresentado nenhum problemas com filas, tudo muito organizado). Desde a entrada no Engenhão algo que me chamou a atenção: som e projetores. Projetores que eu nunca havia visto e com uma qualidade inacreditável. Um sistema de som que me deixaria procurando algo que, de tão real, eu achei que estava sobrevoando o estádio (o som de Helicóptero no início de ‘The Happiest Day of Our Live’).

Com a pontualidade inglesa, ele iniciou o show às 21 horas. Com educação, uma voz feminina ao fundo dizia que “Roger” não tinha problemas com as fotos/filmagens, “Roger” apenas pedia para que os ‘flashes’ das câmeras fossem desligados para que não atrapalhassem as projeções no telão. Bom, estamos no Brasil, ninguém desligou flash nenhum. Felizmente não interferiu no grande espetáculo.

Empolgado, como de costume, ele iniciaria o show vestido de ditador. Luzes, fogos, e o público de aproximadamente 50 mil pessoas iam à loucura. E eu? Eu estava lá. Encantado. Arrepiado. Com lagrimas nos olhos. Sentindo que aquele era o local certo e a hora certa em que eu deveria estar. O som me deixava arrepiado, as projeções me deixavam hipnotizados. Olhava para o lado e as pessoas estavam boquiabertas, outras chorando, outras abraçadas. Para todo aquele público era mesmo “The Happiest Days of Our Lives”. Fotos? Vídeos? E eu lá me lembrei disso. Se em In The Flesh eu estava arrepiado, logo ao começar The Thin Ice, as primeiras lágrimas corriam no rosto. A homenagem a Jean Charles, o “Nem Fudendo” estampado no telão logo após o questionamento em “Mother”: Mother should I trust the government? A emoção transformada em lágrimas na execução de “Vera” e “Bring The Boys Back Home”. A doçura de Comfortably Numb e o seu solo magnífico que ninguém nunca vai executar como David Gilmour. Assim como “Nobody Home”, uma música que poderia definir o que se passava na minha cabeça. São esses alguns sentimentos que eu posso compartilhar com vocês. Quaisquer outras palavras soarão repetitivas. Para o fã do Pink Floyd eu tenho certeza que essas palavras serão suficientes, para quem não é, fica o mistério do que se passa na cabeça de alguém que cresceu ouvindo e sentindo tudo que estes rapazes fizeram pelo rock mundial. No fim do show, o sentimento de “dever cumprido”. Eu tinha uma dívida comigo mesmo. Eu precisava vê-los algum dia. Mesmo que fosse apenas um deles. Mesmo que a banda já tenha acabado há décadas. Mesmo que eu precisasse sacrificar boa parte do meu dinheiro. Tudo que gastei, paguei, valeu a pena. Repetiria se fosse preciso. Loucuras como essa precisam ser mais constantes em um mundo tão previsível.

O público ia deixando o estádio em completa tranquilidade e eu me despedia daquele palco para voltar para a minha cidade e minha rotina. Já estava com saudades daquele dia e nem se passavam 30 minutos que eu havia deixado o Engenhão. Hoje, 9 meses depois, fecho os olhos e imagino o mesmo local. São memórias eternas, algo que eu contarei pros meus filhos, sobrinho e netos. Algo que ninguém poderá tirar de mim.

Foi a realização de um sonho, e mesmo depois dessas linhas ainda é impossível descrever o que eu realmente estava sentindo. O único sentimento que me recordo e que levo até hoje é o de gratidão. Muito obrigado, Roger Waters.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Resenha de shows: Viper (Natal/RN - 06/07/2012)



Ultimamente eu tenho começado as resenhas com uma indagação de espanto, de que algo que beirava o impossível estava prestes a acontecer. Essa de hoje não é diferente. Eu não era nem nascido quando o Viper lançou o seu álbum Soldiers of Sunrise (1987) e tinha 1 ano de idade quando lançou o Theatre of Fate (1989), dois grandes clássicos do heavy metal nacional.

Muito tempo se passou, e quando tive meu primeiro contato com o rock'n'roll, o Shaman estava lançando o Ritual (2003). Depois daí tive mais contato com o trabalho de André Matos, com o Angra, e posteriormente com o Viper. Essas duas verdadeiras coletâneas do Viper marcaram a história do heavy metal nacional, e foram justamente elas o tema dessa turnê do Viper. A formação clássica do Viper com André Matos (vocais), Pit Passarell (baixo), Felipe Machado (guitarra), Guilherme Martin (bateria), juntamente com Hugo Mariutti (guitarra), subtituindo Yves Passarell (que está atualmente no Capital Inicial), se reuniu para comemorar os 25 anos de banda.

A turnê To Live Again dá a oportunidade de que pessoas que nunca viram a banda, pudessem vê-la pela primeira vez, e de pessoas que cresceram escutando o Viper, prestigiassem novamente um show deles. Em 1988, Natal/RN foi uma das primeiras cidades fora de São Paulo/SP a receber o Viper, e 24 anos depois, a cidade voltou a receber a banda, fato enaltecido por André Matos durante o show.

Vamos agora às críticas. Um show desses, ainda mais pelo preço que foi cobrado dos ingressos, exige um local em perfeitas condições sonoras.  Um show de rock'n'roll não é um show qualquer. Outros estilos musicais não exigem tanto do equipamento quanto o rock'n'roll exige. O sistema sonoro precisa ter boa qualidade de graves e agudos, de forma a destacar o peso e os solos, além dos vocais. O que aconteceu foi que instalaram um sistema muito aquém do exigido pelo rock'n'roll, o que prejudicou o som das bandas.

Mesmo com a precariedade do som, os shows do Comando Etílico, Deadly Fate e Darkside conseguiram levantar o público, que diga-se de passagem, lotou o Cultura Clube. Ainda estou com alguns hematomas nas costas adquiridos no show do Darkside, que encerrou o show com Conquistadores, do Running Wild, e a clássica Fragments of Time.
(foto: Hudson MetallMilitia)
Já passava das 2 da manhã quando o Viper subiu no palco e iniciou a jornada pelo Soldiers of Sunrise (1987) com Knights of Destruction, cantada por todas as 500 pessoas presentes. O set-list não teve surpresas, Soldiers of Sunrise (1987) na íntegra na primeira parte do show, com destaque para Nightmares, Law of the Sword e a própria Soldiers of Sunrise. As constantes microfonias, devido aos agudos brilhantes de André Matos tiraram o brilho de algumas músicas, mas não tiraram a diversão do show. Além da música, a maioria das pessoas estavam ali para presenciar aquele momento histórico, a reunião de uma banda clássica, com músicos consagrados mundialmente, como é o caso de André Matos, e que não tocava junta há muito tempo. Esse foi o barato da noite.
(foto: Amarilis Melo)
Após a primeira parte do show, o telão instalado no Cultura Clube começou a transmitir um documentário sobre a história do Viper, e logo após Illusions começou a ser executada, introduzindo o Theatre of Fate (1989), segundo álbum do Viper e segunda parte do show. Mais uma vez, álbum executado na íntegra, com direito a To Live Again, Living for the Night e A Cry from the Edge. Um dos momentos mais marcantes do show foi quando André Matos tomou lugar no piano e iniciou a épica Moonlight, uma excelente composição. O segundo ato do show foi encerrado com Prelude to Oblivion.

Após uma pequena pausa, a banda volta para o bis e executa Rebel Maniac e encerra o show com We Will Rock You, do Queen. A noite foi muita cansativa, com a intensidade de todos os shows, mas foi muito recompensante. Foi um momento histórico, e isso é o que ficará na lembrança de todos. Espero que os shows continuem a vir para Natal/RN e que da próxima vez instalem um som adequado ao estilo, para não prejudicar o espetáculo. 

Apesar de tudo, o cenário está melhorando. Até o nosso próximo show.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Resenha de shows: Paul McCartney (21/04/12 - Recife/PE)



Dia 21 de abril de 2012, um dia para ficar marcado na história da música do mundo, um dia para ser lembrado para sempre nas canções dos bardos ao longo de todas as eras, sempre que um canto possa ser ecoado pela voz humana.

Se alguém me perguntasse há 2 anos atrás se eu algum dia imaginaria assistir duas vezes um dos meus músicos favoritos de todos os tempos, certamente diria que não, porque essa realidade estava muito longe. Mas, eis que a história pregou suas peças e me trouxe para assistir Paul McCartney mais uma vez.

Tudo começou, mais uma vez, com os boatos das possíveis apresentações de Paul em Recife/PE, Florianópolis/SC e Brasília/DF, só que somente as duas primeiras foram confirmadas. O que achei diferente logo de cara, desse show em relação ao do Rio de Janeiro (se quiser saber como foi, confira AQUI), foi a corrida pelo ingresso. Nada de cartão de crédito Bradesco e afins, nada de pré-venda, todos eram iguais. Sem dificuldades comprei meu ingresso para a arquibancada superior do estádio Arruda, lugar escolhido a dedo para essa apresentação, e não podia ser melhor.
Montagem do palco no estádio Arruda.
Após isso, só nos restava esperar para que o dia 21 de abril chegasse até nós, e ele não demorou. Perdi o toque do despertador, que esse ano tinha escolhido para ser Here Comes the Sun, mas acordei a tempo de pegar o ônibus às 09:00 de Natal/RN rumo a Recife/PE. O especial dessa viagem foram as companhias, pela primeira vez estava viajando com todos meus amigos de infância para assistir um grande show, ou nas palavras do grande Karlo Schneider: "O dia em que 5 discípulos de Roberto Bruce Lee se reuniram para assistir Sir Paul McCartney". Você pode não está entendo isso, mas significou muito para todos nós no momento, foi especial.

Enfim, depois de algumas horas de estrada, regadas a Paul McCartney, Beatles e conversas no ônibus (e diga-se de passagem, acabei por encontrar um ex-síndico do meu prédio indo no mesmo ônibus para o show também), finalmente chegamos à Recife/PE e ao estádio do Arruda, ou "Gigante do Arruda", como justamente chamam esse estádio.

Agora vem o melhor, se eu comecei dizendo que não esperava assistir 2 shows de Paul nesses últimos tempos, muito menos esperava cruzar com ele em algum momento da minha vida. Pois bem, chegamos no estádio por volta das 17:00 e fomos caminhando para o fim da fila kilométrica que dava acesso à arquibancada superior. Assim que chegamos no final da fila (encostados numa grade), surge o som de sirenes e um veículo apareceu por trás delas, com um tempo, o veículo passa a 2 passos de onde estávamos e um senhor estava acenando em nossa direção, era o velho Macca em pessoa. Isso já fez valer o ingresso para mim, o grupo que estava lá comigo também não acreditou, um verdadeiro brinde a todos nós.
Na fila do show. Paul McCartney entrou por esse portão na esquerda.
Após a abertura dos portões, entramos no estádio e guardamos nossos lugares. Enquanto se espera por um show desses, assunto é o que não falta, e me lembro até que acabei escutando The light that has lighted the world, de George Harrison. 

Novamente aquele DJ americano abriu o show, e novamente não prestei atenção. Por volta das 21:00 a apresentação acaba e os telões são ligados. Após 30 minutos de fotos e músicas da carreira-solo de Paul e dos Beatles, às 21:30, pontualmente, Paul McCartney sobe ao palco para contemplação dos 50.000 presentes. O interessante sobre um show desses é que o público não se resume ao Nordeste, encontrei gente de Niteroi/RJ na fila, e isso é só uma parte, com certeza tinha gente de todo o Brasil  em Recife/PE.
50.000 pessoas dentro do Arruda esperando o início do show de Paul McCartney.
Com o início do show veio a minha "apreensão". Desde o ano passado falava em ver Magical Mystery Tour ao vivo, e com o início do show veio a expectativa. Mas, Paul não desapontou e começou o show com ela, e continuou com Junior's Farm, do Wings e All my Loving, dos Beatles. Acho que perdi minha voz logo em Jet, mas não deixei de cantar Got to Get You Into my Life também. Em Sing the Changes parei para tirar umas fotos, mas o show continuou com The Night Before, dos Beatles, música que nunca tinha visto ser executado ao vivo e que Paul incluiu nessa On the Run tour.

Novamente Paul se esforçou para falar o máximo de português possível, como faz em todos os seus shows no Brasil. Depois de um tímido "Boa noite, Recife" e "Olá, pernambucanos", Paul surpreende e manda um "Povo arretado", para alegria de todos os Nordestinos presentes. O show continuou com as sempre presentes Let me Roll It (seguida de Foxy Lady, do Jimmi Hendrix), Paperback Writer e The Long and Winding Road. Ainda vieram Nineteen Hundred and Eighty-Five, dos Wings, e My Valentine, do novo álbum do Paul McCartney, Kisses on the Botton (2012). 

Agora, parem as máquinas!! Se tinha uma música que valeria a pena toda a viagem e todo o esforço, seria Maybe I'm Amazed, e foi tudo aquilo que eu achava e mais um pouco, acho que Linda McCartney deve se orgulhar, onde quer que ela esteja, toda vez que Paul executa essa música.

Depois de começar no baixo, ir para o piano, Paul volta para o violão e executa mais uma surpresa, Things We Say Today, do álbum A Hard Day's Night (1964), dos Beatles, seguida de And I Love Her, do mesmo álbum. Depois, ainda no violão, ele executou Blackbird e Here Today, seguida de Dance Tonight, com direito a coreografia do baterista Abe Jr. Depois veio simplesmente, a agora clássica da cerveja, Mrs. Vandelbilt, do Wings, seguida de Eleanor Rigby.  Um show desses possui tantos clássicos que você tem que escolher um para se sentar e salvar um pouco de energia, essa música acabou sendo Eleanor Rigby.
Paul McCartney no palco.
E quem disse que os momentos especiais acabariam? Depois de Magical Mystery Tour e Maybe I'm Amazed, veio Something, minha música favorita dos Beatles, e para quem acompanhou a resenha do ano passado, esse ano sim, consegui ligar para meu pai no meio da música. Esse ano pude ver todas as fotos de George Harrison no telão, à medida que Paul executava a música, e me foi dito por Schneider que aquelas fotos eram de Paul e George gravando Something, na época do álbum Abbey Road (1969).

Band on the Run, maior clássico dos Wings, foi executado com maestria, o que animou todo o estádio. Após ela aconteceu algo inusitado, alguém na pista prêmio gritou "Ringo, Ringo", Paul entendeu a mensagem e puxou o começo de Yellow Submarine, com direito a imagem do submarino amarelo no telão e tudo, foi um bom momento, de fato. O show continuou com a animada Ob-la-di, Ob-la-da e Back in the U.S.S.R, que no show ficou sendo "Back in M.S.S.R" (em alusão à cidade de Mossoró/RN). I've got a Feeling e A Day in the Life, seguida de Give Peace a Chance, de John Lennon, deram continuidade ao show, abrindo espaço para o que viria em seguida.

De volta ao piano, com luz de velas no telão, Paul inicia a emblemática Let it Be, seguida de Live and Let Die, e aí sim, com um verdadeiro show pirotécnico para explodir a cabeça de todos os presentes. Aquilo será de fato algo para ficar na lembrança, Paul não economizou nos fogos de artifício, uma explosão atrás da outra. Enquanto a fumaça ainda pairava no ar, o show continuou com Hey Jude, maior clássico dos Beatles.

A banda se despede do palco e volta para o primeiro bis trazendo uma bandeira do estado de Pernambuco e do Reino Unido, executando Lady Madonna, Day Tripper e Get Back, clássicos dos Beatles. Após pouca espera, Paul volta ao palco com Paul Wickens, nos teclados, e executa a épica Yesterday. Logo após, a banda inteira volta ao palco e executa a pesada Helter Skelter. E um show desses não podia acabar sem emoção, de volta ao piano, Paul dá início a Golden Slumbers, seguida de Carry That Weight e The End, faixas de encerramento do último álbum dos Beatles para encerrar um show em que a palavra "brilhante" não é capaz de descrever.
Público deixando o estádio após o show.
Bem pessoal, foi mais um show brilhante que tive a oportunidade de presenciar, talvez não tenha conseguido passar a emoção do que foi o show nessas palavras. E como diz Paul McCartney no encerramento do show: "Até a próxima".

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Resenha de shows: Lynyrd Skynyrd (13/11/11 - Paulínia/SP)


Para início de conversa, se alguém me perguntasse se um dia eu veria o Lynyrd Skynyrd ao vivo, eu provavelmente diria que não. Em mais de 40 anos de carreira eles nunca vieram ao Brasil, por que viriam logo agora?

Pois bem, quase como uma jogada de mestre a organização do SWU anunciou o Lynyrd Skynyrd como a sua atração principal para o domingo dia 13/11, na cidade de Paulínia/SP. Banda que para mim faz parte dos quatro pilares do rock'n'roll, espaço também ocupado pelo Pink Floyd, The Beatles e Iron Maiden.

Por se tratar de um festival, o show seria mais curto, porém não menos bom, e outras atrações dividiriam o palco com as lendas do rock sulista americano.

Aproximadamente às 15:30 a equipe Rock'N'Prosa aportou no Parque Brasil e se deparou com a imensa estrutura do festival, algo para cinema. Entramos ainda a tempo de escutar Zé Ramalho tocando Admirável Gado Novo, foi uma pena não ter assistido o show. Mas, tivemos a honra de assistir o excelente show do Tedeschi Trucks Band, que irei comentar melhor em outra ocasião. 

A chuva que caiu na cidade durante toda a tarde e noite não tirou a magia do festival, pelo contrário, o deixou melhor ainda. Ainda assisti de perto o grande show do Duran Duran e do Ultrage a Rigor. Foi uma pena ter visto somente o Peter Gabriel & New Blood Orchestra de longe, mas tinha que assegurar o meu lugar junto à grade para o Lynyrd Skynyrd.

Depois de quase 4 horas em pé e de muita dor no joelho, eis que finalmente chega a esperada hora do show do Lynyrd Skynyrd, e eles fizeram valer a pena a espera.

As lendas-vivas do rock sulista entraram no palco Consciência agitando com Workin' for MCA, seguida de I Ain't the One, dois grandes clássicos da fase clássica da banda. Após saudar o público, Johnny Van Zant, irmão de Ronnie Van Zant (vocalista da primeira formação do Lynyrd) anuncia Skynyrd Nation, do álbum God & Guns (2009). Essa música é meio que uma resposta para todos que diziam que o Lynyrd Skynyrd tinha acabado com o acidente de avião nos anos 70. A banda continua unida, apesar das "baixas", compondo músicas de qualidade.

Depois daí clássicos foi o que não faltou no show. A banda continuou o show com What's Your Name, That Smell e Down South Juckin', seguidas de I Got the Same Old Blues e I Know a Little.

Logo em seguida veio para mim o melhor momento do show. Johnny anuncia que a próxima música é dedicada a todos os ex-integrantes da banda, que como ele disse: "estão morando no paraíso do rock'n'roll". Depois do anúncio veio simplesmente Simple Man, cantada fervorosamente por todos enquanto que o telão exibia imagens dos membros da banda de todos os tempos, com destaque para Billy Powell, pianista da banda que faleceu no ano passado.
Lynyrd Skynyrd no SWU.
O Lynyrd ainda relembrou um antigo clássico de Jimmie Rodgers, que a banda tocava nos anos 70, T for Texas, que veio seguida de Gimme Three Steps, do primeiro álbum. Ainda teve espaço para Call me the Breeze e a clássica Sweet Home Alabama, com direito à bandeira dos Confederados presa ao microfone de Johnny, como seu irmão Ronnie gostava de fazer.

Em seguida a banda deixa o palco e pouco tempo depois volta para o bis. Johnny trazia agora as bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil presas ao seu microfone e anuncia a épica Free Bird, acompanhada por todos os presentes.

Após os 14 minutos de Free Bird, 10 só de solo, como é o costume, a banda encerra esse que é um forte candidato a "show do ano". O que me impressionou foi o nível de simpatia de todos, porque eu imaginava, por eles serem velhos, que ficariam parados o show inteiro, mas não, eles correram, pularam, interagiram bem com o público.

É claro que um show de bandas como o Lynyrd Skynyrd sempre vai deixar faltando "aquela música", se é que vocês me entendem. O set-list foi brilhante, mas confesso que queria ter visto Travelin' Man e Tuesday's Gone, mas tudo bem, fica para a próxima.

Então, web-leitores, esse foi o show do Lynyrd Skynyrd no SWU, espero que tenham gostado dessa resenha e até o nosso próximo show.

Para quem quiser assistir o show, o Multishow transmitiu ao vivo na íntegra, confiram abaixo:





segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Resenha de Shows: Deep Purple (07/10/11 - Fortaleza/CE)

Eu poderia começar essa resenha com uma propaganda da MasterCard. Ingresso R$70,00...traslado Mossoró-Fortaleza R$50,00...reviver o passado pisando na areia da praia...não tem preço.

Era de manhã cedo quando comecei a cansativa viagem de Natal/RN para Mossoró/RN, e logo em seguida, de Mossoró/RN para Fortaleza/CE. Cheguei no início da noite e fiquei aguardando a abertura dos portões junto com todo mundo. O local do show não poderia ser melhor, a Barraca Biruta na Praia do Futuro, pisando na areia e escutando as ondas do mar.

Uma arena foi montada na praia em frente à Barraca Biruta. O que me surpreendeu foi o tamanho da arena e mais ainda, o público presente, que lotou a arena. Eu arrisco dizer que umas 10.000 pessoas estavam presentes para ver as lendas-vivas do Deep Purple executarem os seus clássicos no palco.

A banda República, de São Paulo/SP, abriu a noite executando clássicos do rock'n'roll e músicas próprias. Um show até que legal, se não fossem a quantidade excessiva de covers clichês e a constante lembrança da própria banda de que o Deep Purple tocaria em seguida. Dica do Rock'N'Prosa: "Execute o seu show e não se importe com que vem depois".

Respeitando a pontualidade britânica, exatemente às 23:00 a introdução começa a soar e Ian Pace (bateria), Roger Glover (baixo), Steve Morse (guitarra) e Don Airey (teclado e sintetizador) assumem seus lugares e começam a tocar Highway Star, um grande clássico, com a companhia logo em seguida de Ian Gillan, nos vocais.
Deep Purple no palco.
Logo de início pude constatar que apesar de velhos, eles ainda tem muito rock'n'roll no sangue. As músicas, apesar da voz aparentemente cansada de Ian Gillan, ganharam uma nova atmosfera, dada a habilidade ao vivo da banda. Eu confesso que já escutei muito Deep Purple de estúdio, mas nunca escutei nada ao vivo deles. O que eu vi no show foi algo que beira o fantástico, eles incluíram muitas jams nas músicas, não sei se para dá um descanso aos vocais de Ian Gillan, ou se para complementar ainda mais as músicas.

O show continuou com Hard Lovin' Man e Maybe I'm a Leo, mostrando toda a técnica de Steve Morse na guitarra. E logo em seguida veio mais um clássico, Strange Kind of Woman, para levantar novamente todos os presentes. Apesar de ser uma banda antiga com muitos clássicos, o Deep Purple soube dosar, executando clássicos e novas composições, o que deixou o show interessante, no meu ponto de vista. Um show lotado de clássicos é um show explosivo, um show em que você praticamente não presta atenção na banda porque está cantando as músicas, mas um show como o Deep Purple fez, faz você parar e observar a banda executando as músicas com maestria.

Ainda estiveram presentes Rapture of the Deep, Mary Long (a surpresa da noite) e Contact Lost, seguida de um fantástico solo de guitarra de Steve Morse. Essa foi uma das minhas partes favoritas do show, no final do solo a banda chegou junto e Ian Gillan iniciou When the Blind Man Cries, seguida de uma chuva de aplausos. Após esse clássico a banda ainda executou Lazy e outra pedreira, Knocking at your Back Door, música que depois do show já ficou sendo a minha favorita do Deep Purple, foi muito bem executada.
Don Airey e seu jogo de teclados e sintetizadores, no melhor estilo John Lord.
Logo após a banda executa No One Came e deixa o palco, ficando somente Don Airey, no seu estilo Charles Bronson, imerso no seu universo cheio de teclados e sintetizadores. Ele inicia sua viagem executando clássicos da música como Bach e Vivaldi, chegando até a executar Villa-Lobos. No final do seu solo ele emenda com o grande clássico Perfect Strangers, sendo acompanhado pelo restante da banda, outro grande momento do show. E daí em diante clássicos foi o que não faltou, vieram Space Truckin' e nada mais nada menos que Smoke on the Water, cantada por todos os presentes.

A banda deixa o palco, e com pouco tempo volta para o bis. Após uma breve jam a banda inicia Hush, do Billy Joe Royal, acompanhado por um solo épico de Ian Pace na bateria. Eu confesso que já vi muito baterista veloz, mas nenhum tem a técnica que Ian Pace tem, não tenho palavras para descrever aquilo. Antes de encerrar a noite, todos ainda foram brindados com um solo de baixo de Roger Glover (a simpatia em pessoa, vale salientar) e em seguida Ian Pace puxou Black Night, mais um grande clássico para encerrar de vez esse grande show.
o bom velhinho Roger Glover e Ian Pace, mestre da bateria.
Como falei no início da resenha, a viagem foi cansativa, mas valeu a pena cada kilômetro rodado para assistir o show. Mesmo com mais de 40 anos de carreira, os caras continuam mandando muito bem, e sem contar na oportunidade de poder ver lendas-vivas do rock'n'roll, não é todo dia que isso acontece.

É isso, web-leitores, espero que tenham gostado dessa resenha, e até o nosso próximo show.