Como meu tempo para escrever está um pouco limitado ultimamente, decidi criar um quadro aqui no blog: o "R'N'P Recomenda". O que seria isso? Simples, é uma mini-resenha de algum EP ou álbum. No entanto, isso não vai excluir as resenhas que tanto gosto de escrever.
Para começar, gostaria de falar dos meus amigos do Toca-Fita de Corcel. A banda capitaneada pelos grandes Diogo e Juan lançou o seu primeiro EP esse ano, o Briga de Bar. O estilo confesso que não é o que escuto normalmente, mas gosto muito da banda. Não tenho muitas referências no estilo, mas acho a qualidade do Toca-Fita indiscutível, a criatividade nas composições só cresce (lembrando os tempos de T3) e as letras são um show à parte.
Enquanto escrevia isso escutava O Velho Cobertor, ponto mais alto para mim do EP Briga de Bar. Segue aqui abaixo a playlist para vocês conferirem. Espero que curtam esse novo som e fiquem ligados que mais dicas virão.
Foi com os dedos ainda enferrujados (dado o tempo sem escrever aqui no blog) que comecei a ouvir o Order of Chaos (2015), álbum de estréia do Blackning. Apesar da "estréia", a banda formada por Francisco "Chicão" Stanich (baixo), Elvis Santos (bateria) e Cleber Orsioli (vocal e guitarra) já tem bastante tempo de estrada, o Cleber, por exemplo, já tocou no Andralls, banda de fast-thrash de São Paulo, que já passou várias vezes por Mossoró/RN.
O álbum é aberto com a breve introdução de Thy Will be Done, que dá logo lugar a um riff pesado e marcante, mostrando logo a que o Blackning veio. O vocal lembrando o thrash do início dos anos 80 é bem marcante e fica muito bem associado com o peso da guitarra. A música reúne peso e velocidade, mas de um jeito que não fica poluído -- você consegue entender todas as linhas. Da mesma forma, o álbum continua com Terrorzone, só que esta explora muito mais o lado pesado da banda do que o lado melódico. Ou seja, castigaram bastante a bateria nos pedais nessa aqui. Novamente, destaco a facilidade no entendimento dos instrumentos. É pesado? É, mas de forma alguma é poluído. Abrindo um parêntese aqui, o maior "defeito" de bandas mais pesadas é querer fazer algo extremamente pesado e não se preocupar com a regulagem do som, o resultado é uma mistura de "barulho" (com perdão para a palavra) que ninguém sabe o que tá tocando exatamente. Costumo dizer que quanto mais pesado o som, melhor deve ser a qualidade dos equipamentos para captar bem aquilo e conseguir passar -- através da música -- todo esse peso para o público. Escutando o álbum tive esse sentimento logo de início, a banda realmente teve uma preocupação com o som, o que mostra todo o seu profissionalismo e vontade de entregar um produto de qualidade.
Blackning (da esquerda para a direita): Francisco Stanich, Elvis Santos e Cleber Orsioli.
Críticas -- positivas, diga-se de passagem -- à gravação à parte, o álbum continua com Unleash your Hell e (uma pausa para respirar, pelo início meio orquestrado) Against All, ambas seguindo a mesma linha já abordada nas músicas antecessoras, Unleash your Hell, inclusive, possui clipe (e muito bem produzido).
Outro elemento que gostaria de destacar nas músicas é a criatividade. As músicas são pesadas, mas não são de forma alguma aquela coisa de manter o mesmo ritmo e ficar tocando mais e mais rápido, não, eles souberam fazer transições na melodia (variando entre partes pesadas e melódicas) de uma forma que não tirou o peso da música. Isso foi aplicado em todas as músicas e é um destaque do álbum, na minha opinião, porque não deixa a audição monótona. Imagino que até o fã "truezão" de thrash não aguenta ficar 40 minutos escutando "a mesma coisa" monótona.
Death Row, a minha favorita no álbum, traz o peso com doses de melódico no refrão (lembrando até as composições do Amon Amarth). Essa música traduz tudo o que estou escrevendo até agora, em termos de estilo da banda. O sentimento que mais me ocorreu desde o início da audição é: "Onde estavam vocês?!". Sério, é uma banda realmente muito boa e ao vivo deve ser ainda melhor. A qualidade das músicas é indiscutível, resgatando com maestria o thrash clássico. Sei que é muito bom inovar, mas sons retrôs sempre me atraíram e isso é o Blackning. Cara, e as composições, não param de surpreender, escute Devouring the Weak e me diga se não estou certo.
capa do Order of Chaos (2015).
Algo que não comentei é a temática do álbum, o título "Order of Chaos" me faz imaginar uma ceita que domina o mundo através do caos. Alguma semelhança com os tempos atuais? Não consigo imaginar (a luz do "sarcasmo" está acesa, caso não tenha percebido). A capa meio que mostra isso, um esqueleto que me lembra a virgem Maria com um bebê, com uma coroa de espinhos. Isso pode simbolizar os valores da sociedade (representados pela religião), ou seja, tudo está tendendo ao caos, tudo está tendendo a se perder. A tonalidade azul deu um caráter retrô, lembrando aquelas capas dos anos 80 -- clássicas.
Voltando ao álbum, para encerrar, Censored Season (com versos em português, lembrando os primórdios do Korzus) e Killing or being Killed fecham o Order of Chaos (2015). Mas, antes de se despedir, a banda gravou um cover do Overdose, Children of War. Confesso que nunca tinha escutado a banda antes, apenas sabia que eles gravaram um split com o Sepultura, antes de sair o Morbid Visions, claro que fui ouvir a banda agora. Conversando com Chicão, ele mencionou que tiveram a oportunidade de mostrar essa música para o próprio pessoal do Overdose, imagino a satisfação de todos.
Pois bem, acho que me estendi um pouco, mas o álbum merece. Qualidade impecável de gravação e composição das músicas, foi uma das surpresas de 2015 para mim, sem sombra de dúvida. É um item que certamente vou ter na minha coleção, e por falar em ter, a Diehard vende o CD (segue o link AQUI), quem quiser comprar pode pegar lá no site, eles entregam em todo o Brasil.
#Tracklist
1.THY WILL BE DONE
2.TERRORZONE
3.UNLEASH YOUR HELL
4.AGAINST ALL
5.DEATH ROW
6.SILENCE OF THE DEFEAT
7.DEVOURING THE WEAK
8.CENSORED SEASON
9.KILLING OR BEING KILLED
10.CHILDREN OF WAR (Overdose cover)
"Isso ae", web-leitores, estou escrevendo apenas para dizer que estamos de volta à ativa!! Como alguns acompanharam, fechei temporariamente o blog para me dedicar ao Metal Nerd, mas, o ambiente virtual acabou por fechar. Com isso, decidi voltar ao Rock'N'Prosa -- como era minha intenção desde o início, caso o Metal Nerd fechasse --, e voltar a escrever os contos do rock'n'roll que tanto gosto.
Minhas ideias mudaram um pouco desde o início do Rock'N'Prosa. A ideia de não postar notícias ainda permanece -- teremos dicas e estórias, de uma forma literal, como trabalhamos nesses últimos 5 anos. As nossas colunas provavelmente sofrerão algumas mudanças, caso tenham acompanhado o desenvolvimento durante os anos. Mas, a essência do Rock'N'Prosa vai continuar.
O Prosacast, que estava sendo produzido no Metal Nerd, vai voltar para sua casa, mas, como meu tempo de dedicação ao blog voltou a ser pequeno, vamos deixar o projeto do podcast parado, por enquanto. Vou tentar manter um ritmo constante de postagens, a começar por amanhã, sendo que não vou deixá-las longas, assim a leitura flui mais e a informação consegue ser propagada do mesmo jeito.
Durante esse tempo fora continuei escutando as mesmas velhas bandas, e conhecendo novas bandas. Vou correr atrás de todo esse "tempo perdido" nos próximos meses, compartilhando com vocês os materiais que fui encontrando e expondo minha opinião sobre eles. Além do rock, vou finalmente trazer meus outros hobbies para o blog, como a cultura pop e os board games, não "estranhem" algumas postagens, tudo vai continuar dentro da atmosfera "metal".
Então, é isso por enquanto, pessoal, espero que gostem do que virá e em breve vou modificar o layout do blog para deixá-lo melhor. E por falar em "novas" bandas, uma que tenho escutado bastante ultimamente é o God is an Astronaut, fiquem aí com um som deles.
Enquanto fico sentado e calado, ouvindo o que os revoltosos tentam me fazer acreditar, apenas essas palavras conseguem sair da minha mente. Eu sou um idiota, que não quer se meter em nada, que não tem opinião, que está vendo o seu país morrer aos poucos.
Não demonstrar interesse na mudança do país não parte de um princípio de apoiar A ou B para ocupar uma certa cadeira em um certo local. Não importa quem chegue na frente, o mundo vai continuar livre. O mesmo idiota que vota em A, não votaria no B da mesma forma que o idiota do B não votaria no A – enquanto mantém a sua Guerra Fria com ofensas e ataques.
Vivemos em um mundo recheado de inverdades, onde é mais válido denegrir a imagem do próximo do que exaltar as qualidades do ser humano. Os donos da verdade acabaram de ter um orgasmo.
Esses verdadeiros donos da verdade, e de todo o poder filosófico de opinião, consideram-se Reis ou Rainhas da sociedade, se achando no direito de reprimir todo o mundo, que uma vez achou o seu ideal – um pouco – diferente, daquilo que os nossos espíritos foram acostumados a sentir. Não é que julgue certo ou errado, o mundo é livre, e todos têm o direito de fazer o que quiser.
Nos dias que seguem, eles entopem o mundo com o seu idealismo (correto, é claro, eles são os donos da verdade) – barato – e exaltam o poder da luta, da revolta, como instrumento da mudança. Mudança para quê? Eu respeito todo mundo que acredita nisso, e luta por isso, mas não respeito aquele que vem atacar o que não quer mudança. Mudança. Que palavra!
Esse mundo é movido pela palavra “mudança”. Já perdi as contas de quantas propagandas eleitorais assisti onde prometiam mudança. Até a mudança já cansou de tanta mudança. Entra A e sai B. O mundo continua como está. Isso abre espaço para uma única mudança – com o trocadilho –, devemos mudar as pessoas do nosso país. Não no sentido de expulsar todo mundo, mas no sentido de mudar a filosofia de cada um.
O idiota que não pensa e o revolucionário dono da verdade viveriam muito melhor em um país menos corrupto, isso é fato. Mas, a corrupção não parte da mudança proposta pelo candidato A ou B, ou pelos – in memoriam – partidos políticos. Ela parte da cabeça de cada um. Todos os seres humanos são bons e capazes de produzir o bem maior com sua força de vontade. O que diferencia um Presidente da República de um mendigo é uma linha quase invisível. É claro que numa sociedade desigual, o Presidente teve muito mais oportunidade de adquirir novos conhecimentos do mundo, mas, como ser humano, somos todos iguais.
A máquina que move o mundo é abastecida por corrupção há muito tempo. O sistema viciou e corrompeu o espírito de todos que chegam perto dele. Como um pelotão de ciclistas em uma corrida, ele engole aqueles que tentam se distanciar dele. O sistema move o mundo. O sistema (não) muda o mundo.
É por isso que não perco minha força postando cartazes e levantando a mão para A ou B, nessa eterna corrida presidencial. Eu tento viver o melhor que eu posso. Sei que não terei mudanças. Mas, a mudança dentro de mim já começou. Se um dia ela atingir o meu vizinho, e assim por diante, como uma progressão geométrica, A ou B serão um só – o idiota e o revolucionário também. Todos seremos moradores da mesma terra livre, com um único propósito: viver o melhor que podemos. Eu quero essa mudança. Viva o melhor.
Depois de muita espera, eis que pego minha cópia do Secret Garden (2015), mais novo álbum dos guerreiros do Angra. Digo "guerreiros", porque eles passaram por muitas situações que culminaram ou culminariam no fim da banda, e eles continuaram. Sem querer criticar e já criticando, o problema de tudo foi dinheiro. O dinheiro tirou Andre Matos da banda, para a sua carreira-solo quase sem sal; o dinheiro tirou Aquiles Priester, que formou o Noturnall e continuou com o Hangar e o dinheiro quase levou a banda toda embora, quando um problema de longa data com um dos empresários da banda deixou o Angra fora dos palcos por certo tempo. Esse tempo de hiato serviu para Edu Falaschi se dedicar ao Almah, e deixar a banda (foi o melhor, não dizendo que ele é ruim), para Kiko Loureiro se dedicar à sua carreira-solo e para Rafael Bittencourt lançar o Brainworms I (2008), um dos melhores álbuns que escutei até hoje, sério mesmo.
Depois do conturbado DVD em comemoração aos 20 do Angels Cry (1993), que provocou mais brigas entre os membros antigos, brigando por direitos autorais -- novamente o dinheiro entrando em pauta -- eis que o Angra volta para o estúdio e nos apresenta mais um trabalho. A principal novidade do Secret Garden (2015) é a presença de Bruno Valverde na bateria e Fábio Lione nos vocais, dispensa apresentações.
capa expandida do Secret Garden (2015).
Pegando o meu álbum, gostei do acabamento, detalhe para a versão digipak -- não sei se será limitada. Artes que remontam um jardim e fotos da banda tiradas no Museu da TAM, em São Carlos/SP, estão em perfeita harmonia. Aprovado o trabalho artístico, vamos ao que interessa, que são as músicas.
Em se tratando de Angra, a primeira coisa que esperava era um "arroto" em dueto logo na primeira música, e passagens puramente técnicas, como é o costume. Mas, Newborn Me é um tapa na cara de quem tem esse sentimento. Nada de riffs rápidos e em dueto, um único riff pesado é que introduz a música, lembrando os bons tempos de Nothing to Say, no Holy Land (1996). Os vocais de Fábio se encaixaram perfeitamente na música, gostei do resultado. O refrão é excelente, ao vivo ficará poderoso. Outro detalhe é que o Angra não se adapta aos vocalistas, os vocalistas é que devem se adaptar ao Angra. É comum você ver uma banda mudar um pouco o estilo depois que um novo vocalista entra. Tive esse sentimento porque fiquei imaginando Edu Falaschi ou Andre Matos cantando a mesma música, são estilos semelhantes.
No melhor estilo Acid Rain, do Rebirth (2001), Black Hearted Soul é a segunda faixa do álbum, e para quem achou que eles não chegariam, ali estão eles, os solos em dueto na introdução seguido de uma base rápida estilo speed metal. Refrão pegajoso, é uma música no estilo que o Angra sempre trabalha. Como achei o álbum muito rico -- já adiantando meu julgamento -- essa música meio que passou despercebida, mas, não deixa de ter seu charme. Final Light, uma das contribuições de Felipe Andreoli, é uma das minhas favoritas do álbum, o início pesado e o refrão potente são um convite a apreciar o Secret Garden (2015). Não consigo imaginar essa música sendo executada no show, mas é um dos pontos fortes do álbum, com direito até a percussão.
Storm of Emotions foi a música lançada como single e única música que já tinha escutado do álbum antes do lançamento. Início lento, com progressão para um refrão marcante. A principal parte dessa música para mim é quando Rafael canta. Podemos contar no dedo as vezes que ele fez uma participação em um álbum do Angra, e quando ele entra, entra "entrando". Ficou apoteótico. A partir desse ponto, temos sua participação cada vez mais nas músicas, o que achei sensacional, porque ele nos mostrou que o Angra não vai ficar preso mais a vocalista. O Fabio é da banda? É, mas, desde o início ele deu a entender que poderia sair a qualquer momento da banda, e em uma possível saída, Rafael poderia finalmente assumir os vocais do Angra, algo que deveria ter feito desde a saída de Andre Matos. Ele já mostrou sua competência, o único problema é sustentar com o ritmo dos shows.
Angra, da esquerda para a direita: Felipe Andreoli, Rafael Bittencourt, Fabio Lione, Kiko Loureiro e Bruno Valverde.
Algo que notei nesse álbum é que as músicas não estão difíceis para o vocalista. Se você analisar o Fireworks (1998) ou o Temple of Shadows (2004), por exemplo, são álbuns extremamente difíceis, mas, o Secret Garden (2015) deu a impressão de ter sido composto dentro do alcance vocal de Rafael. Mais uma de minhas favoritas, Violet Sky, é a faixa seguinte, cantada inteiramente por Rafael. A música segue mais ou menos a mesma linha progressiva de Storm of Emotions. Apesar de Fabio ser o vocalista -- agora oficial --, ele não cantou todas as músicas, como é o caso dessa. Isso deu uma versatilidade muito grande ao álbum.
A faixa-título Secret Garden, única faixa que não foi composta pela dupla Bittencourt/Loureiro (quase um Lennon/McCartney) e sim pela esposa do Kiko Loureiro, Maria Ilmoniemi. A música é diferente de todas as composições do Angra, obviamente, e de todas as músicas do álbum. Ela é inteiramente cantada por Simone Simmons (Epica), mantendo seu timbre natural de voz, não fazendo a "voz de opera" tradicional. Gostei da música. Têm muitas passagens de violino, obviamente 2 (a esposa do Kiko é violinista e pianista), e é a faixa mais orquestrada de todas do álbum. Novamente digo, é diferente de tudo o que apareceu antes em toda a discografia do Angra. Foi ousado colocar uma música dessas no álbum, mas, para mim, o resultado não podia ter sido melhor.
Com um riff no baixo, seguido de uma levada bossa-nova, Upper Levels nos "traz o Angra de volta". Essa música nos lembra das raízes brasileiras da banda, algo que eles sempre tentam trazer nos álbuns. Musicalmente, é uma das melhores do álbum, cheia de variações na melodia. Fabio acaba seu descanso e volta aos vocais nessa. Essa é mais uma música para você parar e ouvir. Arrisco em dizer que essa é um dos pontos altos da carreira do Angra, não dizendo que ela será um clássico, mas, é uma das melhores composições que eles fizeram. Depois da pesada, porém um pouco apagada, Crushing Room, cantada por Rafael -- com direito a participação da clássica Doro Pesch, nos vocais -- o álbum é "encerrado" com a rápida e fácil de ouvir Perfect Symmetry. Esta última segue a linha dueto na introdução e base rápida em pedal duplo, era a música que o álbum precisava ter, a ousadia já foi muito grande com as outras faixas. Mesmo sendo "mais do mesmo", gostei da música, principalmente do início do refrão: "Stars are calling you...". Novamente, imaginei a voz de Edu Falaschi nessa música, mas, perdão, Edu, o Fabio está muito bom.
Anteriormente falei "encerrar" entre aspas porque essa música é a última rápida, mas, o Secret Garden (2015) ainda guarda uma música para fechar a obra. Uma faixa inteiramente voz e violão, composta por Rafael, encerra a visita ao jardim secreto. Silent Call é de longe a minha favorita do álbum. É uma música extremamente simples, mas, que soa muito bem. Rafael cantou ela com uma alma tão grande, que ainda não consigo mensurar. Recomendo fortemente você, web-leitor, conferir essa música. A letra também é um show a parte. Uma mensagem positiva forte é transmitida. Foi o encerramento que esse álbum merecia, sem sombra de dúvida.
Terminando a audição do Secret Garden (2015) fiquei com a impressão que o Angra nos convidou a entrar nas raízes mais ocultas de sua criatividade. Se álbuns como o Aqua (2010) e o Aurora Consurgens (2006) são extremamente técnicos, o Secret Garden (2015) é musical. Composições simples, mas, complexas ao mesmo tempo, sem ter a obrigação de serem difíceis de tocar, como eram as composições do Angra. Se eu já tinha gostado do Aqua (2010), o Secret Garden (2015) está muito à frente dele. Já considero ele entre os cinco melhores de toda a carreira do Angra. É um álbum de estúdio, não consigo imaginar boa parte das músicas ao vivo, é um álbum para você escutar em casa, sentado no sofá com uma Heineken, apreciando cada acorde.
P.S: Algo que me ocorreu no fim da postagem é se esse álbum tem ou não ligação com o livro O Jardim Secreto, de 1910. A banda não se pronunciou a respeito, mas, vou analisar as letras e ver a obra para verificar a relação, e publico posteriormente. O Aqua (2010), para quem lembra, foi inteiramente escrito baseado na Tempestade, de Shakespeare. Vamos aguardar.
O ano está acabando e decidi fazer algo que nunca fiz nesses 4 anos de Rock'N'Prosa, listar os melhores do ano. Mas, por onde começar? Não dá para separar categorias. Então, decidi pegar um pouco de tudo: metal e rock nacional e internacional. Incluí tudo no mesmo pacote e eis que vamos montar essa seleção aqui no blog. Espero que gostem.
Para começar esses comentários nada melhor do que um momento histórico. Quando comecei a escutar rock/metal (o que inclui todas as vertentes) o Pink Floyd, uma de minhas bandas favoritas, já havia acabado. Nesse ano, tive a oportunidade de vivenciar um lançamento de um álbum do Pink Floyd, de todas as formas possíveis -- com o anúncio das músicas, a premiere do clipe, os formatos lançados, etc. -- o que aumentou ainda mais o grau de incersão nessa experiência. Instrumental -- chato ou não --, é Pink Floyd, e isso merece respeito. Escutei o álbum Endless River (2014) e gostei. É uma experiência diferente de tudo o que o Pink Floyd proporcionou em sua discografia. Certamente é um álbum para ter na coleção, não só pela qualidade das composições (que, diga-se de passagem, o processo de montagem -- a partir dos fragmentos de gravações do Division Bell (1993) -- ficou coerente, gerando músicas muito boas), mas pelo teor histórico também, por termos uma obra póstuma de Rich Wright.
capa do Endless River (2014).
Ainda na levada do progressivo, o Opeth nos apresentou o Pale Communion (2014) neste ano de 2014. Um dos álbuns mais "prog" de sua discografia, com ausência completa de vocais guturais. A riqueza musical é muito grande no álbum, com poucas partes pesadas, mas muitas partes marcantes, por assim dizer. A faixa-introdutória Eternal Rains Will Come, foi uma das músicas que mais escutei nesse ano, a sequência instrumental é fantástica. Esse álbum recebeu nota 10 na maioria das resenhas realizadas, e só não recebeu aqui no Rock'N'Prosa porque não costumo colocar notas nos álbuns.
capa do Pale Communion (2014).
Pegando o navio para o Brasil, tivemos o lançamento do Noturnall (2014). Uma nova banda formada pelos ex-integrantes do Shaman e Aquiles Priester. Banda pesada, sem amarras -- pelo menos complemamente -- do metal melódico. Composições maduras e marcantes, como Nocturnall Human Side e Hate!, músicas que certamente se tornarão clássicos dessa banda. Eles lançaram um DVD, com o primeiro show, em São Paulo/SP, e estão em turnê pela Europa, depois de fazer uma turnê pelo Brasil. Os desejos do Rock'N'Prosa é que eles cresçam ainda mais, porque presenciei a quantidade e zelo que eles têm com o trabalho. Ficaremos no aguardo de mais um álbum.
capa do LP Noturnall (2014).
Ainda no Brasil, uma banda que vem ganhando muita atenção, principalmente pelo seu profissionalismo é o Project46. O álbum Que Seja Feita a Nossa Vontade (2014) traz uma qualidade em composições muito grande, e melhor, pesadas! É muito difícil fazer música pesada de qualidade, porque normalmente só escutamos um barulho, sem distinguir os instrumentos, e isso não acontece com o Project46. Só tenho uma coisa para dizer: Anotem esse nome. Com certeza, daqui a alguns anos, essa banda será o maior destaque do metal nacional.
capa do Que Seja Feita a Nossa Vontade (2014).
capa do ...In the Dock (2014).
Ainda nessa levada do Project46, trazendo a peteca para o Rio Grande do Norte, tivemos o lançamento do ...In the Dock (2014), pelo Bones in Traction. O excelente EP de estréia deles traz muita diversidade musical, dentro do universo pesado do Pantera, e também é um dos destaques do ano. Eles já devem estar trabalhando no seu próximo álbum e promessas de muita coisa boa vêm por aí, também fiquemos no aguardo.
capa do Blind Rage (2014).
Para encerrar essa lista de melhores do ano, fiquemos com essa banda que já foi grande, encerrou as atividades e decidiu voltar produzindo os melhores álbuns de toda a sua carreira, o Accept. Foram obras atrás de obras, Blood of the Nations (2012), Stalingrad (2012), um melhor do que o outro, e agora, Blind Rage (2014). Não é segredo para ninguém que o Accept é um dos maiores destaques do metal mundial na atualidade. O Blind Rage (2014) não é o Blood of the Nations (2010) -- o melhor álbum de TODA A CARREIRA do Accept, não tenho medo de admitir isso -- mas, ainda é um excelente álbum e um dos maiores destaques desse ano de 2014. Stampede compete junto com Teutonic Terror e Metal Heart no posto de clássico do banda.
É isso, web-leitores, espero que tenham gostado. Se por acaso esqueci de algum álbum, fiquem à vontade para sugerir aqui nos comentários. Até 2015!!
Faz muito, muuuuito tempo mesmo que estou devendo esse resenha aqui no blog. Dívida mesmo, sei que não ganhei (nem ganho) nada com o blog, nem cobro por isso. Nunca ganhei um CD de presente para ser resenhado, etc, mas, faço tudo porque gosto mesmo, nunca vou exigir isso de ninguém.
Ainda era 2011, quando subindo no palco pela primeira vez com o Godhound, enquanto estava nervoso pensando no show, uma banda chamada Dead Pixel estava tocando um grunge no palco do Dosol, em Natal/RN, terminando o show, as figuras descem do palco e dizem: "Botem para descer lá, galera!".
Naquele dia, a banda formada por Rafaum Costa e Thassio Martins -- não lembro se Andola estava na bateria na época -- estava fazendo um show pela primeira vez com o nome de Mad Grinder, fato que eles enalteceram lá no show. Continuei esbarrando com o Mad Grinder nos rock'n'roll's dos domingos em Mossoró/RN, no Carcará, ou nos sábados no Centro Cultural DoSol Mossoró -- o contato com o som da banda foi só aumentando.
Mad Grinder (da esquerda para a direita): Andola Costa, Rafaum Costa e Thassio Martins.
Não sou um grande fã de grunge, nunca fui muito do lado "Nirvana" (fui para o lado "Iron Maiden" na época), mas aprendi a respeitar e melhor, curtir o som do Mad Grinder. A banda pareceu querer ensinar isso quando lançou em 2013 o EP Smoke (2013). O EP traz uma sonoridade "crua", comparado com o que vinha depois -- mas, esqueci de adicionar o "instigante" à descrição --, como a clássica (dêem-me licença para considerar essa música assim, porque realmente o é) Black Sunday. O agudo do refrão é algo que levanta o cabelo do braço, e ao vivo, é melhor ainda do que no CD. Ela é uma música que sempre gosto de escutar, e aponto -- já no primeiro trabalho -- como um dos pontos mais altos da carreira do Mad Grinder. Outro destaque é a sempre presente nos shows, Billy, foi um encerramento para o EP à altura. De todos os trabalhos deles até agora, esse EP foi o que mais escutei, e tenho orgulho de ter minha versão autografada por Rafaum, é algo que guardo na coleção.
capa do Hitting Around (2013), arte de Sabrina Bezerra.
Ainda em 2013, agora mais perto do fim do ano, o Mad Grinder lança outro álbum, agora um álbum de inéditas. Na verdade, o Smoke (2013) foi gravado em 2012, mas só lançado em 2013, as músicas eram mais que conhecidas de todos, que iam aos shows desde 2011. Entretanto, com Hitting Around (2013), o Mad Grinder nos apresentou uma sonoridade diferente, um som amadurecido pelos shows em 2012/2013. A emblemática I'm Fine, outra de minhas favoritas, abre esse novo álbum, continuando com Hitting Around, outra sempre presente nos shows. O riff de Hitting Around fica grudado na sua cabeça e o refrão, onde Thassio e Rafaum cantam juntos, ficou muito bom. Um dos pontos que mais gosto do Mad Grinder, e tento trazer isso para meus projetos também, é a alternância nos vocais. Thassio possui um vocal mais "Kurt Cobain" e Rafaum tem uma voz mais limpa, mas, que fica rasgada quando preciso. O entrosamento do power trio é indiscutível, o show é bastante centrado, sem lacunas. Continuando no álbum, a sombria Mr. Doom encerra de maneira pesada (está pensando que grunge não tem peso? Estou dizendo isso para mim mesmo). Gostei muito do riff dessa música, com um pouco de notas dissonantes aliadas a um vocal rasgado e agudo. O ponto principal de Hitting Around (2013), para mim, é a complexidade da parte instrumental. O que o antecessor tinha de "cru" -- no sentindo de ser direto ao ponto, gerando músicas fáceis de ouvir -- esse novo tem de complexo. As músicas ganharam meio que um ar "prog", por assim dizer, o que -- na minha opinião -- enriqueceu e muito o som do Mad Grinder.
capa do Cold Tombstone (2014).
Essa riqueza no som foi trazida para o Cold Tombstone (2014), EP lançado em 2014 e trabalho mais recente do Mad Grinder. Devido aos caminhos da vida, acabei perdendo um pouco do contato com toda a cena do rock, isso também é resultado do fechamento do DoSol Mossoró. Depois de todo o ano, acabei tendo contato novamente com eles no Festival DoSol 2014, onde adquiri a minha versão do EP. Logo de cara, percebi um tratamento totalmente diferente da produção, com a introdução de novos efeitos nas músicas, resultado da experiência que eles foram adquirindo -- fizeram até turnê nacional e pela América do Sul nesse período. Tudo isso que falei está retratado em Old Tales, meio que mistura o Mad Grinder "cru" do Smoke (2013), com o moderno "prog" do Hitting Around (2013), foi muito bom o resultado. O EP ainda traz a nova "Black Sunday", a já -- para mim -- clássica, Jr. A primeira vez que escutei ela foi no show do Festival DoSol, e lembro que assim que entrei no carro, saí procurando ela no CD, para escutar novamente (na época não sabia o nome da música). A música traz uma introdução poderosa, com um riff marcante, com toda aquela atmosfera grunge (novamente digo, não tenho autoridade no assunto, pode ser que esteja comentendo algum deslize). O vocal de Thassio abre a música, começando grave e depois indo para o agudo, enquanto mantém a mesma base -- sou muito fã dessa técnica -- chegando, logo em seguida, no também marcante, refrão. Ela não tem o agudo de Black Sunday, mas o é refrão forte. Novamente digo, é um forte candidato a clássico. O EP ainda traz a quase-acústica Killing my Ghosts, que inclui uns efeitos um pouco distorcidos, gostei do trabalho que foi feito com a bateria, deixando o som bem de fundo, meio que abafado (com volume reduzido). Encerrando esse trabalho, temos a sombria Something More, dizendo que -- com perdão para o trocadilho -- vem mais por aí.
A banda está ainda na ativa e novos trabalhos virão, com certeza. A expectativa é que próximo ano eles lancem um álbum, já que tivemos um EP esse ano -- Rafaum tinha me dito há certo tempo que tentariam manter esse ritmo. Vamos torcer para que continue. O que gosto de ver diversos trabalhos assim é ver o amadurecimento da banda entre um trabalho e outro, isso é o que gera a expectativa por um próximo álbum.
Então, web-leitor, você que chegou até aqui nessa dica misturada com resenha de toda a discografia do Mad Grinder, só me resta dizer: Para de ler e...Escute esse negócio!!