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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os Melhores do Ano 2014


O ano está acabando e decidi fazer algo que nunca fiz nesses 4 anos de Rock'N'Prosa, listar os melhores do ano. Mas, por onde começar? Não dá para separar categorias. Então, decidi pegar um pouco de tudo: metal e rock nacional e internacional. Incluí tudo no mesmo pacote e eis que vamos montar essa seleção aqui no blog. Espero que gostem.

Para começar esses comentários nada melhor do que um momento histórico. Quando comecei a escutar rock/metal (o que inclui todas as vertentes) o Pink Floyd, uma de minhas bandas favoritas, já havia acabado. Nesse ano, tive a oportunidade de vivenciar um lançamento de um álbum do Pink Floyd, de todas as formas possíveis -- com o anúncio das músicas, a premiere do clipe, os formatos lançados, etc. -- o que aumentou ainda mais o grau de incersão nessa experiência. Instrumental -- chato ou não --, é Pink Floyd, e isso merece respeito. Escutei o álbum Endless River (2014) e gostei. É uma experiência diferente de tudo o que o Pink Floyd proporcionou em sua discografia. Certamente é um álbum para ter na coleção, não só pela qualidade das composições (que, diga-se de passagem, o processo de montagem -- a partir dos fragmentos de gravações do Division Bell (1993) -- ficou coerente, gerando músicas muito boas), mas pelo teor histórico também, por termos uma obra póstuma de Rich Wright.
capa do Endless River (2014).
Ainda na levada do progressivo, o Opeth nos apresentou o Pale Communion (2014) neste ano de 2014. Um dos álbuns mais "prog" de sua discografia, com ausência completa de vocais guturais. A riqueza musical é muito grande no álbum, com poucas partes pesadas, mas muitas partes marcantes, por assim dizer. A faixa-introdutória Eternal Rains Will Come, foi uma das músicas que mais escutei nesse ano, a sequência instrumental é fantástica. Esse álbum recebeu nota 10 na maioria das resenhas realizadas, e só não recebeu aqui no Rock'N'Prosa porque não costumo colocar notas nos álbuns.
capa do Pale Communion (2014).
Pegando o navio para o Brasil, tivemos o lançamento do Noturnall (2014). Uma nova banda formada pelos ex-integrantes do Shaman e Aquiles Priester. Banda pesada, sem amarras -- pelo menos complemamente -- do metal melódico. Composições maduras e marcantes, como Nocturnall Human Side e Hate!, músicas que certamente se tornarão clássicos dessa banda. Eles lançaram um DVD, com o primeiro show, em São Paulo/SP, e estão em turnê pela Europa, depois de fazer uma turnê pelo Brasil. Os desejos do Rock'N'Prosa é que eles cresçam ainda mais, porque presenciei a quantidade e zelo que eles têm com o trabalho. Ficaremos no aguardo de mais um álbum.
capa do LP Noturnall (2014).
Ainda no Brasil, uma banda que vem ganhando muita atenção, principalmente pelo seu profissionalismo é o Project46. O álbum Que Seja Feita a Nossa Vontade (2014) traz uma qualidade em composições muito grande, e melhor, pesadas! É muito difícil fazer música pesada de qualidade, porque normalmente só escutamos um barulho, sem distinguir os instrumentos, e isso não acontece com o Project46. Só tenho uma coisa para dizer: Anotem esse nome. Com certeza, daqui a alguns anos, essa banda será o maior destaque do metal nacional.
capa do Que Seja Feita a Nossa Vontade (2014).

capa do ...In the Dock (2014).
Ainda nessa levada do Project46, trazendo a peteca para o Rio Grande do Norte, tivemos o lançamento do ...In the Dock (2014), pelo Bones in Traction. O excelente EP de estréia deles traz muita diversidade musical, dentro do universo pesado do Pantera, e também é um dos destaques do ano. Eles já devem estar trabalhando no seu próximo álbum e promessas de muita coisa boa vêm por aí, também fiquemos no aguardo.



capa do Blind Rage (2014).
Para encerrar essa lista de melhores do ano, fiquemos com essa banda que já foi grande, encerrou as atividades e decidiu voltar produzindo os melhores álbuns de toda a sua carreira, o Accept. Foram obras atrás de obras, Blood of the Nations (2012), Stalingrad (2012), um melhor do que o outro, e agora, Blind Rage (2014). Não é segredo para ninguém que o Accept é um dos maiores destaques do metal mundial na atualidade. O Blind Rage (2014) não é o Blood of the Nations (2010) -- o melhor álbum de TODA A CARREIRA do Accept, não tenho medo de admitir isso -- mas, ainda é um excelente álbum e um dos maiores destaques desse ano de 2014. Stampede compete junto com Teutonic Terror e Metal Heart no posto de clássico do banda.



É isso, web-leitores, espero que tenham gostado. Se por acaso esqueci de algum álbum, fiquem à vontade para sugerir aqui nos comentários. Até 2015!!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Dica, Resenha...Escute esse negócio!


Faz muito, muuuuito tempo mesmo que estou devendo esse resenha aqui no blog. Dívida mesmo, sei que não ganhei (nem ganho) nada com o blog, nem cobro por isso. Nunca ganhei um CD de presente para ser resenhado, etc, mas, faço tudo porque gosto mesmo, nunca vou exigir isso de ninguém. 

Ainda era 2011, quando subindo no palco pela primeira vez com o Godhound, enquanto estava nervoso pensando no show, uma banda chamada Dead Pixel estava tocando um grunge no palco do Dosol, em Natal/RN, terminando o show, as figuras descem do palco e dizem: "Botem para descer lá, galera!".

Naquele dia, a banda formada por Rafaum Costa e Thassio Martins -- não lembro se Andola estava na bateria na época -- estava fazendo um show pela primeira vez com o nome de Mad Grinder, fato que eles enalteceram lá no show. Continuei esbarrando com o Mad Grinder nos rock'n'roll's dos domingos em Mossoró/RN, no Carcará, ou nos sábados no Centro Cultural DoSol Mossoró -- o contato com o som da banda foi só aumentando.
Mad Grinder (da esquerda para a direita): Andola Costa, Rafaum Costa e Thassio Martins.
Não sou um grande fã de grunge, nunca fui muito do lado "Nirvana" (fui para o lado "Iron Maiden" na época), mas aprendi a respeitar e melhor, curtir o som do Mad Grinder. A banda pareceu querer ensinar isso quando lançou em 2013 o EP Smoke (2013). O EP traz uma sonoridade "crua", comparado com o que vinha depois -- mas, esqueci de adicionar o "instigante" à descrição --, como a clássica (dêem-me licença para considerar essa música assim, porque realmente o é) Black Sunday. O agudo do refrão é algo que levanta o cabelo do braço, e ao vivo, é melhor ainda do que no CD. Ela é uma música que sempre gosto de escutar, e aponto -- já no primeiro trabalho -- como um dos pontos mais altos da carreira do Mad Grinder. Outro destaque é a sempre presente nos shows, Billy, foi um encerramento para o EP à altura. De todos os trabalhos deles até agora, esse EP foi o que mais escutei, e tenho orgulho de ter minha versão autografada por Rafaum, é algo que guardo na coleção.
capa do Hitting Around (2013), arte de Sabrina Bezerra.
Ainda em 2013, agora mais perto do fim do ano, o Mad Grinder lança outro álbum, agora um álbum de inéditas. Na verdade, o Smoke (2013) foi gravado em 2012, mas só lançado em 2013, as músicas eram mais que conhecidas de todos, que iam aos shows desde 2011. Entretanto, com Hitting Around (2013), o Mad Grinder nos apresentou uma sonoridade diferente, um som amadurecido pelos shows em 2012/2013. A emblemática I'm Fine, outra de minhas favoritas, abre esse novo álbum, continuando com Hitting Around, outra sempre presente nos shows. O riff de Hitting Around fica grudado na sua cabeça e o refrão, onde Thassio e Rafaum cantam juntos, ficou muito bom. Um dos pontos que mais gosto do Mad Grinder, e tento trazer isso para meus projetos também, é a alternância nos vocais. Thassio possui um vocal mais "Kurt Cobain" e Rafaum tem uma voz mais limpa, mas, que fica rasgada quando preciso. O entrosamento do power trio é indiscutível, o show é bastante centrado, sem lacunas. Continuando no álbum, a sombria Mr. Doom encerra de maneira pesada (está pensando que grunge não tem peso? Estou dizendo isso para mim mesmo). Gostei muito do riff dessa música, com um pouco de notas dissonantes aliadas a um vocal rasgado e agudo. O ponto principal de Hitting Around (2013), para mim, é a complexidade da parte instrumental. O que o antecessor tinha de "cru" -- no sentindo de ser direto ao ponto, gerando músicas fáceis de ouvir -- esse novo tem de complexo. As músicas ganharam meio que um ar "prog", por assim dizer, o que -- na minha opinião -- enriqueceu e muito o som do Mad Grinder.
capa do Cold Tombstone (2014).
Essa riqueza no som foi trazida para o Cold Tombstone (2014), EP lançado em 2014 e trabalho mais recente do Mad Grinder. Devido aos caminhos da vida, acabei perdendo um pouco do contato com toda a cena do rock, isso também é resultado do fechamento do DoSol Mossoró. Depois de todo o ano, acabei tendo contato novamente com eles no Festival DoSol 2014, onde adquiri a minha versão do EP. Logo de cara, percebi um tratamento totalmente diferente da produção, com a introdução de novos efeitos nas músicas, resultado da experiência que eles foram adquirindo -- fizeram até turnê nacional e pela América do Sul nesse período. Tudo isso que falei está retratado em Old Tales, meio que mistura o Mad Grinder "cru" do Smoke (2013), com o moderno "prog" do Hitting Around (2013), foi muito bom o resultado. O EP ainda traz a nova "Black Sunday", a já -- para mim -- clássica, Jr. A primeira vez que escutei ela foi no show do Festival DoSol, e lembro que assim que entrei no carro, saí procurando ela no CD, para escutar novamente (na época não sabia o nome da música). A música traz uma introdução poderosa, com um riff marcante, com toda aquela atmosfera grunge (novamente digo, não tenho autoridade no assunto, pode ser que esteja comentendo algum deslize). O vocal de Thassio abre a música, começando grave e depois indo para o agudo, enquanto mantém a mesma base -- sou muito fã dessa técnica -- chegando, logo em seguida, no também marcante, refrão. Ela não tem o agudo de Black Sunday, mas o é refrão forte. Novamente digo, é um forte candidato a clássico. O EP ainda traz a quase-acústica Killing my Ghosts, que inclui uns efeitos um pouco distorcidos, gostei do trabalho que foi feito com a bateria, deixando o som bem de fundo, meio que abafado (com volume reduzido). Encerrando esse trabalho, temos a sombria Something More, dizendo que -- com perdão para o trocadilho -- vem mais por aí.

A banda está ainda na ativa e novos trabalhos virão, com certeza. A expectativa é que próximo ano eles lancem um álbum, já que tivemos um EP esse ano -- Rafaum tinha me dito há certo tempo que tentariam manter esse ritmo. Vamos torcer para que continue. O que gosto de ver diversos trabalhos assim é ver o amadurecimento da banda entre um trabalho e outro, isso é o que gera a expectativa por um próximo álbum.

Então, web-leitor, você que chegou até aqui nessa dica misturada com resenha de toda a discografia do Mad Grinder, só me resta dizer: Para de ler e...Escute esse negócio!!


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Aquilo que um dia acabou


Às vezes eu sento e fico pensando em parar. É um gesto simples, basta abrir a página e fechar o seu acesso. Mas, eu começo a pensar em tudo o que passei com o blog, em como ele me ajudou a passar o tempo, a externar minha opinião. São nessas horas que tiro esse pensamento "excluidor" da cabeça. O ritmo de atualizações não está bom, mas me esforço para voltar ao máximo a publicar. O Rock'N'Prosa não é minha fonte de renda, e nunca será, porque ele começou e sempre será independente. Meu tempo, atualmente, está dividido entre a produção acadêmica -- no meu emprego como professor (e pesquisador) --, produção literária (na minha nova aventura como escritor) e produção musical (com os álbuns vindouros do Godhound, Rentry e Folie a Deux). Com isso tudo o blog acabou por "pagar" um pouco do preço.

Essa enxurrada de projetos acabam por tirar um pouco da criatividade para novas publicações, e acabou que, no meio da escrita dessa postagem surgiu uma ideia para uma publicação.

Durante essa trajetória do rock'n'roll, muitas bandas começaram, tiveram seu auge e simplesmente surgiram. Uma delas voltei a escutar recentemente, depois de muito tempo.

Uma das primeiras bandas que escutei de rock foi o Nevermore. Na época, por volta do início dos anos 2000 -- estou até soando "velho" ao pensar nisso -- eles tinham tudo para ser os herdeiros do legado do rock. O bastão segurado pelos Metallica's e Iron Maiden's certamente seria do Nevermore, era a minha impressão.
Jeff Loomis, a máquina de riffs do Nevermore.
Warrel Dane e sua voz singular.
Escutei muitas vezes o Dead Heart in a Dead World (2000), faixas como Narcosynthesis imbuíram um peso grande na minha formação rock'n'roll, lugar que não tinha espaço -- para quem começa a escutar. Believe in Nothing, "baladinha" e primeira faixa que escutei deles, até hoje é uma das minhas favoritas. E, o que falar da -- mais nova, para mim -- The Heart Collector? Uma faixa completa, por assim dizer, que dá vontade de cantar alto sempre que escuto.

Seguindo mais no tempo, me vejo com o Enemies of Reality (2003), do grande Dalmo, nas minhas mãos. Aquela capa forte, com aqueles vermes saindo da boca da pessoa. Álbum com a mesma linha do antecessor, trazendo peso em Enemies of Reality e a clássica do DVD da Rock Hard, Who Decides. A balada -- marca registrada dos trabalhos do Nevermore -- Tomorrow Turned Into Yesterday também abrilhanta o trabalho.
capa do Enemies of Reality (2003).
Fechando o ciclo, para mim, infelizmente, porque foi justamente o ponto onde perdi contato com eles, vem o This Godless Endeavour (2005). Capa "dark", como é típico, e faixas pesadas, como também é típico. A rápida Born, lembrando os tempos de Narcosynthesis e a emblemática Final Product, com um dos melhores clipes que já vi até hoje.
capa do This Godless Endeavour (2005).
Olhando para a história do Nevermore, sempre achei esse álbum como uma despedida. Logo após seu lançamento veio o esperado DVD The Year of the Voyager (2008), show em casa de show pequena, muito explosivo e recheado de clássicos. Esse DVD, adquirido recentemente, foi o que motivou a minha volta ao Nevermore, desde 2005 eu não ouvia nada a respeito deles e esse produto -- produto final? -- atiçou essa vontade pelo peso de sua música novamente. Vendo hoje o que aconteceu com a banda. eles lançaram o The Obsidian Conspiracy (2010) antes de encerrar de vez as atividades da banda. O guitarrista Jeff Loomis, responsável pelos grandes riffs da banda, foi a mola mestra no processo, ao decidir deixar a banda.

Felizes de nós que acreditamos na imortalidade da música. As ondas sonoras produzidas não podem ser interrompidas, mesmo hoje sem o Nevermore, podemos parar e escutar sua obra, vivenciando esses grandes clássicos. Assim como Alcione mandou não deixarmos o samba morrer, nós, como fãs de música, não devemos deixar o metal morrer. Vida longa à música.

Para celebrar, fiquem com o clipe de Final Product, do This Godless Endeavour (2005).


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ossos pesados e resistentes


Começando logo com o trocadilho do título, mas é isso que define esse trabalho tema hoje aqui no Rock'N'Prosa. Som pesado, de quebrar qualquer fragmento de matéria, mas capaz de aguentar qualquer tensão que seja aplicada ao som. É nesse clima de destruição que comecei a audição do debut dos mossoroenses do Bones in Traction, ...In the Dock (2014).

Lançado pelo selo Rising Records, que lançou o recém-comentando álbum do Primordium, o debut do Bones in Traction vem firmar a banda no cenário de destruição do rock'n'roll mossoroense. A banda encabeçada pelo grande Vicente Andrade -- amigo e baterista com quem tive o prazer de dividir o palco no Godhound -- conseguiu socar todo o seu ódio em 6 faixas, sendo uma instrumental, e esse trabalho acaba de ser lançado. A pedreira foi produzida por Cássio Zambotto, que trabalhou também com o Monster Coyote -- outra banda mossoroense que prepara mais um álbum, aguardemos.

versão física do ...In the Dock (2014), do Bones in Traction.
A pancada é iniciada logo com o som dos protestos em God Bless, que abre espaço para Grain by Grain. Bateria se destacando em meio aos riffs pesados de guitarra extremamente saturada. Os vocais de Plinio Marcos logo marcam presença, com uma voz lembrando um Max Cavallera barítono. Gostei do refrão da música, trazendo peso -- contrastando com a velocidade da música. Destaque ainda para a ponte cantada em português, um dos pontos altos da música. A quantidade excessiva de solos Kirk Hammet tirou um pouco das magias do riffs, que são muito bons, mas, o conjunto da obra ficou com uma sonoridade boa.

Quase emendada com Grain by Grain está Hell to the King, continuando com os riffs pesados seguidos de vocais marcantes, que ficam martelando na sua cabeça. Destaco mais uma vez o trabalho realizado pela a bateria, fiquei imaginando os álbuns do Rush, enquanto escutava essa música, porque em muitos momentos -- assim como fazemos com Neil Peart -- ficamos prestando atenção à bateria ao invés do resto da música.

Seguido dos sons de protestos vem, na velocidade de um tiro (perdão para o trocadilho), a rápida Rubber Bullet. Riffs rápidos, quase no estilo Death Metal, com bateria marcando sempre no pedal duplo. A música ainda abre espaço para uma parte mais "quebrada", trazendo um ritmo mais lento, só que ainda pesado. Dos solos da música, gostei do solo executado no final, tem uma boa variação harmônica e a mudança de base realmente ficou boa. Achei que foram incluídos solos -- sem querer criticar a composição e já criticando -- em lugares onde não caberia um solo, mas, isso não é aplicado para esse em questão, ficou realmente muito bom.
Bones in Traction.
O EP é encerrado com Depression -- a minha favorita do EP, com o seu refrão apoteótico e que dá vontade de cantar junto sempre que escuto -- e Modern Man. Bases disonantes contrastando com riffs pesados. Achei, musicalmente, a música mais completa do EP, por assim dizer. Muitas variações rítmicas, tanto no instrumental quanto nos vocais. Gosto de escutar uma última música desse jeito, porque aumenta a expectativa para próximos trabalhos, mostra que a banda ainda tem capacidade criativa de continuar produzindo mais músicas pesadas de qualidade.

Então, web-leitores, para vocês que curtem um bom Groovy Metal (ou como queiram rotular o estilo), está mais que recomendado o novo trabalho do Bones in Traction. Rock'N'Prosa recomenda.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mais imortais do que nunca


Finalmente parei para assistir -- depois de escutar apenas uma vez o 13 (2013) -- o mais recente DVD do Black Sabbath, Live...Gathered in their masses (2013). A minha expectativa não era grande, dada a idade dos mestres do heavy metal, mas acabei por me surpreender.

O principal propósito do show do Black Sabbath é apenas reunir os fãs em torno de um único elemento: a música. A música do  Black Sabbath é a atração principal do show. Não é Tony Iommi, com seus riffs sensacionais; não é Ozzy com seus pulos e baldes de água; não é Geezer Butler com seu drive poderoso no baixo; e nem Tommy Clufetos, substituindo Bill Ward, e roubando a cena na bateria -- fazendo um show a parte. 
capa do DVD/Bluray Live...Gathered in their Masses (2013).
A música parece ter vida própria, ela carrega toda aquela energia gerada desde o Black Sabbath (1970). Não tem como não se arrepiar quando War Pigs começa a soar e o público a cantar, ou quando o sino anuncia Black Sabbath e o Geezer começa N.I.B. A banda destrinxa -- durante 1 hora e 40 minutos -- seus grandes clássicos dos anos 70 (da fase Ozzy), com espaço ainda para Sympton of the Universe, Faries Wear Boots, Children of the Grave e Iron Man. Novamente, músicas com vidas próprias. Basta escutar para sentir a energia. O show ainda abriu espaço para músicas novas, do recém-lançado 13 (2013), primeiro álbum de inéditas da formação clássica do Black Sabbath desde 1979, destaque para as poderosas End of the Beginning e God is Dead?, magistralmente executadas ao vivo.

Assistindo as primeiras imagens do show, esqueci na mesma hora que Bill Ward não estava ali. Tommy conseguiu assumir o seu papel na banda -- como músico convidado -- mas, executou as músicas de um jeito brilhante (e com um pegada forte) que fez todos os fãs do Sabbath pensarem a mesma coisa. Estilo de tocar simples, sem muito "enfeite" (como qualquer baterista tentaria fazer), o que resultou em pegadas marcantes e poderosas para a bateria.

A execução de Geezer e Tony está excelente, como sempre, e o vocal de Ozzy, bem, o mesmo de sempre (para você que me entende). No final do show, a introdução de Sabbath Bloody Sabbath abre espaço para Paranoid, maior clássico do Black Sabbath, por assim dizer.
Black Sabbath ao vivo (da esquerda para a direita): Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi.
Enquanto o Black Sabbath deixava o palco, imaginei o tamanho daquela relíquia que tinha ali nas minhas mãos. Esse show será algo que ficará marcado para sempre na história do rock, sem querer puxar o saco. Aquilo não é um show qualquer, é um show da maior lenda do rock'n'roll (ou heavy metal), na turnê de um álbum de inéditas -- é algo para celebrar, com certeza. Se virão mais álbuns? Dificilmente. Mais shows? A mesma coisa, pouco provável, dada a idade dos integrantes.

O que fica para mim, que não pude ir ao show deles no Brasil, é a lembrança daquele período. O período em que um dos maiores expoentes da música voltou à vida e mostrou um pedaço de sua arte (e poder) para todo o mundo, não só para os que viram ao vivo, mas para os que viveram aquele período do ano de 2013, marcado pelo lançamento do álbum e turnê.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Faraós Brutais


Você com certeza já deve ter visto toda a saga da "Múmia" na Temperatura Máxima (ou Sessão da Tarde) e ficou com vontade de ver aquele filme com uma trilha-sonora melhor, não? Não precisa ir mais longe. Existe salvação.

Natal/RN é onde está a pirâmide dos faraós do metal -- o Primordium (perdão para o título, sei que ficou "tosco"). A banda formada por Gerson Lima (vocal), Lux Tenebrae (guitarra), João Felipe Santiago (baixo) e Lucas Praxedes (bateria) está lançando seu primeiro álbum, Todtenbuch (2014), pelo selo Rising Records, do grande Luciano Elias.
capa do Todtenbuch (2014), do Primordium.
A epopéia de 11 músicas começa com uma introdução que leva o nome do álbum, já ambientando os nossos ouvidos para tudo o que vem. Ventos e toda aquela atmosfera "citara", seguido de alguns mantras (obscuros e guturais), introduzem o álbum, que não perde tempo e já adiciona todo o peso em Curse of Imhotep -- riffs rápidos, pesados e vocais guturais (puro death metal). Com pouco tempo de música, já dá vontade de pegar uma espada (simitar, de preferência) e sair matando múmias e espectros de Anubis no deserto do Saara -- no melhor estilo "Retorno da Múmia". O instrumental é rápido e bem trabalhado ao mesmo tempo, alternando partes rápidas com partes mais "melódicas", por assim dizer, com direito a corais ao fundo -- o que torna o ambiente ainda mais egípcio.

O peso continua com Mummified e com a veloz Gates of Re-Stau, com direito a "metrancas" potentes. Apesar de não ser um fã assíduo de death metal, não achei essas músicas "barulhentas", consegui entender todas as passagens, o que achei um ponto positivo do álbum, até então. Riffs claros, até os mais rápidos não ficaram "embolados", como acontece com muitas bandas, os vocais também não deixaram a desejar, resultado de uma boa técnica.

A música nem bem acaba, e os teclados de Legion já começam a soar, em uma breve introdução, para dar prosseguimento com a brutalidade do álbum. Legion foi a música que mais chamou a minha atenção, os riffs são muito bons e a variação rítmica da música também é excelente -- alternando partes velozes, com melódicas e, depois, pesadas. Corais também estão presentes. Musicalmente, foi uma das músicas que mais se destacaram para mim.
Primordium.
Depois de Transcending, trazendo de volta a velocidade do estilo, temos a faixa-interlúdio Khmunu, fazendo uma extensão de Todtenbuch, com direito a ventos egípcios (tem que ser "egípcios") soprando, tambores (fazendo lembrar Overture, do Iced Earth) e até um dedilhado no violão acompanhado de um violino. Tudo isso introduz Glory of Rá, com direito a solos de guitarra do grande Paulo Henrique Dantas (Kataphero -- excelente banda, também recomendo). Os riffs poderosos voltam a marcar presença em Pillars of Eternity, e o álbum é encerrado com as pesadas Negative Confession e Osiris (fiquei imaginando elas ao vivo, acho que soariam bem -- na verdade, o Godhound até tocou junto com o Primordium em um Circuito Cultural da Ribeira, só acabei não tendo como acompanhar o show deles por inteiro).

Como falei, apesar de não ser meu estilo de música favorito, acabei a audição do Todtenbuch (2014) com uma boa impressão. A versão física do álbum também está muito boa, com artes que casam perfeitamente com o estilo de música, ambientando não só seus ouvidos, mas seus olhos, ao ambiente egípcio e de maldições de faraós.

Para quem quiser adquirir o álbum, entre em contato diretamente com o pessoal da banda (através da fanpage -- acesse AQUI) ou através da Rising Records (pelo Facebook -- acesse AQUI). 

Esse lançamento tem o selo Rock'N'Prosa de aprovação. Até a próxima, headbangers, e que 2014 ainda nos traga mais lançamentos assim.

domingo, 10 de agosto de 2014

Ao vivo em Atenas


"Pensem naquelas mulheres de Atenas", dizia Zizi Possi. Mas, ela não deveria estar pensando apenas nelas quando cantou essa música. Pensem também nos fãs de rock'n'roll de Atenas, meus amigos.

Por que exatamente estou falando dessa localidade? A resposta é simples. Se temos grandes álbuns ao vivo gravados no Brasil, por diversos artistas, o mesmo não pode ser dito -- em partes -- sobre a Grécia. Se olharmos por cima, não conseguimos apontar grandes álbuns ao vivo gravados por lá. No Brasil tivemos o DVD Amazônia (2010), do Scorpions, o Rock in Rio (2002) e Rush in Rio (2003), do Iron Maiden e Rush, respectivamente, só para citar alguns.

Mas, nem toda banda se atreveu a ir à Grécia e levar sua "discografia" para lá. Por isso, decidi dedicar essa postagem a essa terra especial, desprezada por alguns.

Em 1999, contra todas as possibilidades, o Iced Earth levou a sua turnê do Something Wicked This Way Comes (1998) até o The Rodon, localizado em Atenas, e não só eles levaram a turnê, como também gravaram o que se tornou -- para mim -- um dos melhores álbuns ao vivo de toda a história do rock, o Alive in Athens (2000). Não bastava estar apenas tocando em Atenas ("live"), a banda precisaria estar viva ("alive") na capital da Grécia. E foi assim, que durante 2 dias, o Iced Earth desfilou seus clássicos para os gregos. Músicas, cantadas fervorosamente por todos, ganharam vida nova na captura dos shows, e tudo isso foi refletido no poder do Alive in Athens (2000).
capa do Alive in Athens (2000).
O Alive in Athens (2000) foi lançado como CD duplo (com o melhor das duas noites de show) nos EUA e no resto do mundo, mas uma versão especial saiu na mesma época -- em edição limitada -- no Brasil. A versão em CD triplo, contendo todo o áudio dos dois dias de show (com exceção de Colors -- que foi lançada posteriormente no Melancholy E.P (2001)) também foi disponível no mercado. Essa versão é uma verdadeira coletânea do Iced Earth, com o que de melhor tínhamos até aquele momento. Ao todo, são 34 faixas de puro heavy metal, com destaque para Watching Over Me, simplesmente, a melhor versão (incluindo até os lançamentos recentes) dela em todos os trabalhos da banda.

A segunda dedicatória ao povo grego veio recentemente. O Scorpions lançou em 2001 o famoso Acoustica (2001), acústico gravado em Lisboa. O sucesso foi tamanho que os fãs passaram a "cobrar" um novo acústico. Eis que, em 2013, o Scorpions MTV Unplugged (2013) foi gravado. E onde foi isso? Exatamente em Atenas.
Scorpions na gravação do seu acústico em Atenas.
Foi a primeira vez que um acústico da MTV era gravado ao ar livre, e os gregos tiveram o privilégio de presenciar esse feito. Diferentemente do Acoustica (2001) -- que deu prioridade às baladas românticas -- o MTV Unplugged (2013) trabalhou as músicas mais "pesadas", dando uma nova roupagem a elas. Clássicos como Blackout, Big City Nights e Speedy's Coming, ganharam novos arranjos e foram adequados ao som "acústico". Os destaques do show ficam por conta de In Trance e When the smoke is going down -- soaram muito bem. Além dos clássicos, tivemos ainda espaço para novas composições, como a "quase-country" Dancing in the Moonlight.

Então, ficam aqui registrados esses dois grandes trabalhos, de duas grandes bandas, que escolheram a Grécia para fazer parte de sua história. E se mais capítulos vierem daqui para frente, esperemos uma energia tão boa quanto a desses trabalhos. Pois, os gregos merecem.

sábado, 10 de maio de 2014

Um acústico sem cara de acústico


Quase todo mundo cresceu com a geração dos Acústicos MTV. Se formos para os EUA, temos os clássicos acústicos do Nirvana e do KISS. Aqui no Brasil, podemos citar o do Gilberto Gil e dos Titãs, para representar todos. Recentemente a MTV voltou a lançar a sua série "Unplugged", com o Scorpions, grande acústico.

Mas, uma geração de acústico que a MTV deixou passar foram os "acústicos pesados". Está bem, acabei de inventar esse nome. Esse estilo de fato não existe. Mas, é justamente sobre ele que vamos falar hoje aqui no Rock'N'Prosa.

Não é fácil uma banda tipicamente pesada transformar seu som em um "acústico", aqui no Brasil o Hangar fez isso muito bem (o que inclusive já foi tema de postagem aqui no blog, clique AQUI). Essa dificuldade acaba por se transformar em uma musicalidade muito grande no respectivo trabalho, dada a imensa habilidade -- e cabeça aberta -- dos músicos do nosso rock'n'roll. Isso foi o que acabou por está representado nos dois últimos trabalhos do Black Label Society: The Songs Remains not the Same (2011) e Unblackened (2013).
capa do Unblackened (2013).
Escutei várias vezes o Songs Remains not the Same (2011), com versões acústicas de músicas do Black  Label Society, como Overlord e Parade of the Dead, além de brilhantes covers, como Junior's Eyes (do Black Sabbath) e Bridge Over Troubled Water (do Simon & Garfunkel). Todas versões mágicas, mas com um tom diferente. Um pouco de solo de guitarra distorcido pode ser escutado em meio aos pianos e violões.

Essa "ousadia" foi o que impulsionou a gravação do Unblackened (2013), novo álbum ao vivo do Black Label Society. Eles decidiram levar o Songs Remains not the Same (2011) para os palcos no dia 6 de março de 2013, em Los Angeles, mas de um jeito diferente, desprendendo-se ainda mais dos violões. O que me surpreendeu logo de cara foi que eles não executaram nenhuma música do acústico de estúdio no show. Ao invés disso, incluíram versões leves de músicas pesadas do Black Label Society, como Stillborn, e músicas já leves da discografia deles, como In This River e Won't Find It Here.

Zakk Wyld, um dos melhores guitarristas em atividade no mundo.
O que gostei também foi da inclusão de músicas do Pride & Glory, projeto do Zakk Wylde "pré-Black Label". Eles abriram o show logo com Losing Your Mind -- uma das minhas favoritas desse projeto -- e ainda executaram Machine Gun Man (outro clássico), Sweet Jesus e Lovin Woman. Todas do Pride & Glory (1994), um álbum que merecia estar na nossa Galeria de Clássicos.

A sonoridade não se assemelha a nada com um acústico MTV, com aquele som seco e meio sem vida. Zakk Wylde é um gênio da música, ele conseguiu dar cara nova às músicas do Black Label Society, só que sem deixá-las mortas. A inclusão de efeitos de guitarra nas músicas deu um charme a mais ao show, não ficou um som "distorcido", mas também não ficou "limpo", se é que me fiz entender bem. Na verdade, não é correto chamar esse trabalho de "acústico", como chamei no título, vamos chamá-lo apenas de "Unblackened".

Resumindo, esse é um item único na discografia do Black Label Society. Um show para quem curte rock'n'roll e acima de tudo, para quem curte música, e não fica esperando guitarras oitavadas em todos os sons. É um item que mostra toda a capacidade musical do Sr. Zakk, e dos músicos do Black Label Society.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nós também fazemos covers pt. VII


Já faz quase um ano que não dou continuidade à coluna dos "covers" aqui no Rock'N'Prosa. Mas, antes tarde do que nunca, não?

Na verdade, já tinha até esquecido dessa série de postagens, mas ao escutar o novo álbum do Iced Earth, Plagues of Babylon (2014), voltei a me lembrar dela. Ainda estou devendo a resenha do álbum, que diga-se de passagem, é um grande álbum - superior ao Dystopia (2011), na minha opinião.

No final do álbum, o Iced Earth decidiu fazer um cover de um dos maiores hinos do country, Highwayman, do Jimmy Webb.

A música original é cantada pelo supergrupo "The Highwaymen", formado por Willie Nelson, Johhny Cash, Waylon Jennings e Kris Kristofferson. Claro que o Iced Earth manteria a ideia do "supergrupo", então, gravou a sua versão com Russel Allen (Symphony X), Michael Poulsen (Volbeat), Stu Block (Iced Earth) e Jon Schaffer (Iced Earth).

A versão ficou excelente, ficou "metal", mas com um ar "country" por trás. Confira abaixo a versão original de Highwayman:


 

E agora a versão do Iced Earth:
 
 
HIGHWAYMAN
 
Willie Nelson/Michael Poulsen
I was a highwayman
Along the coach roads I did ride
With sword and pistol by my side
Many a young maid lost her baubles to my trade
Many a soldier shed his lifeblood on my blade
The bastards hung me in the spring of twenty-five
But I am still alive

Kris Kristofferson/Russel Allen
I was a sailor
I was born upon the tide
And with the sea I did abide
I sailed a schooner round the Horn to Mexico
I went aloft and furled the mainsail in a blow
And when the yards broke off they said that I got killed
But I am living still

Waylon Jennings/Stu Block
I was a dam builder
Across the river deep and wide
Where steel and water did collide
A place called Boulder on the wild Colorado
I slipped and fell into the wet concrete below
They buried me in that great tomb that knows no sound
But I am still around
I'll always be around, and around and around and around and around...

Johnny Cash/Jon Schaffer
I'll fly a starship
Across the Universe divide
And when I reach the other side
I'll find a place to rest my spirit if I can
Perhaps I may become a highwayman again
Or I may simply be a single drop of rain
But I will remain
And I'll be back again, and again and again and again and again...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A música deve sobreviver


Nos últimos dias todos vivenciaram episódios ligados ao AC/DC, passando desde a euforia de um possível sucesso do Black Ice (2008), até recentemente o anúncio do fim da banda. O mentor e guitarrista - irmão do Angus - Malcolm Young, devido a problema com álcool, não estava mais conseguindo ter a mesma agilidade na guitarra que tinha antes, nem mesmo para fazer as bases (o que normalmente faz no AC/DC). Com a limitação de um dos criadores da banda, todo o planejamento que vinha sendo feito acabou por se dar por encerrado.

Mas, meus amigos, a música deve sobreviver. Não importa a situação em que você esteja, das dificuldades que apareçam no seu caminho...continue em frente. A luz sempre estará ali.

Com o AC/DC não é diferente, a banda já passou por várias situações que poderiam marcar o fim da banda, mas eles continuaram. Lançaram álbuns ruins, álbuns bons - e álbuns iguais, por assim dizer. Mas, eles sempre estavam ali no palco executando Highway to Hell e Let There Be Rock para os fãs. Digo novamente, a música deve sobreviver.

Devemos sobreviver para cantar mais uma vez Thunderstruck. Devemos sobreviver para pular mais uma vez no final de For Those About to Rock. Devemos sobreviver, web-leitores, para subir nesse trem do rock'n'roll e esquecer o nosso mundo, nem que seja por algumas horas.

Nessa última semana me deparei com uma notícia simples que me trouxe à tona tudo isso. Uma simples postagem no twitter oficial da banda: "O AC/DC vai continuar a fazer música". Nem mais, nem menos. Isso não quer dizer explicitamente uma turnê, mas já é um grande passo para uma banda que estava fechando suas portas. O que fica de desejo para o AC/DC é que continuem a produzir coisas boas e peguem esse "Highway to Hell" para espalhar seu som.

Sobreviveremos a tudo, basta acreditarmos em nossos ideais.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma dupla da pesada


Não, isso aqui não é a Sessão da Tarde. Se bem que poderia ser, não? Então vamos começar a postagem no melhor estilo Sessão da Tarde: "Essa galerinha do barulho vai se meter em altas confusões de tirar o fôlego e vão contar ainda com uma ajuda boa pra cachorro (filme de Sessão da Tarde sem cachorro, não é Sessão da Tarde)".

Não é de hoje que a música clássica consegue ser perfeitamente misturada com o rock pesado. A prova disso foram os shows do Scorpions e Metallica com orquestras, e as próprias bandas de rock "sinfônico". Podemos dividir essas bandas em duas categorias - que por acaso, não sei nomear: "Bandas de fato sinfônicas", que incluem música clássica nas suas composições, como por exemplo, o Nighwish, Therion, Epica, Dimmu Borgir, etc; e "Bandas de música clássica", que executam suas músicas com instrumentos clássicos (violinos, violoncelos, etc.) ligados a pedais de efeito, como por exemplo, o Apocalyptica.

Um desses grupos, da segunda categoria, que executa rock com instrumentos clássicos é o 2Cellos. A banda formada pelo esloveno Luka Sulic e pelo croata Stjepan Hauser, foi descoberta por acaso na internet - e foi como eu tive o primeiro contato com eles também - a partir de uma versão de Smooth Criminal, do Michael Jackson. Eles executaram o clássico apenas com dois violoncelos, e basta dizer que não precisou de mais nada, versão simplesmente incrível. Acabei por me desligar um pouco do grupo, e eis que sou surpreendido com uma versão - agora mais complexa, com mais instrumentos - de Highway to Hell, do AC/DC.

2Cellos em show.

O que acho interessante é a inclusão de amplificadores tipicamente usados no rock - como são os Orange's - em conjunto com o violoncelo. Foi algo que acabou por "casar" e não tirou a característica do som do instrumento. Sobre esse último vídeo, de Highway to Hell, somos ainda surpreendidos com a participação do grande Steve Vai, inicialmente só "roubando a cena" e depois agraciando a todos com um solo juntamente com a execução do 2Cellos.

Dupla dinâmica ou da pesada, como queiram chamar, gostei muito desse projeto e fica aqui a expectativa para um possível trabalho autoral do grupo (se é que eles já não lançaram). Quem sabe tentando encaixar elementos de Mozart e Beethoven no rock'n'roll. O projeto não é original porque já existiram outras bandas no estilo, mas o talento dos dois músicos é indiscutível, e isso, associado ao processo criativo, pode gerar muita coisa boa.

Para concluir, fica aqui a dica para os web-leitores do Rock'N'Prosa, e espero voltar a falar neles em breve. Fique com o clipe gravado para esse grande clássico do AC/DC:

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Um Rock Sulista no Brasil, sim



Muitos dizem que não se pode ter rock sulista no Brasil, claro que pode. Estamos na América do Sul, não? Brincadeiras a parte, o rock sulista difundido nos Estados Unidos, nos anos 70, é um dos meus estilos favoritos. Bandas como o Creedence Clearwater Revival, .38 Special e a lenda Lynyrd Skynyrd levantaram a bandeira desse estilo e até hoje - mesmo depois do quase fim da maioria das bandas - consegue atrair milhares de fãs para essa vertente do rock'n'roll.

E para quem acha que esse som só ficou lá no rio Mississippi, está muito enganado. O Brasil vem demonstrando ao longo dos anos que tem um pouco de raiz sulista americana na sua música. A maioria das bandas ficam no eixo sul-sudeste do Brasil, por isso aqui no Nordeste o estilo não foi muito difundido.
O Bando do Velho Jack.
O maior porta-voz do estilo aqui no Brasil é o Southern Rock Brasil (acesse o site AQUI). Um site que dedica seu espaço para espalhar o rock sulista pelo Brasil, o que acabou por incentivar a formação de novas bandas. Ao longo dos anos eles foram lançando coletâneas, justamente com essas novas bandas que foram surgindo. Confesso que acompanhei pouco, baixei os dois primeiros volumes da Southern Rock Brasil Collection, o que me proporcionou o contato com bandas como Blackberry Smoke, Drive-by Truckers, Razonator e - os que acabaram sendo tema de postagem aqui no Rock'N'Prosa -, Phillip Long e O Bando do Velho Jack. O Velho Jack, diga-se de passagem, é uma das minhas bandas nacionais favoritas de todos os tempos, as músicas esbanjam criatividade - inclusive, encontrei para vender em uma das minhas idas a São Paulo/SP, junto com meu irmão, o DVD deles ao vivo no Som da Mata. Pode se dizer que é um item raro.
capa da Southern Rock Brasil Collection 8.
Pois bem, na semana passada, o pessoal do Southern Rock Brasil lançou o volume 8 de sua coletânea. Eu sei, estou atrasado. Mas, não pude deixar de reparar no número. O novo volume trás 25 músicas de 25 bandas nacionais diferentes, misturando blues e country no melhor estilo rock sulista americano/brasileiro. O que me chamou a atenção foi que nenhuma dessas 25 bandas está nos dois primeiros volumes da coletânea. Sinal de que o estilo está sendo difundido pelo Brasil e novas bandas estão surgindo.
Hellbilly Rebels.
A coletânea começa logo com o feeling puro do Anderson Carmelo Trio, seguido do peso do Antic - que do jeito que a mídia está hoje, pode ser confundido com stoner, Deus nos livre disso -. O Caixa Preggo trás um country muito bem humorado - quase naquele estilo Kleiton e Kledir -, linha que o Hellbilly Rebels também seguiu, só que adicionando mais rock ao pacote - lembrando até um pouco o trabalho do Zakk Wylde no Pride & Glory. O lado mais pesado volta a ser explorado na coletânea pela Sociedade Voodoo, um rock'n'roll riffado de excelente qualidade.

Então, para você que quer conferir essa safra de bandas de Southern Rock brasileiro, pegue a estrada e vá até o Southern Rock Brasil e baixe esse e os volumes anteriores (acesse AQUI), vale muito a pena.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Uma orquestra para ser aplaudida de pé


Há certo tempo fui apresentado a esse projeto e só agora tirei o tempo  necessário para escrever sobre eles. Não é fácil fazer música, os gastos não se estendem apenas ao lado criativo, mas sim ao lado financeiro. Não é fácil encontrar um instrumento e pior ainda, não é fácil encontrar uma pessoa com conhecimento necessário para colocar para frente qualquer projeto - seja uma simples iniciação em violão, ou até a composição de uma orquestra.

Falando em orquestra, sempre vi projetos direcionados para comunidades carentes de ensino a música, só que o direcionamento era para instrumentos de percussão e violão. No Paraguai, mais especificamente em Cateura - maior lixão de Assunção, capital do Paraguai - um visionário conseguiu transformar o que era lixo em instrumentos musicais, e melhor ainda, conseguiu montar uma orquestra inteiramente formada por esses "instrumentos" juntamente com as crianças da comunidade.
Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura se apresentando na região de Cateura, Paraguai.
Achei esse projeto simplesmente fantástico, nunca tinha imaginado nada desse tipo antes. Só em proporcionar o contato com a música clássica, não afastando elas dos "funks do morro" necessariamente - se tivéssemos no Brasil - mas, dando uma oportunidade de enxergar a música no seu caráter mais amplo, que elas nunca teriam.
Violino feito a partir de materiais reciclados. Detalhe para a ponte (improvisada com um garfo) e o braço, feito a partir de madeira de cabo de vassoura.
Os professores Luiz Szaran e Flavio Chavez, conseguiram transformar latas de doce, sardinha e óleo, em violinos, violões, violoncelos e instrumentos de percussão. Montando assim, La Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura.
Dave Mustaine e a Orquestra, durante os ensaios para apresentação junto com o Megadeth.
A orquestra já se apresentou no Brasil e nos EUA, chamando inclusive a atenção do sr. Dave Mustaine, um dos maiores ícones do metal. Eles foram convidados para se apresentar juntamente com o Megadeth em um dos shows da sua Gigantour, em Denver, nos Estados Unidos. A música escolhida não podia ser melhor, Symphony of Destruction. A orquestra destruiu todas as barreiras que impedem a propagação da música, e isso ficou eternizado na apresentação junto ao Megadeth.

Devemos adotar como lição o lema deles: "com todo o lixo do mundo, devemos produzir música".

Quem quiser saber mais sobre esse projeto, clique AQUI para ver o mini-documentário sobre a orquestra, vale a pena assistir. E para terminar com música, fiquem com esse momento mais que especial do Megadeth tocando junto com a Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura:

domingo, 19 de janeiro de 2014

Um Angra novo, mas sem...



Vou começar logo dessa forma, deixando a colocação inacabada. Porque é o que está acontecendo, assim como a frase, está faltando um pedaço do Angra, que ainda não descobri o que é.

Finalmente peguei na semana passada o novo CD/DVD do Angra, Angels Cry 20th Anniversary Tour (2013), correndo um sério risco de estar infringindo a lei - assim como todo que está comprando esse produto em todo o mundo - mas, mesmo assim não deixei de conferir. Para quem não entendeu, há uma disputa por direitos autorais rolando na justiça o que impediu a continuação da fabricação do produto. O que isso quer dizer? Que se você é colecionador, corra logo para adquirir o seu, porque não há previsão da produção de um novo lote.

Os "angristas" xiitas vão me criticar, mas é a verdade. A máquina de fazer músicas de Kiko e Rafael para mim não é nada sem a voz do Andre Matos, até a fase Edu eu curtia, mas está muito diferente com o Fábio. Quero esperar para ver as músicas dele com o Angra - em um vindouro álbum -, mas as antigas simplesmente não funcionam. Como fã do Angra fui vê-los em Fortaleza/CE, show muito divertido, mas só quando encaramos o DVD, sentado no conforto de casa, é que vemos as "falhas". Não sei se estou motivado por ter visto as mesmas músicas cantadas por Andre Matos em um curto espaço de tempo, mas é o sentimento que ficou.
capa do DVD Angels Cry 20th Anniversary Tour (2013)
O que chama logo a atenção no show é que a energia do público não conseguiu ser captada. Isso mesmo, não adiantou os gritos de todo o público na HSBC Arena, você mal escuta ele, mesmo no último volume da televisão é complicado, o que é triste, porque o público sempre passou uma energia muito positiva nos shows. Outro fator que chama a atenção são os overdubs, Carry On me pareceu ser completamente dublada em estúdio e o áudio sobreposto no DVD, assistam e digam se estou errado. E não só ela, vários agudos e passagens mostram que foram "adicionados" em uma edição posterior ao show. Novamente digo, assistam e digam se estou errado.

Com relação à filmagem não tem o que contestar, simplesmente perfeita a edição e posicionamento das câmeras. As participações da Família Lima - executando Unfinished Allegro juntamente com o sample -, da Tarja Turunen, em uma versão fantástica de Stand Away, juntamente com o Uli Jon Roth em Wuthering Heights também e fechando tudo, do Amilcar - do Torture Squad - em Evil Warning, abrilhantam o show. Apesar da comemoração de 20 anos do Angels Cry (1993), o Angra não executou o álbum inteiramente, abrindo espaço para músicas do Temple of Shadows (2004), Rebirth (2002) e Aurora Consugers (2006). Clássicos, diga-se de passagem. Destaque para Late Redemption - só faltou o Milton Nascimento para fechar tudo - e Nova Era. Millenium Sun, imortalizada na voz de Edu Falaschi, ganhou uma atmosfera completamente nova. De todas as músicas do Angra, essa foi a que mais se adequou à voz de Fábio Lione, destaque também para o solo no violoncelo, executado pelo Moisés Lima. Silence and Distance, do Holy Land (1995), também ganhou novo ânimo. Apesar de só ter sido incluída no CD, não sei por qual motivo, dá para perceber toda a energia da música.
Fabio Lione e Rafael Bittencourt.
O melhor para mim, de todo o DVD, foi a faixa-bônus. Imagino que essa faixa só estará presente aqui na edição nacional, porque é justamente a execução de Coroa Imperial (aquela introdução de Unholy Wars) e de Caça e Caçador (versão em português de Hunters and Prey) por Kiko e Rafael, somente. Aquilo sim é uma aula de "voz e violão". Execução perfeita. Por falar em voz e violão, gostaria de destacar também nessa parte do show a execução de Reaching Horizons por Rafael, apenas no violão. Uma das primeiras composições do Angra. Foi uma pena eles terem deixado Make Believe de fora do DVD, é uma das minhas favoritas do Angra e foi executada no show.
Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt durante o set acústico.
Para concluir, olhando para todo o conjunto, esse é o DVD que o Angra ainda não tinha no seu catálogo. A qualidade - para os fãs exigentes, como este aqui - poderia ser melhor, o Angra merece ainda mais. Não estou dizendo que está ruim, se você curte o som, pode comprar sem medo. Temos um pedaço da história do metal nacional nesse produto. Basta dizer que é Angra, ainda sem aquele espírito que eu estava esperando, mas continua sendo Angra e esse nome merece respeito em todo o mundo.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O velho que traz o novo


Para começar, já faz muito tempo que não posto nada e o blog esteve perto do fim. Mas, ainda não era chegada a sua hora. Dentre um afazer e outro, a gente nunca deixa de lado o rock'n'roll, e para marcar essa "volta" do Rock'N'Prosa, nada melhor do que falar de uma banda - que aliás, é uma das minhas favoritas - que esteve sempre vivendo no limite, por causa da troca constante de integrantes, mas se manteve firme durante todos esses anos, o Iced Earth.

Após escutar o seu mais novo álbum, Dystopia (2011), até a exaustão, ontem finalmente adquiri o meu Live in Ancient Kourion (2013), mais novo álbum ao vivo do Iced Earth. Passei a infância escutando o Alive in Athens (1999), em sua versão tripla e recheada de músicas. Os vocais de Barlow viraram referência para mim no Iced Earth. Depois veio a fase Tim Owens, um pouco diferente de tudo, mas não muito cativante. Após uma breve volta de Barlow no Festivals of the Wicked (2010), eis que é iniciada a fase Stu Block na banda.

Vocais poderosos e versáteis foram eternizados no álbum Dystopia (2011) e no vindouro Plagues of Babylon (2014), mas é claro, entre eles um álbum ao vivo fincou sua bandeira.
capa do Live in Ancient Kourion (2013).
Quando vi as fotos, na época do show, logo imaginei o melhor álbum ao vivo de todos os tempos. O Iced Earth gravaria seu próximo álbum ao vivo em um anfiteatro, na beira de uma praia, no litoral do Chipre. Local mais que perfeito. Veio o dia do show, palco montado e set-list de 3 horas em punhos, o Iced Earth deu o seu melhor...pena que a produção não.

Um local daqueles, como é o Ancient Kourion, merecia a melhor equipe de filmagens de todos os tempos trabalhando. Assistindo repetidas vezes - no YouTube, porque não tive coragem de comprar essa mídia - não conseguia pensar diferente. Toda aquela atmosfera do público, do set-list (que beira a perfeição, diga-se de passagem) e do local não conseguiram ser capturadas pelas câmeras. O resultado final foi que preferi "escutar" o show ao invés de assisti-lo, por isso, adquiri meu Live in Ancient Kourion (2013) na sua versão em CD duplo.

Viajando pelo show do Iced Earth no Ancient Kourion pude comprovar tudo aquilo que achava de Stu Block, é o vocalista certo para a banda. Não há o que discutir nas execuções de Dystopia, Anthem, V e Boiling Point. Mas, as composições antigas do Iced Earth - tanto da fase Barlow como da fase Tim Owens - ganharam uma nova "roupagem". When The Night Falls e Melancholy ganharam nova vida, além de Ten Thousand Strong, executada no "padrão Owens". Para não dizer que tudo foi perfeito, uma das minhas músicas favoritas, Burning Times, simplesmente não encaixou com sua voz. É uma pena dizer isso, mas prefiro tirá-la do set ao deixar do jeito que está. O mesmo aconteceu com Declaration Day, uma música da fase Owens, mas que se encaixava perfeitamente na voz de Barlow (aliás, ela foi composta originalmente para voz dele, para quem lembra).
Iced Earth no Ancient Kourion (da esquerda para a direita): Jon Schaffer, Brent Smedley, Stu Block, Luke Appleton e Troy Seele.
Outro destaque desse novo álbum ao vivo é a completa mudança no set-list. Para quem é acostumado com o Iron Maiden, que quase sempre executa as mesmas músicas em seus álbuns ao vivo, esse novo do Iced Earth é uma tapa da cara. Nada de clássicos eternos como Violate, Travel in Stygian e Dark Saga, temos músicas que foram pouco executadas na carreira deles como Angels Holocaust, Wolf, Slave to the Dark e Damien. Gostei muito dessa atitude do Jon Schaffer, porque até então o Iced Earth estava caminhando para o lado "Iron Maiden", mantendo a rigidez do set-list com clássicos e mudando pouca coisa entre uma turnê e outra.

Voltando ao álbum. Dessa vez, o CD me proporcionou um estado de presença no show muito maior do que o DVD. Pude sentir cada nota, cada vibração do público, ou seja, tudo aquilo que estava esperando do Live in Ancient Kourion (2013) desde o dia em que o show foi realizado. Foi até meio nostálgico, porque pude voltar àquela época onde escutávamos o CD e vivíamos o show, algo que estava perdido nos dias de hoje, por causa da imensa quantidade de shows filmados e lançados em DVD.

É isso, pessoal, vamos continuar o rock'n'roll agora em 2014, rumo ao 4º ano de atividade no blog. Até a próxima, e para terminar com música, confiram o vídeo de Dystopia, extraído do DVD Live in Ancient Kourion (2013), apesar de tudo que foi dito, vale a pena conferir.