quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Galeria de Clássicos: Black Sabbath - Heaven and Hell (1980)

Black Sabbath - Heaven and Hell (1980)

Bem-vindos a mais um volume da Galeria de Clássicos do Rock N’Prosa. Hoje irei comentar sobre um dos melhores álbuns que eu escutei na minha vida e que tive a honra de comprar recentemente. Estamos falando do maior clássico do Black Sabbath de todos os tempos, o Heaven and Hell.

O Black Sabbath estava passando por um momento difícil, depois do lançamento do Never Say Die, o vocalista Ozzy Osbourne decide deixar a banda e seguir carreira solo, uma despedida muito ruim por sinal. Nesse período, por volta do ano de 1979, Tony Iommi iniciou uma busca desesperada por um novo vocalista.

Depois de testes com diversos vocalistas eis que surgiu uma lenda. Ronnie James Dio assumiu a difícil missão de substituir Ozzy Osbourne nos vocais. Dio já havia cantado no Rainbow, banda que fez com que seu nome se consagrasse no mundo rock n’roll.

Comparar Dio e Ozzy é o mesmo que comparar David Gilmour e Roger Waters (para os fãs do Pink Floyd), ou John Lennon e Paul McCartney (para os fãs dos Beatles). É questão de gosto, eu procuro não distinguir, sou fã dos dois. Tenho álbuns do Ozzy na minha coleção, são muito bons, mas os do Dio não ficam para trás, apesar de não possuir nenhum no momento.

Black Sabbath em 1980: Geezer Butler, Ronnie James Dio, Tony Iommi e Vinnie Appice.

No mesmo ano de 1979 a banda começou a compor o que viria a se tornar o Heaven and Hell. O baixista, Geezer Butler, compôs parte das letras e juntamente com Tony Iommi fizeram a parte instrumental, mas Dio foi quem assumiu realmente as rédeas de escrever as letras para o álbum.

Nesse momento tudo era incerto, porque os fãs mais conservadores da banda não poderiam gostar da nova linha que a banda tomou, e poderia ser difícil conquistar novos fãs, porque a banda já tinha 10 anos de carreira e  a nova geração estava mais interessada em outras bandas, como a inovadora (na época) Iron Maiden.

Mas, no dia 25 de abril de 1980, o mundo viu que ainda existia força dentro do Black Sabbath. O Heaven and Hell foi lançado e não só agradou os antigos fãs, mas também agradou a nova geração de fãs, da chamada “Nova Onda do Heavy Metal Britânico” (do inglês New Wave of British Heavy Metal).

O álbum se inicia logo com a rápida Neon Knights, mostrando logo de cara a proposta do álbum, e mostrando acima de tudo que ainda existia vida no Sabbath. Como a maioria das músicas desse álbum, esse é um dos maiores clássicos da “era Dio”. Confiram ela abaixo:




Logo em seguida, a banda diminui um pouco a velocidade com a excelente Children of the Sea, mostrando toda a técnica vocal de Dio, outro grande clássico. Recentemente, antes do falecimento de Dio, os membros dessa época da banda se uniram e formaram a banda Heaven and Hell, chegaram até a fazer um show aqui no Brasil em 2009. Nos shows, músicas como Neon Knights e Children of the Sea eram quase que obrigatórias, e todos os presentes cantavam fervorosamente. Confira esse grande clássico logo abaixo, extraída do DVD do Heaven and Hell:





Mais um grande clássico logo em seguida, a pesada Lady Evil volta a mostrar a vontade do Sabbath em continuar a sua jornada musical. O que aconteceu é que os últimos álbuns da “fase Ozzy” (Tecnical Ecstasy (1976) e Never Say Die (1978)) não foram muito pesados, foram mais experimentais, diferenciando um pouco do estilo comum do Sabbath.

Agora, todos devem parar um pouco, que vem o maior clássico da história do Black Sabbath, na minha opinião. Muitos vão discordar, dizer que Paranoid é o maior clássico, mas para mim Heaven and Hell sem dúvida é a melhor música e o maior clássico deles. A música que leva o nome do álbum é uma perfeição, o instrumental faz lembrar o estilo dos primeiros álbuns como Black Sabbath (1970) e o próprio Paranoid (1970), com um riff bem cativante e fácil de lembrar. Mas, o que me chama a atenção nessa música é a letra, é algo indescritível, nunca pensei que o Black Sabbath um dia escreveria algo assim, eles meio que fizeram uma análise sobre toda a vida das pessoas. Segue abaixo esse grande clássico e um link para a letra dela também:

Letra: http://letras.terra.com.br/black-sabbath/4263/traducao.html






Continuando com o álbum vem a “ofuscada” Wishing Well, logo adiante eu digo porquê. O que destaco nessa música é a letra também, eles usaram a figura do “poço dos desejos” para falar sobre a vida, diferente de Heaven and Hell, que usou a figura do Céu e do Inferno.

Agora sim, mais um grande clássico da “era Dio”, Die Young. Uma música rápida, mais ou menos na linha de Neon Knights, que se tornou uma das favoritas dos fãs nos shows. Por isso do “ofuscamento” de Wishing Well, entre dois clássicos como esses não tem espaço para ela. Mais uma vez, uma brilhante letra, a mensagem que eles quiseram passar com Die Young foi: “Não espere pelo amanhã, viva a vida!”, geralmente ao vivo, Tony Iommi faz um pequeno solo de guitarra antes dessa música, deixando ela com um charme a mais. Confiram versão ao vivo gravada em um show do Heaven and Hell na Alemanha:





Na sequência do álbum vem Walk Away, uma boa música, mas um pouco abaixo do nível dos grande clássicos desse álbum.

Essa obra prima é encerrada com a “injustiçada” Lonely is the Word. É uma música muito boa, mas foi esquecida por todos os fãs, e pela banda também, ao longo dos anos. Foi uma boa forma de encerrar esse álbum, porque apesar das mensagens positivas de algumas músicas eles sempre acabam voltando para a realidade, e no fundo se todos forem ver essa acaba sendo uma verdade inconveniente.

Bom, esse foi mais um Galeria de Clássicos do Rock N’Prosa, por coincidência escrevi sobre mais um álbum do Black Sabbath, mas o próximo será diferente, quem desejar pode sugerir algum clássico que queira ver na nossa galeria.

Espero que tenham gostado e até a próxima.

domingo, 12 de setembro de 2010

Resenha de Shows: Scorpions (11/09/10 - João Pessoa/PB)

No último sábado (11/08) tive a grande honra de assistir o Scorpions em João Pessoa, justamente na sua turnê de despedida dos palcos depois de 45 anos na estrada. Vou procurar descrever um pouco do que foi a experiência do show e da viagem como um todo também.

Nossa saída, daqui de Natal/RN, estava programada para às 13:30 da tarde. A viagem foi muito divertida, regada a muito rock n’roll e claro, a Scorpions. Aproximadamente às 15:30 chegamos ao estádio Almeidão, em João Pessoa/PB, onde toda a estrutura do Sun Rock Festival foi montada.

Uma enorme fila foi formada ao redor do estádio, e somente às 17:00 os portões foram abertos (estava previsto para a abertura ocorrer às 15:00). Uma vez lá dentro pude ver toda a estrutura que o Sun Rock Festival preparou para receber todos, foi algo para cinema. Minhas únicas queixas são o tamanho da “Pista Premium”, acho que eles exageraram um pouco, e o posicionamento da “mesa de som”, meio que tapando a visão do pessoal da arquibancada. Os telões também deixaram a desejar, os do Mossoró Cidade Junina não ficaram para trás em nenhum quesito.
Foto da estrutura do festival, antes do Scorpions, o público ainda era pequeno.

Críticas à organização a parte, vamos nos focar agora no que foi mais um grande show que eu pude presenciar. Não me pergunte como, mas consegui assistir o show da “Pista Premium” e bem próximo do palco. Palco que foi muito bem estruturado. Além das inúmeras câmeras filmando o show para um possível DVD, o palco também tinha uma passarela que deixava a banda ainda mais próxima do público na “Pista Premium”.

Aproximadamente às 22:00, imagens de um festival onde o Scorpions tocou, em São Petersburgo (se não me engano) nos anos 80, começam a passar no projetor ao fundo do palco. Na mesma hora, o locutor oficial da banda anuncia o famoso: “Ladies and gentleman, children of all ages, please welcome THE SCORPIONS”. Essa foi a deixa para o baterista James Kottak aparecer no palco e iniciar Sting in the Tail, faixa título do mais novo e último álbum do Scorpions, entrando o resto da banda logo em seguida executando a música, para explosão geral dos 25.000 presentes (não sei o público oficial, isso é uma estimativa).
Scorpions, vista da Pista Premium durante Make It Real.

Após esse começo eletrizante, Klaus fala pela primeira vez com o público, dando o “boa noite” (em português mesmo) e logo em seguida, Rudolf vai pela primeira vez para a passarela que eu citei anteriormente e inicia Make It Real, faixa clássica da banda. E clássicos foi o que não faltou nesse show, é claro que faltaram músicas no set-list, mas a banda não pode fazer um show com 10 horas de duração.

Continuando com os clássicos, é a vez de Mathias ir para a frente do palco e iniciar a excelente Bad Boys Running Wild, do álbum Love at First Sting, e quase que sem pausa a banda inicia The Zoo, uma das minhas favoritas do Scorpions. Seguindo em frente, a banda executou o instrumental Coast to Coast, e em  seguida Loving You Sunday Morning. Depois dessa série arrasadora e pesada, Klaus voltou a falar com o público e anunciou a balada The Best Is Yet To Come, do álbum novo. Essa música, apesar de ser nova, foi uma das mais cantadas pelo público no show, a versão ao vivo ficou sensacional.

Minha maior expectativa era ver Wind of Change ao vivo, o que acontece é que em seus shows o Scorpions ou executa ela ou executa Send Me An Angel, outra grande música. Nesse momento, quando acabou The Best Is Yet To Come, os roadies colocaram pedestais na passarela, próximo do público (e de onde eu estava) e Rudolf e Mathias surgiram com seus violões personalizados. E para um pouco da minha desilusão, eles iniciaram Send Me An Angel, dedicada a Ronnie James Dio, fato que aplaudi e fez esquecer um pouco da desilusão de não ver Wind of Change. Mas, a execução foi muito boa, o público correspondeu cantando junto com Klaus.
Rudolf e Mathias na passarela anexa ao palco.

Com o término dessa música, a banda inteira continuou na passarela e iniciou outro grande clássico, Holiday, que também foi cantada por todo o público. Nesse momento, eu já tinha me conformado em não ver Wind of Change, foi aí que para minha total surpresa Klaus anunciou que a próxima música falava sobre o fim da Guerra Fria. Era ela, Wind of Change, me lembro que cantei com todo o fôlego que me restava. Por coincidência ou não, exatamente quando a banda executou o primeiro refrão uma fina chuva começou a cair sobre nós. Como diz o refrão da música “Leve-me na magia do momento, numa noite de glória”, foi exatamente isso que aconteceu nesse momento.

Após esse “sonho realizado”, Klaus perguntou se todos estavam preparados para agitar, e a banda inicia Tease Me Please Me e logo em seguida a rápida Dynamite, do álbum Blackout. Após essas duas “pedreiras”, por assim dizer, a banda deixa o palco, ficando somente James Kottak na bateria, dando início ao seu solo de bateria ou Kottak Attack. Já tinha visto o Kottak Attack em DVD’s e particularmente não gostava nem um pouco, mas o de ontem foi especial. O projetor no fundo do palco ficou passando vídeos de Kottak em vários ambientes diferentes, meio que percorrendo todas as capas dos álbuns do Scorpions, e a cada capa o trecho de uma música do respectivo álbum era executada por ele na bateria. O Kottak Attack percorreu do Love at First Sting até o Humanity Hour I, passando também pelo Crazy World.
James Kottak durante o Kottak Attack.
O destaque foi o final da apresentação, onde as projeções mostraram um Kottak preso a uma cadeira, enquanto um vilão prendia dois eletrodos em seus olhos e ligava uma carga elétrica. Para os fãs do Scorpions ficou claro que aquela era a capa do Blackout, e logo em seguida a banda inteira volta ao palco executando a faixa título desse álbum, destaque para Rudolf, que veio vestido representando a capa do álbum.

Com o término de Blackout é a vez de Mathias ficar no palco e executar o seu solo de guitarra, conhecido também como Six String Sting, executando logo em seguida o grande clássico Big City Nights, cantado fervorosamente por todos os presentes.

Logo em seguida, a banda deixa o palco e volta depois de uma pequena pausa para o bis. E não poderia ser melhor, assim que retornam, Klaus grita: “João Pessoa não existe ninguém igual a vocês”, foi a deixa para a banda iniciar No One Like You, excelente música do álbum Blackout. Depois, Klaus anunciou Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, como convidado e ele entra no palco na mesma hora em que a banda inicia o grande clássico Rock You Like A Hurricane, para brindar o público e encerrar esse show perfeito.
Scorpions, durante No One Like You.

Muita gente saiu um pouco desiludida porque o Scorpions não executou Still Loving You, me disseram que é a mesma coisa de ir a um show do Black Sabbath e não ter Paranoid, tudo bem, concordo, mas saí muito satisfeito do show, eles conseguiram fazer um apanhado geral de toda a sua história e incluí-la no show. Foi um show sensacional e não falei, mas fiquei surpreso com a energia deles, principalmente de Rudolf. Ele é o mais velho da banda, e é o que mais corre e pula durante todo o show.

Bem, essas foram as minhas impressões desse grande show, espero que tenham gostado dessa revisão e que venham mais shows, o Nordeste está mostrando a sua força no cenário nacional e mundial do rock n’roll.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Prosa Rock: Shakespeare in Rock I

Você não leu errado, é isso mesmo, vamos tentar abordar aqui a relação do grande poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare, com o Rock N’Roll.

Esse tópico é tão abrangente que decidi dividi-lo em partes. Essa será a primeira parte dessa série que eu vou tentar escrever. Falei “tentar” porque não sou a melhor pessoa do mundo para falar sobre Shakespeare, acho que só li uma peça dele e só.

O que consegui perceber é que o Rock N’Roll possui uma forte relação com a literatura e em particular com Shakespeare, são inúmeros os álbuns dedicados àlguma obra dele. Gostaria de começar essa série com o mais novo álbum do Angra, Aqua, que tive o prazer de adquirir ainda na primeira prensagem.
Capa do Aqua.

O Aqua, que significa “Água” em latim, foi inteiramente escrito tendo por base “A Tempestade”, apontado por muitos especialistas como a última peça que Shakespeare escreveu sozinho.

“A Tempestade” ocorre da seguinte forma: O mago Prospero, duque de Milão, e sua filha Miranda ficaram presos em uma ilha por 20 anos, depois que o irmão ciumento de Prospero, Antonio, ajudado por Alonso (Rei de Nápoles) o destituiu do cargo e o deixou à deriva no mar. Gonzalo, conselheiro do rei, em segredo carregou o navio com comida, água, roupas e os livros mais valiosos da biblioteca de Prospero.

Na ilha, Prospero é servido pelo espírito Ariel, que foi resgatado por Prospero de uma árvore onde foi aprisionado pela bruxa Sycorax. A bruxa foi banida da ilha e morreu antes da chegada de Prospero. Mas, ela deixou um filho, Caliban, um monstro e único habitante não-espiritual da ilha antes da chegada de Prospero. Ele foi adotado por Prospero, e em troca, o ensinou como sobreviver na ilha, enquanto Miranda ensinava a Caliban sobre religião. Após Caliban tentar estuprar Miranda, ele foi condenado por Prospero a servi-lo como escravo. Na escravidão, Caliban passou a ver Prospero como um usurpador, que passou a ver Caliban com desgosto.
Uma das primeiras versões impressas de "A Tempestade".

A peça abre com o pressagio de Prospero de que seu irmão, Antonio, está em um navio passando perto da ilha. Com isso, ele gerou uma tempestade que faz o navio encalhar na ilha. E assim o Angra inicia a sua obra-prima, com a introdução Viderunt te Aquae (“As águas te viram” em latim) e a veloz Arising Thunder.
Também no navio estavam Alonso (rei de Napoles), seus filhos Sebastian e Ferdinand e o conselheiro de Alonso, Gonzalo. Todos voltando do casamento da filha de Alonso, Claribel. Com seus feitiços, Prospero, fez com que todos os sobreviventes ficassem divididos em pequenos grupos na ilha. Esse trecho é citado em Awake From Darkness, um dos pontos fortes do álbum, relembrando o estilo antigo do Angra.

Nesse momento, a peça se divide em atos. Em um deles, Prospero tenta criar uma relação romântica de Ferdinand com Miranda, que imediatamente se apaixonam. Essa passagem é brilhantemente retratada em Lease of Life, uma das minhas músicas favoritas do álbum e de toda a carreira do Angra, realmente não sei como descrever a melodia dela, tudo está perfeito: os vocais do Edu, o piano, a bateria, os solos, etc. se tiverem oportunidade escutem ela. Mas, voltando à peça, Prospero acaba por obrigar Ferdinand a ser seu servo.

Em seguida, no álbum, vem Rage of the Waters. Uma música veloz, fazendo lembrar o bom e velho estilo do Angra, mas agora com um peso a mais, que eu particularmente não esperava encontrar em algum álbum do Angra. É por causa disso tudo que esse álbum já é um dos meus favoritos de toda a carreira deles, eles ousaram mais nele do que em qualquer outro álbum. Essa música, em especial, acho que ficaria muito boa ao vivo.

Na seqüência do álbum vem a também marcante Spirit of the Air, dedicada exclusivamente ao espírito Ariel. A melodia dessa música é bem variada, alternando entre violões acompanhado de corais e guitarras distorcidas. Considero-a também como um ponto forte do álbum, não sei se ao vivo ela teria o mesmo charme. Destaque para o coro de vozes ao longo de toda a música, ficou sensacional.

Voltando à trama, Prospero manipula o destino de todos os seus inimigos para que cheguem cada vez mais próximo dele. Essa parte ficou a cargo da música Hollow, que é uma música que possui também variações na melodia, mas todas pesadas, alternando entre o veloz e o pesado.

Seguindo no álbum, vem a também marcante A Monster in Her Eyes, dedicada inteiramente à Caliban. Se fossemos considerar que as canções foram escritas pelos personagens, posso dizer que A Monster in Her Eyes foi escrita por Caliban e dedicada à Miranda. Essa é uma das minhas músicas favoritas do álbum, é bem na linha de Spirit of the Air, com variações no ritmo e passagens marcantes. Eu gostei muito da letra também, você pode perceber que ela trata, principalmente, de uma pessoa “diferente” e que foi negada pela sociedade, o que acontece muito no nosso dia-a-dia.

No final da trama, Prospero perdoa Alonso, Antonio e Sebastian pela traição. Ariel ficou encarregado de preparar a embarcação que levaria todos de volta para Nápoles (incluindo Prospero e Miranda), onde Miranda se casaria com Ferdinand. Depois disso, Ariel finalmente foi libertado de sua servidão. Caliban também foi perdoado e Prospero resolveu quebrar e enterrar o seu cajado mágico e se desfez do seu livro mágico.

Esse trecho final é retratado muito bem em Weakness of a Man. A letra deixa claro que Prospero abandonou o seu sentimento de vingança e decidiu perdoar todos. Em termos de melodia, eu a achei um pouco abaixo das demais músicas desse álbum, mas mesmo assim, ela merece o seu lugar nesse grande álbum.

A peça termina com Prospero, sem seus poderes mágicos, convidando toda a platéia para libertá-lo da ilha com o seu aplauso. E o Angra encerra, esse que considero um dos seus melhores trabalhos até hoje, com a música Ashes, tratando justamente do mesmo tema abordado na música anterior, com o arrependimento de Prospero e com o convite para recomeçar a sua vida (pedindo que o libertem). A música é quase toda executada no piano, com muitos corais no fundo, a melodia é realmente muito bonita. Os solos estão perfeitos, se encaixam muito bem na música.
Angra: Ricardo Confessori, Kiko Loureiro, Edu Falschi, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli.

Da mesma forma que o Angra ousou nesse álbum acho que ousei um pouco também escrevendo uma revisão  de “A Tempestade” e “Aqua” juntos. Gostei desse álbum em todos os aspectos: a parte literária está perfeita, o Angra conseguiu fazer uma revisão completa dessa obra de Shakespeare e musicalmente o álbum é outra perfeição, porque eles meio que abandonaram a idéia de fazer um álbum tecnicamente forte para abraçar a idéia de fazer um álbum musicalmente forte, o que eu assino em baixo, espero que continuem assim.

Essa foi a minha revisão do Aqua, espero que tenham gostado e até o próximo Prosa Rock com “Shakespeare in Rock”.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Prosa Rock: Quando a Física encontrou o Rock

No “Prosa Rock” vou tentar discutir um pouco sobre qualquer assunto relacionado ao rock n’roll que eu consiga pensar. Para inaugurar essa seção decidi homenagear uma banda que fez história e principalmente, um guitarrista o qual admiro muito. Estamos falando aqui do Queen e de Brian May.

Brian May, o curioso é que ele fabrica as próprias guitarras

Brian May é um músico inglês, guitarrista da banda Queen, mas o que muita gente não sabe é que ele é doutor em física e matemática, pelo Imperial College de Londres, onde estudou a luz refletida das poeiras interplanetárias e a velocidade da poeira no plano do Sistema Solar. Mas, aproximadamente em 1973, quando o Queen foi se tornando um sucesso, ele teve que abandonar o seu doutorado. Durante todo esse tempo ele se dedicou ao Queen, mas em 14 de maio de 2008, mais de 30 anos depois de ter abandonado o doutorado, Brian May se graduou no Royal Albert Hall, apresentando sua tese, intitulada “A Survey of Radial Velocities in the Zodiacal Dust Cloud”.

Mas, o motivo principal desse texto é falar sobre algo que aconteceu no ano de 1975. O Queen lançou o álbum A Night at the Opera, apontado por muitos como o seu melhor trabalho. Esse álbum possui uma música chamada ’39, que é uma das músicas do Queen que eu mais gosto. Não vou me prender muito na melodia da música, vocês podem conferir ela no final do texto.

Capa do A Night at the Opera.

O que gostaria de enfatizar é a letra dessa música. Brian May decidiu escrever algo envolvendo a astrofísica, e o fez em ’39. A música trata de uma pequena estória de ficção envolvendo 20 voluntários, que deixam uma Terra quase morta em uma nave espacial em busca de novos mundos para habitar. É exatamente nesse momento que entram em cena os ensinamentos de Einstein e a sua Teoria da Relatividade.

Os voluntários voltam, 100 anos depois no calendário, mas para eles somente 1 ano havia se passado (por causa da dilatação do tempo, resultado da viagem na velocidade de luz). Para entender melhor sobre o que eu estou falando basta ler um pouco sobre a Teoria da Relatividade e os postulados de Einstein, nada muito complicado.

Brian May deixa entender que quando o protagonista da música volta para a Terra, ele encontra sua filha, e consegue ver sua esposa (já falecida) pelos olhos da filha. Todo esse fato de terem se passado 100 anos, reservam o destino triste do protagonista da música, justamente pelo fato de todos os seus amigos terem morrido.

O nome da música não aparece em nenhum momento na letra, o curioso sobre ela é que esse nome surgiu porque ela é exatamente a trigésima – nona composição do Queen, daí o nome ’39.

Confiram agora a letra e vídeo dessa grande música do Queen:




In the year of '39
Assembled here the volunteers
In the days when lands were few.
Here the ship sailed out into the blue and sunny mornin',
The sweetest sight ever seen.
And the night followed day,
And the storytellers say
That the score brave souls inside
For many a lonely day
Sailed across the milky seas
Ne'er looked back, never feared, never cried.

Don't you hear my call
Though you're many years away?
Don't you hear me calling you?
Write your letters in the sand
For the day I take your hand
In the land that our grandchildren knew.

In the year of '39
Came a ship in from the blue,
The volunteers came home that day.
And they bring good news
Of a world so newly born,
Though their hearts so heavily weigh.
For the earth is old and grey
To a new home we'll away,
But my love this cannot be,
For so many years have gone
Though I'm older but a year
Your mother's eyes from your eyes cry to me.

Don't you hear my call
Though you're many years away?
Don't you hear me calling you?
Write your letters in the sand
For the day I'll take your hand
In the land that our grandchildren knew.

Don't you hear my call
Though you're many years away?
Don't you hear me calling you?
All your letters in the sand
Cannot heal me like your hand,
For my life
Still ahead.
Pity me.

domingo, 15 de agosto de 2010

Resenha de Shows: Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz (13/08/2010 - Natal/RN)

Capa do álbum "Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz tocando Beatles"


Nessa última sexta-feira (13/08) pude comparecer ao show de Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz, no Teatro da Cultura Popular, aqui mesmo em Natal/RN. Na ocasião, eles estavam lançando o álbum “Diogo Guanabara & Macaxeira Jazz tocando Beatles”.

Para mim foi uma ocasião muito especial, pois pude ver não só o Macaxeira Jazz, que é uma banda potiguar da qual sempre ouvi falar muito bem, como também um show inteiro só com músicas dos Beatles, uma das minhas bandas favoritas.

Então, a expectativa diante do show era muito grande, e para minha total satisfação, a banda não desapontou. O show foi simplesmente sensacional. Vou procurar descrever um pouco da experiência e também comentar sobre o álbum deles, que fiz questão de comprar.

Exatamente às 20:00 os músicos Diogo Guanabara (Bandolim), Ticiano D’Amore (guitarra), Henrique Pacheco (baixo) e Raphael Bender (bateria e percussão) subiram no palco e assim começou a jornada pelo mundo dos Beatles. A abertura foi com Here Comes the Sun, do álbum Abbey Road. Vendo o nível da execução, e os solos de Diogo no bandolim, deu para perceber o que viria daí para frente.

Logo em seguida, a banda executou praticamente sem pausa, And I Love Her e Strawberry Fields Forever. Esta última foi uma das minhas favoritas de todo o show, o Macaxeira Jazz conseguiu dar um tom nordestino a ela, adicionando elementos do nosso baião à música, realmente ficou muito boa.

O show também foi regado a muito bom humor, destaque para When I’m Sixty Four, que é uma música do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band que possui uma melodia já “bem humorada”, e a banda adicionou mais humor ainda na execução. Estiveram também presentes no set-list: Something, Girl e All You Need is Love. Destaque para a dinâmica dos músicos na execução de Girl, foi sensacional, só vendo (ou escutando no álbum) para perceber.

A banda fez outra homenagem à música nordestina na execução de Blackbird, fazendo uma junção desta com Assum Preto, de Luiz Gonzaga. Impressionante como essas duas músicas, apesar dos nomes parecidos (Blackbird significa “pássaro negro” em inglês), se encaixaram. Também fizeram parte do show Help, e para minha surpresa, For no One, do álbum Revolver. Particularmente gosto muito desta última, mas nunca tinha visto ninguém executá-la ao vivo, por isso foi uma surpresa muito agradável.




Em seguida, eles fizeram novamente a junção de músicas de dois “monstros da música”, mas agora não era mais Luiz Gonzaga e sim Chico Buarque. Da mesma forma que foi com Blackbird e Assum Preto, eles agora executaram Michelle justamente com Fado Tropical. Depois veio a divertida Ob-la-di Ob-la-da, do The Beatles (ou álbum branco), que foi eleita pela BBC como uma das músicas mais chatas de todos os tempos, mas eu por outro lado, gosto muito dela. O show foi encerrado com Day Tripper e Elanor Rigby, que foi emendada com Billie Jean, do Michael Jackson.

A impressão que ficou depois do show foi a melhor possível. Os músicos são sensacionais, conseguiram impor o seu estilo às músicas dos Beatles, resultando em versões únicas para esses grandes clássicos.

Para quem não teve a oportunidade de ir ao show, fica aqui já a dica de CD do Rock N’Prosa. A experiência do show foi totalmente passada para o álbum, a qualidade da gravação ficou muito boa. Recomendo a aquisição, é um item valioso não só para quem é fã dos Beatles, mas para quem aprecia música instrumental de qualidade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Galeria de Clássicos: Black Sabbath - Master of Reality (1971)

Master of Reality (1971)

Poucas bandas possuem o poder que o Black Sabbath possui em fazer grandes álbuns. Para abrir essa seção semanal sobre os grandes clássicos do rock n’roll, nada como um autêntico clássico dessa banda que deu vida a toda uma era, com a criação do que é conhecido hoje como heavy metal.

O Master of Reality é o terceiro álbum do Black Sabbath e foi lançado oficialmente no dia 21 de julho de 1971 pelo selo Vertigo. O álbum, produzido por Rodger Bain e possui ao todo 8 faixas, totalizando aproximadamente 34 minutos de duração. Master of Reality vendeu ao todo mais de dois milhões de cópias e tem um espaço garantido na “Galeria de Clássicos do Rock N'Prosa”.

Black Sabbath: Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butlet e Bill Ward

Os fãs do gênero estavam desapontados depois do álbum quase acústico do Led Zeppelin (Led Zeppelin III), as esperanças em algo pesado agora só dependiam do Black Sabbath, que não desapontou e jogou todo o seu peso no Master of Reality.

A pesada Sweet Leaf oferece as boas-vindas a todos, apesar da letra fazendo apologia às drogas (provavelmente à maconha), essa música é um dos grandes clássicos do Black Sabbath. Uma curiosidade sobre esse álbum é que, por ter sofrido um acidente com seus dedos em uma fábrica alguns anos antes, o guitarrista Tony Iommi teve que afinar sua guitarra três semi-tons abaixo, o que reduziu a tensão nas cordas e conseqüentemente deixou o som do Sabbath mais pesado ainda.

Tony Iommi critica os pensamentos teológicos em After Forever, música creditada a ele somente, ao contrário das demais, que foram creditadas a todos os membros da banda.

A banda mostra também o seu lado técnico no instrumental Embryo, fazendo lembrar um pouco o estilo polka. Esse instrumental é a introdução para Children of the Grave, a faixa mais clássica do álbum, e uma das minhas favoritas de toda a história do Black Sabbath. A fase do rock em geral não era para singles, mas Children of the Grave foi lançada como um single, dada a sua magnitude. A letra é um show a parte, gosto principalmente do trecho que diz: “Children of tomorrow live in the tears that fall today”.




Em seguida, Tony Iommi mostra o seu lado mais “sensível” e abandona a guitarra e as distorções no instrumental Orchid, executado somente com violões, esse instrumental mostra que o Black Sabbath não é apenas rock pesado, mas uma revolução musical. Experimentos com diferentes melodias podem ser encontrados no álbum Vol.4, com a música Changes e no Tecnical Ecstasy com It’s Alright.


Black Sabbath ao vivo no ano de 1971
A pesada Lord of this World vem logo em seguida, abandonando toda a “sensibilidade” do instrumental antecessor. O ponto forte da música são os seus solos com guitarras intercaladas, desconheço se foi a primeira vez que uma banda tentou essa técnica, mas realmente ficou muito bom. Logo em seguida, a banda diminui o ritmo novamente na cativante Solitude e encerra o álbum com a clássica Into the Void, outro grande clássico do grupo, música que até hoje faz parte dos shows solo de Ozzy Osbourne e fez parte da turnê de reunião do Black Sabbath em 1999.

Bem-vindos!!!

Olá a todos e bem-vindos ao Rock N'Prosa.

Esta é a mensagem de boas-vindas a todos que estão acessando o blog "Rock N'Prosa" pela primeira vez. Decidi criar esse blog para poder postar minhas idéias, compartilhar experiências e conhecimentos com vocês fãs de rock n'roll assim como eu.

Dentro do possível vou criar alguns quadros semanais, já tive algumas idéias, um desses quadros será "Baú dos Clássicos", onde estarei fazendo um review completo de algum álbum da minha coleção de CD's. Estarei postando também algumas curiosidades e vídeos que eu encontrar na rede mundial de computadores.

Essa será minha primeira experiência com blogs, então, vou procurar sempre aprimorar para não cometer muitos erros.

Isso é tudo que eu tenho para dizer por enquanto, todo esse espaço é dedicado a todos os fãs de rock n'roll, e desde já, quero agradecer a visita e espero que gostem do conteúdo.